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Trabalho forçado em Mianmar: segundo brasileiro seria vítima de tráfico humano

Pai de Phelipe de Moura Ferreira, de 26 anos, fez apelo por ajuda do Itamaraty, ao vivo, no Primeiro Impacto

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Emanuelle Menezes
20/12/2024, 18:02 • Atualizado em 20/12/2024, 18:06
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Phelipe de Moura Ferreira | Reprodução/Redes sociais

Phelipe de Moura Ferreira | Reprodução/Redes sociais

O brasileiro Phelipe de Moura Ferreira, de 26 anos, desapareceu na Tailândia após aceitar uma oferta de trabalho para atuar em um call center no Camboja. A suspeita é de que, assim como Luckas Viana, ele tenha sido traficado para Mianmar.

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O pai do rapaz falou ao vivo com o Primeiro Impacto sobre o caso, nesta sexta-feira (20). Segundo Antônio Carlos Ferreira, o jovem morava no Uruguai quando recebeu a proposta para trabalhar no Camboja, com um salário de US$ 2 mil. (Veja a entrevista abaixo).

Ele estava hospedado em um hotel antes de ser levado por um carro ao suposto local de trabalho. Phelipe enviou sua última localização, indicando que estava em uma área rural perto da fronteira com Mianmar, e desapareceu. O país é um dos principais destinos das vítimas de tráfico humano, de acordo com autoridades internacionais.

Dias depois, ele conseguiu entrar em contato com a família e afirmou que estava sendo usado em trabalho forçado. Nas mensagens, ele contou ao pai que é torturado e ameaçado de morte.

"Eles estão em sofrimento total. Levam pauladas, são castigados, maltratados. Eu estou aqui, impotente. Se eu pudesse, iria para lá agora e resgatava ele", disse Antônio Carlos.

Ainda segundo o pai, o jovem relatou o medo de ter os órgãos roubados. "A última mensagem dele me deixou preocupado. Ele mandou assim: 'pai, eu acho que vai acontecer algo comigo, eles vão fazer algo. Não responda à mensagem'".

História se repete

A história de Phelipe é a repetição do que aconteceu com Luckas Viana, de 31 anos. Desde o início de outubro, a família afirma que ele está refém de cibercriminosos e agenciadores de mão de obra escrava, em um centro de golpes virtuais, na divisa de Mianmar com a Tailândia. Os dois são vítimas da mesma empresa, o KK Park.

Luckas Viana | Reprodução/Redes sociais
Luckas Viana | Reprodução/Redes sociais

Luckas fez os últimos contatos regulares com a família, que mora em São Paulo, no dia 7 de outubro. Dias antes, avisou a amigos e familiares que havia conseguido um serviço de telemarketing, para uma empresa de tecnologia voltada a relacionamentos pela internet. O emprego era na província de Tak, cidade de Mae Sot – bem na divisa da Tailândia com Mianmar.

No caminho, ele fez os primeiros pedidos de ajuda, segundo os relatos e prints de mensagens fornecidos pela família. De acordo com um amigo, Luckas faz contatos esporádicos, por meio de um perfil falso de Telegram. Ele pede ajuda, fala em violência e medo de morrer.

Luckas pede ajuda por meio de mensagens | Reprodução
Luckas pede ajuda por meio de mensagens | Reprodução

E ele não é o primeiro. Seis brasileiros foram resgatados em novembro de 2022, em Mianmar, pelo governo brasileiro, depois de um alerta das autoridades dos Estados Unidos, e trazidos de volta.

Um dos resgatados contou no processo que o KK Park é "uma cidade artificial", "base das operações para golpistas e mafiosos chineses, voltadas para golpes cibernéticos, golpes de estelionato (scammers) e comércio do mercado negro, como órgão humano e tráfico de pessoas".

O que diz o Itamaraty

Segundo o Itamaraty, as embaixadas do Brasil em Bangkok, na Tailândia, e em Yangon, Mianmar, acompanham com atenção o caso e estão em contato com as autoridades competentes.

Ao longo das últimas semanas, diz a pasta, foram realizadas "diversas ações para localizar e resgatar esses nacionais".

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