EUA pedem extradição de espião russo preso no Brasil
Sergey Vladimirovich Cherkasov se apresentava como Victor Muller Ferreira e estudou nos EUA como estudante brasileiro

Giovanna Colossi
Os Estados Unidos pediram na última 3ª feira (25.abr) a extradição de Sergey Vladimirovich Cherkasov, espião russo preso no em abril do ano passado pela Polícia Federal após tentar entrar na Holanda com identidade brasileira falsa.
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Cherkasov, que agia sob o pseudônimo de Victor Muller Ferreira, começaria um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia, quando foi descoberto. Investigações posteriores revelaram para a PF que o agente atuava desde 2011 como espião do serviço de inteligência da Rússia, fingindo ser um estudante carioca, de Niterói, no Rio.
Durante esse período, Cherkasov se candidatou em uma universidade americana e ficou de 2017 a 2020 no país. De acordo com a denúncia do Departamento de Justiça dos EUA, após entrar no país, Cherkasov fez conexões com pessoas de interesse e manteve comunicações com outros membros do serviço de inteligência da Rússia. Ele também obteve uma carteira de motorista e diploma de pós-graduação usando a identidade fraudulenta. Ao retornar para o Brasil, em maio de 2020, Cherkasov continuou suas atividades de espião até ser pego em flagrante na Holanda e preso no Brasil.
Ele foi condenado a 15 anos de prisão pela Justiça Federal de São Paulo pelo uso de documento falso e está preso em um presídio de Brasília.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou, em nota enviado ao SBT News, o pedido de extradição e informou que "será prontamente encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP)", responsável pela cooperação jurídica internacional. Em seguida, o caso será entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por julgar processos de extradição.
Caso seja aceito, Cherkasov pode enfrentar acusações de fraude eletrônica, fraude bancária, fraude de visto, fraude em primeiro grau, espionagem e roubo de Identidade agravado pelo Departamento de Justiça norte-americano.
Rússia
Durante as investigações da Polícia Federal, o governo brasileiro solicitou à Rússia que confirmasse a identidade de Cherkasov. Em 11 de maio de 2022, o Encarregado de Negócios do Consulado da Federação Russa em São Paulo respondeu aos questionamentos
do Brasil e confirmou que Victor Muller Ferreira, na verdade, se tratava de Sergey Vladimirovich Cherkasov, de 36 anos. Em setembro daquele mesmo ano, a Federação Russa entrou com um processo de extradição no Supremo Tribunal Federal. O pedido afirma que Cherkasov estaria envolvido com tráfico de narcóticos em 2011 e 2013, na Rússia.
O FBI refuta a versão e afirma não haver evidências de que o Cherkasov teria se envolvido em qualquer crime enquanto estava em território russo.