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Reforma trabalhista de Milei avança na Argentina sob protestos e greve geral; entenda ponto a ponto

Texto altera jornada, férias, indenizações e regras sindicais; governo fala em estímulo à economia, oposição denuncia retirada de direitos

Imagem da noticia Reforma trabalhista de Milei avança na Argentina sob protestos e greve geral; entenda ponto a ponto
O presidente argentino Javier Milei em cerimônia do Dia da Bandeira Nacional em Buenos Aires, Argentina | Foto: reprodução/Reuters

A polêmica reforma trabalhista do governo de Javier Milei é votada nesta quinta-feira (19) pela Câmara dos Deputados da Argentina. Aprovado pelo Senado na semana passada, o texto altera pontos centrais das relações de trabalho no país. O governo afirma que as mudanças vão reduzir custos para as empresas, estimular contratações e impulsionar o crescimento econômico, enquanto oposição e centrais sindicais apontam risco de perda de direitos e precarização das condições de trabalho.

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Durante a votação, centenas de manifestantes se concentraram em frente ao Congresso da Argentina, em Buenos Aires, em protesto contra a proposta. Houve confrontos com a polícia, sob forte esquema de segurança. Treze sindicatos aderiram à greve geral, considerada a de maior alcance até agora, afetando setores como transporte, bancos, administração pública, hospitais, comércio e transporte aéreo.

Manifestantes na Praça do Congresso em ato contra reforma trabalhista na Argentina | Reprodução/X @nestorpitrola
Manifestantes na Praça do Congresso em ato contra reforma trabalhista na Argentina | Reprodução/X @nestorpitrola

Segundo Ulisses Ruiz, professor de economia do Insper, os efeitos não devem ser imediatos.

“Os impactos de uma reforma estrutural como essa não são de curto prazo, mas de médio e longo prazo. A tendência é que a flexibilização reduza encargos e custos para as empresas, o que pode estimular a contratação, a geração de renda e até ajudar no controle da inflação, caso a redução de custos seja repassada aos preços”, avalia.

O SBT News separou os principais pontos da reforma:

Jornada de trabalho

  • Jornada diária poderá chegar a até 12 horas, com compensação em outros dias.
  • O limite semanal permanece em 48 horas.
  • Ampliação do banco de horas e redução da obrigatoriedade de pagamento de horas extras em casos de compensação.

Férias

  • Poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias.
  • Poderão ser negociadas fora do período tradicional (entre outubro e abril).
  • Período de experiência
  • Ampliação para até seis meses, podendo chegar a oito ou 12 meses em alguns casos.
  • Indenizações reduzidas durante esse período.

Demissões e indenizações

  • Mudança no cálculo das indenizações.
  • Possibilidade de pagamento parcelado das verbas rescisórias: até seis vezes para grandes empresas e até 12 para pequenas e médias.
  • Criação do FAL (Fundo de Assistência Trabalhista), financiado por contribuições empresariais de até 2,5% da massa salarial, recursos que antes iam para a seguridade social. O fundo será gerido por empresas privadas, com estimativa de injeção de até US$ 4 bilhões no mercado de capitais.

Licenças médicas e acidentes

  • Possibilidade de redução salarial de até 50% durante afastamento por doença, sem bonificações.
  • Limites no pagamento de indenizações em casos de lesões fora do ambiente de trabalho pelo sistema ART.

Greves e sindicatos

  • Serviços essenciais, como saúde, transporte e segurança, deverão manter funcionamento mínimo entre 50% e 75% durante greves.
  • Mudanças nas contribuições sindicais.
  • Permissão para acordos diretos entre empresas e sindicatos locais, reduzindo o peso de convenções nacionais.

Mercado digital e informalidade

  • Trabalhadores de plataformas passam a ser reconhecidos como independentes, com regras específicas.
  • Teletrabalho deixa de ter obrigações adicionais criadas durante a pandemia.
  • Eliminação de multas por falta de registro trabalhista e criação de mecanismos de regularização.
  • Proibição da contratação de “monotributistas” em funções que caracterizem vínculo formal.
  • A reforma não se aplica aos servidores públicos nacionais, estaduais ou municipais, exceto nas regras sobre greve em serviços essenciais.

Para Ruiz, a lógica do projeto é dar maior previsibilidade às empresas. “Facilitar a contratação e a demissão reduz incertezas. Nenhum empregador quer demitir, mas precisa ter segurança jurídica para contratar”, afirma.

A votação, prevista para a madrugada desta sexta-feira (20) na Câmara dos Deputados, deve definir o alcance final da reforma e pode consolidar uma mudança estrutural no modelo trabalhista argentino.

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