Polícia de Portugal desmonta acampamentos por moradia
Ocupações em Lisboa e no Porto foram inspiradas em ação realizada por manifestantes espanhóis em Madri
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André de Sena, com informações da Reuters
Acampamento de protesto na Praça do Rossio, em Lisboa | Pedro Nunes/Reuters
A polícia de Portugal desmontou nesta terça-feira (20) os dois acampamentos em que manifestantes se reuniam para pedir moradia acessível e proteção contra despejos em Lisboa e no Porto, as duas maiores cidades do país.
O acampamento de Lisboa ocupava a Praça do Rossio com cerca de 200 barracas desde sábado (17). A ação policial ocorreu pouco antes das seis horas da manhã. Os agentes prenderam 55 manifestantes que se recusaram a deixar a área voluntariamente. Duas pessoas precisaram receber atendimento médico.
A porta-voz do acampamento, Carla Valadão, descreveu a operação policial como "muito agressiva" e prometeu retomar o protesto às 19h do horário local.
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O superintendente da Polícia de Segurança Pública, Sérgio Soares, apresentou uma visão diferente. Segundo ele, a desocupação havia sido “tranquila, proporcional e adequada, sem nenhuma investida policial”.
O outro acampamento estava montado na Praça Dom João I, no Porto, há cerca de dez dias. Na segunda maior cidade de Portugal, os manifestantes decidiram desmontar as próprias barracas após serem alertados pela polícia de que a ocupação era considerada ilegal pelas autoridades.
O prefeito do Porto, Pedro Duarte, disse que vai ouvir as preocupações dos manifestantes.
Crise habitacional
Portugal enfrenta uma das piores crises de acesso a moradia da Europa. Os preços para comprar um imóvel mais que dobraram desde 2017 e o valor dos aluguéis para novos contratos quase duplicaram.
A situação é mais crítica nas grandes cidades, onde habitantes locais demonstram irritação com o turismo excessivo e a chegada de "nômades digitais", profissionais que utilizam a internet para trabalhar de forma completamente remota, sem possuírem uma residência fixa.
Os manifestantes que tomaram as praças em Lisboa e no Porto exigiam que o governo de centro-direita retirasse um projeto de lei que facilita os despejos e acaba com os limites máximos de aluguel para novos contratos. Uma primeira versão do texto foi aprovada no Parlamento de Portugal, que ainda vai discutir seus detalhes.
Ocupação na Espanha
Os atos em Portugal foram inspirados por um protesto semelhante que ocorre na Espanha. Desde 26 de setembro, centenas de manifestantes estão acampados na praça Puerta del Sol, no centro de Madri.
O movimento começou após uma idosa de 87 anos chamada Maricarmen Abascal ser despejada do imóvel onde morava de aluguel desde 1956.Ela morreu poucos dias depois no hospital. Esse caso se tornou símbolo da crise de segurança habitacional na Espanha.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de centro-esquerda, apresentou um projeto para enfrentar a crise, mas o texto foi rejeitado pelo parlamento. Isso levou o premiê a convocar eleições antecipadas para o dia 29 de novembro, na tentativa de conquistar mais apoio dos parlamentares.
Os manifestantes de Madri continuam acampados, apesar da pressão das autoridades regionais para encerrar a ocupação.
Polícia de Portugal desmonta acampamentos por moradiaOcupações em Lisboa e no Porto foram inspiradas em ação realizada por manifestantes espanhóis em MadriMundo2026-10-20T16:22:39.394ZA polícia de Portugal desmontou nesta terça-feira (20) os dois acampamentos em que manifestantes se reuniam para pedir moradia acessível e proteção contra despejos em Lisboa e no Porto, as duas maiores cidades do país. O acampamento de Lisboa ocupava a Praça do Rossio com cerca de 200 barracas desde sábado (17). A ação policial ocorreu pouco antes das seis horas da manhã. Os agentes prenderam 55 manifestantes que se recusaram a deixar a área voluntariamente. Duas pessoas precisaram receber atendimento médico. A porta-voz do acampamento, Carla Valadão, descreveu a operação policial como "muito agressiva" e prometeu retomar o protesto às 19h do horário local. O superintendente da Polícia de Segurança Pública, Sérgio Soares, apresentou uma visão diferente. Segundo ele, a desocupação havia sido “tranquila, proporcional e adequada, sem nenhuma investida policial”. O outro acampamento estava montado na Praça Dom João I, no Porto, há cerca de dez dias. Na segunda maior cidade de Portugal, os manifestantes decidiram desmontar as próprias barracas após serem alertados pela polícia de que a ocupação era considerada ilegal pelas autoridades. O prefeito do Porto, Pedro Duarte, disse que vai ouvir as preocupações dos manifestantes. Crise habitacional Portugal enfrenta uma das piores crises de acesso a moradia da Europa. Os preços para comprar um imóvel mais que dobraram desde 2017 e o valor dos aluguéis para novos contratos quase duplicaram. A situação é mais crítica nas grandes cidades, onde habitantes locais demonstram irritação com o turismo excessivo e a chegada de "nômades digitais", profissionais que utilizam a internet para trabalhar de forma completamente remota, sem possuírem uma residência fixa. Os manifestantes que tomaram as praças em Lisboa e no Porto exigiam que o governo de centro-direita retirasse um projeto de lei que facilita os despejos e acaba com os limites máximos de aluguel para novos contratos. Uma primeira versão do texto foi aprovada no Parlamento de Portugal, que ainda vai discutir seus detalhes. Ocupação na Espanha Os atos em Portugal foram inspirados por um protesto semelhante que ocorre na Espanha. Desde 26 de setembro, centenas de manifestantes estão acampados na praça Puerta del Sol, no centro de Madri. O movimento começou após uma idosa de 87 anos chamada Maricarmen Abascal ser despejada do imóvel onde morava de aluguel desde 1956. Esse caso se tornou símbolo da crise de segurança habitacional na Espanha. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de centro-esquerda, apresentou um projeto para enfrentar a crise, Isso levou o premiê a convocar eleições antecipadas para o dia 29 de novembro, na tentativa de conquistar mais apoio dos parlamentares. Os manifestantes de Madri continuam acampados, apesar da pressão das autoridades regionais para encerrar a ocupação.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/policia-de-portugal-desmonta-acampamentos-por-moradia
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