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RD do Congo eleva número de mortos por ebola para 304

Com mais de 1,1 mil casos confirmado, 95% dos leitos hospitalares do país estão ocupados

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Camila Stucaluc
26/06/2026, 08:54 • Atualizado em 26/06/2026, 08:54
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Novo surto de ebola no Congo ocorre em decorrência da variante Bundibugyo | Reuters

Novo surto de ebola no Congo ocorre em decorrência da variante Bundibugyo | Reuters

Subiu para 304 o número de mortes por ebola na República Democrática do Congo. A atualização foi feita na noite de quinta-feira (25) pelo governo local, que também confirmou 1.155 casos da doença.

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O novo surto de ebola no Congo ocorre em decorrência da variante Bundibugyo, cepa rara da doença para a qual ainda não há vacina aprovada. Segundo as autoridades, as infecções foram detectados majoritariamente nas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri, localizadas no nordeste congolês.

“A presença de grupos armados continua limitando o acesso humanitário em múltiplas zonas de saúde afetadas ou em risco”, disse o governo. No último domingo (7), por exemplo, uma equipe funerária foi atacada enquanto caminhava para o cemitério de Nyamurongo, em Bunia, deixando dois feridos.

O cenário é tratado como emergência de saúde pública de importância internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade alerta, contudo, que a desconfiança da população aliada à violência armada, que aumenta os deslocamentos, atrapalham as ações emergenciais, deixando o país mais vulnerável para a doença.

Na quinta-feira (25), Jean Kaseya, diretor-geral do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, alertou que, embora o surto ainda não tenha atingido o pico, 95% dos leitos hospitalares do país estão ocupados.

Além da República Democrática do Congo, 20 infecções e duas mortes por ebola foram registradas em Uganda. O surto, contudo, permanece epidemiologicamente ligado à transmissão originada no país vizinho, com evidências tanto de infecções importadas quanto de transmissão secundária entre contatos e profissionais de saúde.

Nesta semana, a França também confirmou um caso de ebola no país. Trata-se de um médico que retornou recentemente de uma missão humanitária na República Democrática do Congo. As autoridades informaram que ele foi isolado e está sendo tratado em uma unidade especializada. O quadro de saúde é estável.

A OMS avalia que o risco de propagação do surto de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda é alto nos níveis nacional e regional devido à transmissão contínua, mas baixo em escala global. Segundo a entidade, um grupo estratégico foi mobilizado para avaliar vacinas e tratamentos para a cepa Bundibugyo.

O que é ebola?

Descoberto em 1976, o agente do ebola é um vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus. Acredita-se que o vírus foi transmitido para seres humanos a partir de contato com sangue, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados, como chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinho.

Até o momento, foram descritas cinco subespécies de vírus Ebola, sendo que quatro delas afetam humanos e uma delas, apenas primatas não humanos: vírus Ebola (Zaire Ebolavirus); vírus Sudão (Sudão Ebolavirus); vírus Taï Forest (Tai Forest Ebolavirus), vírus Bundibugyo (Bundibugyo Ebolavirus) e vírus Reston (Reston Ebolavirus) — este último afetando somente animais.

A transmissão acontece por meio do contato com sangue, tecidos ou fluidos corporais de animais e indivíduos infectados (incluindo cadáveres), ou a partir do contato com superfícies e objetos contaminados.

Em relação aos sintomas, são observados febre, fraqueza, diarreia, vômitos, dor abdominal, inapetência, odinofagia e manifestações hemorrágicas. O período de incubação da doença pode variar de 2 a 21 dias, com média de 5 a 10 dias para a maior parte dos casos. Segundo a OMS, o ebola é uma doença grave, com taxa de letalidade que pode chegar até os 90%.

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