Justiça do RJ condena três homens a 30 anos de prisão por morte de advogado em 2024
Tribunal do Júri considerou que réus participaram de grupo de extermínio ligado ao jogo do bicho no assassinato de Rodrigo Marinho Crespo


Antonio Souza
SBT News
A Justiça do Rio de Janeiro condenou, nesta sexta-feira (6), três homens a 30 anos de prisão, cada um, pelo assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, morto a tiros em 2024 no centro da capital fluminense.
Os condenados são o policial militar Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Mondêgo de Souza, ex-funcionário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e Eduardo Sobreira Moraes. A decisão foi tomada após dois dias de julgamento no Tribunal do Júri.
O julgamento foi presidido pelo juiz Cariel Bezerra Patriota, que afirmou na sentença que ficou comprovada a participação dos réus em um grupo organizado de sicários responsável por planejar e executar homicídios.
O magistrado destacou que o grupo possuía estrutura organizada, com divisão de tarefas e atuação voltada à obtenção de vantagens econômicas e à expansão de poder.
Segundo a decisão, a organização se valia da influência dentro de estruturas do Estado para formar uma espécie de aparato paralelo, além de dificultar investigações e destruir provas.
Os três réus foram condenados por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, emboscada e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, já que os disparos foram efetuados pelas costas, além do uso de arma de fogo de uso restrito.
Motivo do crime
Segundo a acusação, o crime teria relação com atividades ligadas a jogos de azar. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) afirmou que os três condenados faziam parte de uma organização criminosa ligada ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.
Durante o julgamento, o promotor Bruno de Faria Bezerra afirmou que o assassinato teria sido uma mensagem para impedir novos investimentos no mercado de apostas em áreas dominadas pelo grupo.
Segundo o MPRJ, o advogado estudava abrir um bar de apostas esportivas e máquinas semelhantes a caça-níqueis em Botafogo, bairro onde o bicheiro manteria pontos de jogo do bicho e um bingo clandestino.
Quem era Rodrigo Marinho
O advogado, de 42 anos, era graduado pela Pontífica Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e atuava desde 2012 em escritórios de advocacia. Rodrigo chegou a ser auditor no Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Estado do Rio de Janeiro (TJD/RJ).
Ele se especializou também em processo civil e corporativo. Na ocasião, era sócio do escritório Marinho & Lima Advogados desde 2022.

O que disseram as defesas
As defesas dos três réus contestaram a acusação durante o julgamento.
Os advogados de Cezar Daniel Mondêgo de Souza afirmaram que ele teria sido contratado apenas para monitorar a vítima e que não sabia que ocorreria um assassinato.
Já a defesa de Eduardo Sobreira Moraes alegou que ele teria sido chamado apenas para dirigir o veículo usado por outro acusado e que também desconhecia qualquer plano de homicídio.
No caso de Leandro Machado da Silva, os advogados sustentaram que ele apenas sublocava veículos de uma locadora e que seu nome não aparecia em registros ligados ao monitoramento da vítima.
Relembre o caso
O advogado Rodrigo Marinho Crespo foi morto no dia 26 de fevereiro, quando chegava ao edifício onde ele trabalhava, na Avenida Marechal Câmara, no centro do Rio de Janeiro. O escritório do advogado estava localizado a poucos metros da OAB-RJ.
Tudo aconteceu por volta das 17h. A vítima estava caminhando com um outro homem a cerca de 50 metros da sede da OAB. As imagens das câmeras de segurança mostraram o momento em que o advogado foi atingido por um homem encapuzado que já estava vigiando Rodrigo.

O atirador saiu de um carro branco que estava na frente do prédio. Foram ao menos dez disparos na região do rosto e do tórax dele.
Testemunhas afirmam que o advogado foi chamado pelo nome antes de receber os tiros. Mesmo após a vítima cair no chão, o criminoso continuou atirando.
Os três suspeitos foram indiciados por homicídio qualificado. Além disso, o policial militar Leandro Machado da Silva foi afastado das funções e teve o porte de arma suspenso. Segundo o inquérito, ele já possuía antecedentes por homicídio e por integrar uma milícia na Baixada Fluminense.
Os réus estavam presos preventivamente desde março de 2024.









