Trump derruba regra que permitia limitar emissões de gases do efeito estufa nos EUA
Medida visa impulsionar indústria e reduzir preço da energia e transporte no país; grupos ambientalistas prometem recorrer na Justiça


Camila Stucaluc
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou, na quinta-feira (12), o parecer científico que classificava gases de efeito estufa como prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente. A decisão elimina a autoridade do governo federal para limitar a emissão de gases de efeito estufa — principal causador do aquecimento global.
A chamada “constatação de perigo” foi determinada em 2009, durante o governo de Barack Obama. O parecer, que se tornou base para grande parte das políticas climáticas do país, permitia à Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) regular emissões sob a Lei do Ar Limpo de 1963, incluindo dióxido de carbono, metano e outros quatro poluentes atmosféricos.
O limite engloba a atividade de carros, caminhões, aeronaves, chaminés industriais, usinas de energia e outras fontes que queimam combustíveis fósseis.
Durante assinatura no Salão Oval, Trump alegou que o parecer foi uma “política desastrosa que prejudicou severamente” a indústria automobilística norte-americana e “elevou massivamente” os preços para os consumidores. Segundo ele, a revogação resultará na economia de US$ 1,3 trilhão aos contribuintes e ajudará a reduzir o preço da energia e transporte no país.
Pelas redes sociais, Obama criticou a decisão do republicano, dizendo que a revogação tende a acelerar o aquecimento global. “Sem ela [constatação de perigo], seremos menos seguros, menos saudáveis e menos capazes de combater as mudanças climáticas — tudo isso para que a indústria de combustíveis fósseis possa ganhar ainda mais dinheiro”, escreveu.
Apesar de assinada por Trump, a medida deve ser alvo de ações judiciais, sobretudo por grupos ambientalistas, que dizem que a medida é a reversão mais significativa das mudanças climáticas.
“A ciência que estabelece o parecer foi clara em 2009. Mais de 15 anos depois, as evidências só aumentaram. Comunidades em todo o país estão suportando rotineiramente as consequências e custos das mudanças climáticas, incluindo ondas de calor mortais, aumento acelerado do nível do mar, agravamento de incêndios florestais e enchentes. Esse ataque ao interesse público será desafiado”, disse Gretchen Goldman, presidente da União dos Cientistas Preocupados (UCS).
Políticas antiambientais
A nova decisão faz parte da promessa de campanha de Trump de reduzir as regulamentações ambientais para impulsionar o setor da indústria nos Estados Unidos. Desde que voltou à Casa Branca, em 2025, o republicano revogou uma série de restrições de emissão de gases de efeito estufa, além de promover reformas na Agência de Proteção Ambiental (EPA).
Uma das ações mais polêmicas de Trump foi a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, que visa manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C até o 2100. O tratado estipula a meta de 1,5ºC, uma vez que um aquecimento superior pode gerar consequências devastadoras ao planeta, como ondas de calor mais intensas, secas prolongadas, chuvas severas e inundações devido ao aumento do nível do mar.
Para alcançar a meta, as emissões de gases de efeito estufa no mundo devem cair de 28% a 42% até 2030. Políticas antiambientais, como as de Trump, devem dificultar essa possibilidade, conforme especialistas.
"Os gases de efeito estufa atmosférico aumentaram constantemente nos últimos 10 anos. A atmosfera está nos enviando uma mensagem, e precisamos ouvir”, disse o diretor do Serviço de Monitoramento da Atmosfera do Copernicus, Laurence Rouil.
Atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior poluidor climático do mundo, atrás da China. O país, contudo, é o principal emissor de gases de efeito estufa desde a Revolução Industrial, conforme dados do World Resources Institute (WRI). Segundo a organização, a taxa de emissões per capita do país é o dobro da chinesa e oito vezes maior que a da Índia.









