Mundo

Rússia transformou o Brasil em 'fábrica de espiões', relata New York Times

Investigação aponta que agentes russos obtinham identidades brasileiras e passavam anos no país antes de atuar nos EUA, Europa e Oriente Médio

S
SBT News
21/05/2025, 17:03 • Atualizado em 24/05/2025, 04:33
compartilhar

A Rússia utilizou o Brasil como uma espécie de "fábrica de espiões", que depois eram enviados para os Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. A revelação foi feita por uma investigação do jornal americano The New York Times, divulgada nesta quarta-feira (21). Ao contrário de outras operações de espionagem russa, o alvo principal não era o Brasil, mas sim o uso do país como ponto de partida para agentes de inteligência russos, conhecidos como "ilegais".

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

De acordo com a reportagem, o plano era que esses espiões "se tornassem brasileiros". Após construírem histórias de vida convincentes, eram enviados para outras regiões, onde de fato começavam suas missões.

Na prática, segundo a reportagem, o Brasil virou uma "linha de produção de agentes de infiltração profunda". Alguns dos infiltrados chegaram a abrir negócios no país: um fundou uma joalheria, outro atuava como modelo e um terceiro conseguiu ingressar em uma universidade americana. Também foram identificados uma pesquisadora que trabalhou na Noruega e um casal que se mudou para Portugal.

A trama começou a ser desvendada pela Polícia Federal em abril de 2022, poucos meses após a invasão da Ucrânia pela Rússia. A investigação, batizada de Operação Leste, teve como ponto de partida um alerta da CIA sobre um agente russo tentando estagiar na Corte Penal Internacional, na Holanda, utilizando um passaporte brasileiro com o nome de Victor Muller Ferreira. Ele havia feito mestrado na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. No entanto, segundo autoridades americanas, seu verdadeiro nome é Sergey Cherkasov.

“Não havia ligação nenhuma entre ele e a grande Mãe Rússia”, afirmou, sob anonimato, um investigador da Polícia Federal ao jornal americano.

A fraude começou a ruir quando a certidão de nascimento foi analisada. Ao contrário de outras estratégias, em que espiões assumem identidades de pessoas falecidas, Victor Muller Ferreira nunca existiu. Ainda assim, sua certidão era autêntica, indicando nascimento no Rio de Janeiro, em 1989, como filho de uma mulher brasileira que morreu em 1993. A família dela, contudo, afirmou que ela nunca teve filhos, e o suposto pai nunca foi localizado.

A partir daí, a Polícia Federal iniciou uma busca por “fantasmas”, pessoas com documentação legítima, mas sem qualquer histórico de vida até a idade adulta. A PF cruzou milhões de dados, como registros de nascimento, CPFs, RGs e passaportes, e conseguiu identificar a operação russa.

Pelo menos nove agentes russos foram identificados, entre eles Yekaterina Leonidovna Danilova, Vladimir Aleksandrovich Danilov, Olga Igorevna Tyutereva, Aleksandr Andreyevich Utekhin, Irina Alekseyevna Antonova e Roman Olegovich Koval.

Segundo as autoridades, a investigação brasileira contou com a colaboração de pelo menos oito países, incluindo Estados Unidos, Israel, Holanda e Uruguai.

Por que o Brasil?

O New York Times aponta que o Brasil é um país ideal para esse tipo de operação. O passaporte brasileiro é amplamente aceito no mundo, e a diversidade da população faz com que pessoas com traços europeus passem despercebidas. Além disso, em áreas rurais, é possível registrar certidões de nascimento com o simples testemunho de dois indivíduos, sem necessidade de comprovação hospitalar.

Outro fator citado foi a postura historicamente neutra do Brasil nas relações internacionais, além do bom relacionamento com Moscou, o que também teria motivado a escolha do país.

Após a descoberta da rede, a Polícia Federal acionou a Interpol e emitiu alertas azuis com fotos, impressões digitais e identidades falsas dos espiões russos. O objetivo era impedir que esses agentes conseguissem atuar em novos países, já que suas identidades passaram a constar em bases de dados internacionais de segurança.

Atualmente, apenas Sergey Cherkasov segue preso. Ele foi condenado por falsificação, com pena inicialmente fixada em 15 anos, depois reduzida para cinco.

A Rússia afirmou que Cherkasov era um traficante de drogas e solicitou sua extradição, mas o Brasil negou o pedido, alegando que, caso a acusação fosse verdadeira, ele deveria permanecer detido para investigação. Cherkasov continua preso em Brasília.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: PGR pede que Moraes envie 'Abin Paralela' a 1ª instância

PGR pede que Moraes envie 'Abin Paralela' a 1ª instância

Imagem da notícia: Ancelotti fala sobre Endrick: 'Temos que esperar um pouco'

Ancelotti fala sobre Endrick: 'Temos que esperar um pouco'

Imagem da notícia: EUA veem condenação de Eduardo como 'perseguição' política

EUA veem condenação de Eduardo como 'perseguição' política

Imagem da notícia: Marçal cobra R$ 500 para ver jogo do Brasil com ele em SP

Marçal cobra R$ 500 para ver jogo do Brasil com ele em SP

Imagem da notícia: PGR pede que Moraes envie 'Abin Paralela' a 1ª instância

PGR pede que Moraes envie 'Abin Paralela' a 1ª instância

Imagem da notícia: Ancelotti fala sobre Endrick: 'Temos que esperar um pouco'

Ancelotti fala sobre Endrick: 'Temos que esperar um pouco'

Imagem da notícia: EUA veem condenação de Eduardo como 'perseguição' política

EUA veem condenação de Eduardo como 'perseguição' política

Imagem da notícia: Marçal cobra R$ 500 para ver jogo do Brasil com ele em SP

Marçal cobra R$ 500 para ver jogo do Brasil com ele em SP

Últimas notícias

Polícia do DF pede depoimento de Bolsonaro sobre arma

Requerimento enviado ao ministro Alexandre de Moraes sugere oitiva para a próxima quarta (24), por videoconferência

Zanatta diz estar à disposição para ser vice de Flávio

Ao SBT News, deputada do PL de Santa Catarina afirma que recebeu com entusiasmo a citação de seu nome por Eduardo Bolsonaro

PGR é contra suspender Lei da Dosimetria até análise no STF

Paulo Gonet diz que não há justificativa para interromper a validade da norma enquanto o caso não é julgado em definitivo

Governo veta PL do primeiro emprego para jovens

Segundo o governo, projeto promoveria redução de direitos se fosse sancionado; proposta oferecia condições tributárias mais vantajosas a quem contratasse jovens

Bolsa cai 0,1% e dólar fecha acima de R$ 5,17

Já as bolsas de Nova York encerraram a sessão em alta nesta quinta-feira, impulsionadas pela recuperação das ações de tecnologia

'Lula e Wagner têm relação de confiança', diz líder do PT

Líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, afirma que senador tem direito à defesa, mantém confiança de Lula e pressiona por abertura de CPMI do Master