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Tremor agrava crise venezuelana em meio à fuga de talentos

William Clavijo, PHD em Políticas Públicas, afirma que a Venezuela não conta com capacidade técnica para dar resposta à situação de calamidade do país

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Lívia Zanolini, Acácio Filho, Marcela Guimarães
25/06/2026, 21:16 • Atualizado em 25/06/2026, 21:16
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Os recentes tremores de terra que afetaram a Venezuela na noite desta terça-feira (24) atingem o país no "pior momento possível", de total "destruição institucional", aprofundando a deterioração das condições de vida da população. A avaliação é do venezuelano William Clavijo, PHD em Políticas Públicas pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que vive no Brasil.

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"Há mais de 70 anos a Venezuela não tinha tremores dessa magnitude. E o país não estava preparado para administrar uma catástrofe natural assim", avalia Clavijo. "E [o terrometo] chega no pior momento possível, de um país que não consegue ainda se recuperar do deterioramento econômico, político e social criado pelos regimes chavistas - Hugo Chávez e Nicolás Maduro e agora, Delcy Rodríguez", complementa.

O especialista afirma que a Venezuela, hoje, não tem as mínimas condições de enfrentar as consequências do fenômeno natural - que impactou duramente a capital Caracas e cidades do Norte e da Costa do país - principalmente, diante do êxodo de cidadãos e a perda de cérebros ténicos e funcionários públicos, para atuar nos resgates de vítimas, e questões de infra-estrutura necessários.

"Os ministérios estão com capacidades técnicas muito reduzidas, não contam mais com um corpo técnico capacitado, muitos especialistas - de resgates e temas correlatos -, infelizmente, abandonaram o país. São pessoas que deixaram o país ou se dedicaram a outras atividades econômicas para sobreviver", explica.

O especialista lembra que, só no Brasil, vivem cerca de 700 mil venezuelanos, que fugiram nos últimos 10 anos, em meio à "complexa crise economica, social e política". Em decorrência desta situação, mais de 7 milhões de pessoas tiveram de abandonar o país.

Segundo Clavijo, a crise afeta duramente o setor elétrico, os serviços públicos, além de um deterioramento da infraestrutura e da capacidade do "corpo burocrático" ( servidores públicos) de prestar serviços básicos para auxiliar na catástrofe.

"Temos entre a população migrante refugiada no Brasil pessoas que trabalharam na Defesa Civil, Forças Armadas, no Petróleo e em questões associadas ao Meio Ambiente, Saúde e Segurança que, infelizmente, estão tentando refazer suas vidas, trabalhando como uber, entregador, como empreendedores... porque não conseguiram se recolocar no mercado de trabalho em suas áreas técnicas. Hoje o país não conta com condições para atender a esse fenômeno", afirma.

Ainda de acordo com o o venezuelano, apesar do otimismo da extração de Nicolás Maduro, no início do ano, o país não dá sinais de recuperação econômica. "Até por conta das dimenções da crise. É muito difícil colocar o país para crescer nos trilhos de uma recuperação rápida", avalia.

Relatos da Venezuela

William Clavijo não tem familiares entre as vítimas do terremoto, pois a cidade onde cresceu e tem parentes, San Cristobal, não foi afetada pelos tremores. No entanto, vários amigos venezuelanos ainda estão sem informações de entes queridos, que vivem em áreas afetadas como La Guaira, San Felipe, Valencia e Caracas, que foram profundamente afetadas pelos tremores.

Os relatos de conhecidos que estão nas áreas mais afetadas "são impactantes", diz Clavijo. São relatos de grande destruição, dificuldade de acesso à internet e sinal de telefone enfraquecido."Além dos cortes de comunicação, muitas pessoas perderam tudo, incluindo seus telefones", lamenta.

Durante os tremores, o parente de um desconhecido teve que pular a janela do segundo andar de um prédio para se salvar, já que o edifício estava desabando. Clavijo conta também que o terremoto afetou as principais infraestruturas importantes para transporte e descolcamento de ambulâncias.

O Aeroporto de Carcas, o principal do país, foi duramente atingido e não está funcionando. "Apenas o aeroporto de Valencia está funcionando, mas fica duas horas de Caracas", explicou o venezuelano, pedindo ao governo do Brasil que envie recursos técnicos para ajudar nas missões de resgate e evitar mais perdas humanas.

"Venezuela não conta com capacidade para dar resposta à essa calamidade por ela mesma", lamentou.

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