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Quênia: líder de seita é condenado por morte de 190 crianças

Grupo encabeçado por Paul Nthenge Mackenzie obrigava que seguidores parassem de se alimentar para morrer antes do fim do mundo

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André de Sena, com informações da Reuters
Paul Nthenge Mackenzie, líder da seita  "Igreja Internacional das Boas Novas", condenado pelo assassinato de 190 crianças e um adulto | Reprodução/Reuters

Paul Nthenge Mackenzie, líder da seita "Igreja Internacional das Boas Novas", condenado pelo assassinato de 190 crianças e um adulto | Reprodução/Reuters

A Justiça do Quênia condenou nesta segunda-feira (19) o líder de seita Paul Nthenge Mackenzie e outros 28 réus, incluindo sua esposa, pelas mortes de 190 crianças e um adulto. O grupo liderado por ele incentivava os seguidores a passar fome para se preparar para o fim do mundo.

Mackenzie estava preso desde abril de 2023, quando surgiram as primeiras denúncias referentes ao episódio que ficou conhecido como "Massacre de Shakahola".

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Menos de uma semana depois, mais de 400 corpos em decomposição foram encontrados pelas autoridades quenianas na Floresta de Shakahola, onde a seita "Igreja Internacional das Boas Novas", fundada em 2003, mantinha suas atividades. Foi possível identificar somente 26 deles.

A condenação dessa segunda-feira é referente a 191 das vítimas. As investigações sobre o restante das mortes ainda estão em andamento.

De acordo com os promotores, Mackenzie organizou uma seita cristã apocalíptica que obrigava seus seguidores a jejuar e morrer de fome, juntamente com seus filhos, com a justificativa de que eles iriam para o céu antes do fim do mundo.

Equipe de resgate retira corpo de vítima do Massacre de Shakahola de dentro de uma cova rasa | Reprodução/Reuters
Equipe de resgate retira corpo de vítima do Massacre de Shakahola de dentro de uma cova rasa | Reprodução/Reuters

Mackenzie negou as acusações de assassinato, alegando que não obrigou as vítimas a morrerem de fome, mas o tribunal rejeitou esse argumento.

"Rejeito a alegação da defesa de que as vítimas, todas menores de 16 anos, teriam se suicidado em jejum. Portanto, considero todos os 29 réus culpados das acusações e os condeno individual e coletivamente, nos termos do Artigo 322 do Código de Processo Penal", disse a juíza Diana Kavedza-Mochache ao proferir a condenação.

A sentença de Mackenzie e dos 28 corréus será comunicada em 6 de novembro.

Mackenzie também enfrenta outras acusações relacionadas às mortes na floresta. Segundo os promotores, enquanto o líder da seita estava detido, ordenou o asassinato de 52 pessoas na aldeia de Kwa Binzaro, que fica a cerca de 30 quilômetros de Shakahola. Ele se declara inocente neste caso.

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