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Prêmio literário desclassifica autor acusado de usar IA

Goncourt é uma tradicional honraria concedida na França; escritor Thelyson Orelien nega que tenha utilizado inteligência artificial

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André de Sena, com informações da Reuters
Livro “C'était ça ou mourir”, de Thelyson Orelien, em exposição em Paris | Sarah Meyssonnier/Reuters

Livro “C'était ça ou mourir”, de Thelyson Orelien, em exposição em Paris | Sarah Meyssonnier/Reuters

Os organizadores do prêmio literário mais tradicional da França anunciaram nesta sexta-feira (25) que retiraram da lista de indicados o romance “C’était Ça ou Mourir” (“Era Isso ou Morrer”), escrito pelo autor haitiano-canadense Thelyson Orelien, após ele ser acusado de utilizar inteligência artificial para escrever a obra.

Com essa medida, o livro não tem mais possibilidade de conquistar o Prêmio Goncourt de 2026. As acusações foram feitas nesta semana por uma conta da rede social X chamada “Balance ton Claude”. De acordo com a postagem, a ferramenta de detecção de IA Pangram mostrou que a obra “foi escrita quase inteiramente por inteligência artificial”. Especialistas alertam que a confiabilidade desse tipo de ferramenta é questionável.

Posteriormente, o ensaísta Samuel Fitoussi assumiu a autoria do perfil “Balance ton Claude”, afirmando que o gerencia junto com outras pessoas não identificadas.

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Às acusações de Fitoussi, seguiram-se reportagens denunciando plágios que Orelien teria cometido em obras anteriores. Segundo o jornal La Presse, um conto publicado por ele em 2012 teria plagiado trechos de um livro do autor francês Louis Pauwels. Além disso, um artigo de opinião elaborado pelo escritor haitiano-canadense em 2012 teria sido copiado do jornal The Philippine Star. As alegações geraram um debate sobre raça, mérito e originalidade que agita o meio literário francês.

Orelien negou ter usado IA para escrever “C’était Ça ou Mourir”, mas ainda não se manifestou sobre o restante das acusações.

A Academia Goncourt, sediada em Paris, justificou a desclassificação da obra dizendo que se opõe totalmente à “criação de textos gerados com o auxílio da IA”, acrescentando que não fará mais comentários até o dia 6 de outubro, quando vai anunciar a lista de finalistas.

As editoras francesa e canadense responsáveis por publicar o livro de Orelien ofereceram apoio ao autor.

“C’était Ça ou Mourir” é o romance de estreia do escritor nascido no Haiti. O livro conta a história de um imigrante haitiano que viaja pela América Latina para chegar ao Canadá. Publicada em 2025, a obra já ganhou os prêmios literários "Palmarès Livres Hebdo des libraires" e "Prix Première Plume". Além disso, foi traduzida para mais de 20 idiomas.

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