Lula repete termo criticado por Motta e diz que Congresso sequestrou Orçamento com emendas
Presidente lembrou do chamado orçamento secreto e afirmou que "a política apodreceu" nos últimos anos: "Deputado não é profissão"

Felipe Moraes
O presidente Lula (PT) disse neste sábado (7), em evento de aniversário de 46 anos do PT, que o Congresso Nacional sequestra o Orçamento público por meio de emendas parlamentares. "O orçamento secreto foi um sequestro do Orçamento do Executivo para que os deputados e senadores tivessem liberação de utilizar mesmo dinheiro que sobra pro governo. Esse ano é quase R$ 60 bilhões. Se vocês acham isso normal, tudo bem. Pra mim, não é normal", criticou, em discurso para aliados e apoiadores em Salvador.
"Eu acho grave é que o PT votou favorável", continuou o presidente. "Ninguém reclama, Edinho [Silva, presidente do PT]. Eu sei que tem companheiro que fica chateado de eu estar falando isso aqui. Vocês têm obrigação moral de não deixar esse partido ser um partido que vai pra vala comum da política desse país", acrescentou Lula.
O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou a caracterização das emendas como um "sequestro" do Orçamento no fim de janeiro, em reação a uma declaração da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.
A ministra afirmara que "parte das despesas do Orçamento foi confiscada, sequestrada por um Congresso cada vez mais dependente do Orçamento, com um objetivo, muitas vezes eleitoral". Motta classificou fala de Tebet como "equivocada" e pediu "cuidado com palavras que deslegitimam o papel do Parlamento". "Nenhuma instituição que integra o regime democrático ‘sequestra’ o orçamento", defendeu.
No discurso deste sábado, na Bahia, Lula disse que "a política apodreceu" e anda "muito mercantilizada" nos últimos anos. "Vocês, candidatos, sabem como tá o mercado eleitoral? Quanto custa um cabo eleitoral, quanto custa um vereador? O preço de cada candidatura neste país? O que é uma vergonha", lamentou.
"Tenho saudade do tempo que fazia comício, vendia camiseta, macacão, bola, pra ganhar dinheiro pra encher o tanque e fazer outro comício. Agora, é rolando dinheiro pra tudo quanto é lado. A direita não quer que a gente seja pior que eles. Eles só que a gente seja igual a eles", criticou.
Em outro recado ao Congresso, disse que deputado "não pode confundir um mandato dele com emprego, com profissão". "Deputado não é profissão."









