Refinarias cogitam ação contra subsídio ao diesel importado
Setor busca diálogo com governo antes de recorrer à Justiça e diz que benefício exclusivo a importadores prejudica a produção nacional
Caio Barcellos
Diesel
As refinarias privadas brasileiras buscam dialogar com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de recorrer à Justiça contra as medidas de subsídio aos combustíveis importado.
A reclamação do setor é de que o adicional de R$ 1,40 por litro concedido exclusivamente aos produtos de fora cria uma concorrência desigual com a produção nacional e pode provocar a redução da atividade das refinarias instaladas no país.
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Em entrevista ao SBT News, o presidente da Associação Brasileira dos Refinadores Privados (Refina Brasil), Evaristo Pinheiro, afirmou que as empresas pretendem solicitar ao governo a extensão dos benefícios aos produtores nacionais, a revisão das medidas ou, ao menos, a garantia de que não sejam prorrogadas.
Por enquanto, a entidade busca abrir canais de interlocução com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
A Refina Brasil representa a Acelen, Dax Oil, Ream, SSOil Energy, Brava e Brasil Refino, responsáveis, segundo a associação, por aproximadamente 20% da capacidade nacional de refino. A entidade afirma que as medidas foram adotadas sem consulta prévia às companhias.
O subsídio adicional entrou em vigor na terça-feira (13) e terá duração inicial de 30 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30. Com a nova parcela, o benefício total ao diesel importado passou de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro.
A medida integra um pacote maior anunciado pelo governo para reduzir a pressão dos preços dos combustíveis sobre consumidores e empresas diante da disparada do petróleo em meio ao acirramento das tensões no Oriente Médio.
Setor teme redução nacional
Segundo Pinheiro, o adicional pode permitir que o diesel importado chegue ao mercado com uma vantagem de aproximadamente R$ 0,30 por litro sobre o produto das refinarias privadas.
A entidade calcula que até 1,4 milhão de metros cúbicos de diesel produzido no Brasil poderiam perder espaço para o combustível estrangeiro, embora reconheça que esse volume representa um cenário potencial, e não uma redução já registrada
O presidente da associação afirmou que nenhuma refinaria havia reduzido sua produção até a entrevista ao SBT News, realizada na sexta-feira (16). As empresas, porém, acompanham diariamente as condições de mercado e podem ser obrigadas a diminuir a atividade ou direcionar parte da produção ao exterior. O impacto sobre empregos e arrecadação tributária ainda não foi estimado.
Pinheiro também questionou a necessidade de conceder o benefício exclusivamente às importações, uma vez que, segundo ele, o abastecimento nacional já estava garantido para o período de vigência da medida. Para o dirigente, o governo precisa justificar suas decisões considerando tanto a segurança do abastecimento quanto a preservação da livre concorrência.
O presidente do Instituto Brasileiro de Ambiente Regulatório e Liberdade (Barla), Chicão Bulhões, também criticou a decisão. Para ele, as medidas privilegiam respostas de curto prazo e desconsideram os efeitos sobre os investimentos na indústria de refino.
“Temos aqui mais uma vez nesse episódio a prova da falta de olhar para todo o setor na hora de responder a um desafio estratégico nacional e global. Quando mais precisamos de refinarias, o governo acaba penalizando as suas próprias refinarias”, afirmou Bulhões.
O dirigente também classificou as medidas como benefícios de caráter eleitoral, argumentando que os custos impostos a setores estratégicos e de investimentos de longo prazo seriam elevados diante dos efeitos limitados dos subsídios sobre o cotidiano da população.
Além do diesel, as empresas reclamam dos efeitos tributários da zeragem do PIS/Cofins sobre a gasolina.
Segundo Pinheiro, as refinarias privadas continuam pagando os tributos na compra do petróleo utilizado como matéria-prima, mas enfrentam dificuldades para aproveitar os créditos tributários gerados nessa operação porque as alíquotas incidentes sobre a venda da gasolina foram zeradas.
A associação estima que o problema provoque o acúmulo de R$ 455 milhões por mês em créditos de PIS/Cofins, o que pressiona os custos das refinarias e pode comprometer sua competitividade. O dirigente avalia que parte desse custo poderia acabar incorporada aos preços dos combustíveis.
Para Pinheiro, as distorções também estão relacionadas à política de preços da Petrobras, que mantém o diesel abaixo das cotações internacionais. Na avaliação dele, a diferença entre os preços domésticos e os praticados no exterior levou o governo a criar sucessivos mecanismos de compensação, sem resolver os problemas de concorrência enfrentados pelo setor.
Apesar das críticas, a Refina Brasil afirma que não defende necessariamente a suspensão dos subsídios adotados para enfrentar a alta dos combustíveis. A principal reivindicação é que os benefícios sejam estendidos à produção nacional, evitando que os importadores recebam vantagens adicionais em relação às empresas instaladas no Brasil.
Refinarias cogitam ação contra subsídio ao diesel importadoSetor busca diálogo com governo antes de recorrer à Justiça e diz que benefício exclusivo a importadores prejudica a produção nacionalEconomia2026-10-20T16:19:15.409ZAs refinarias privadas brasileiras buscam dialogar com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de recorrer à Justiça contra as medidas de subsídio aos combustíveis importado. A reclamação do setor é de que o adicional de R$ 1,40 por litro concedido exclusivamente aos produtos de fora cria uma concorrência desigual com a produção nacional e pode provocar a redução da atividade das refinarias instaladas no país. 🤳Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Em entrevista ao SBT News, o presidente da Associação Brasileira dos Refinadores Privados (Refina Brasil), Evaristo Pinheiro, afirmou que as empresas pretendem solicitar ao governo a extensão dos benefícios aos produtores nacionais, a revisão das medidas ou, ao menos, a garantia de que não sejam prorrogadas. + Por enquanto, a entidade busca abrir canais de interlocução com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A Refina Brasil representa a Acelen, Dax Oil, Ream, SSOil Energy, Brava e Brasil Refino, responsáveis, segundo a associação, por aproximadamente 20% da capacidade nacional de refino. A entidade afirma que as medidas foram adotadas sem consulta prévia às companhias. O subsídio adicional entrou em vigor na terça-feira (13) e terá duração inicial de 30 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30. Com a nova parcela, o benefício total ao diesel importado passou de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro. A medida integra um pacote maior anunciado pelo governo para reduzir a pressão dos preços dos combustíveis sobre consumidores e empresas diante da disparada do petróleo em meio ao acirramento das tensões no Oriente Médio. Setor teme redução nacional Segundo Pinheiro, o adicional pode permitir que o diesel importado chegue ao mercado com uma vantagem de aproximadamente R$ 0,30 por litro sobre o produto das refinarias privadas. A entidade calcula que até 1,4 milhão de metros cúbicos de diesel produzido no Brasil poderiam perder espaço para o combustível estrangeiro, embora reconheça que esse volume representa um cenário potencial, e não uma redução já registrada O presidente da associação afirmou que nenhuma refinaria havia reduzido sua produção até a entrevista ao SBT News, realizada na sexta-feira (16). As empresas, porém, acompanham diariamente as condições de mercado e podem ser obrigadas a diminuir a atividade ou direcionar parte da produção ao exterior. O impacto sobre empregos e arrecadação tributária ainda não foi estimado. Pinheiro também questionou a necessidade de conceder o benefício exclusivamente às importações, uma vez que, segundo ele, o abastecimento nacional já estava garantido para o período de vigência da medida. Para o dirigente, o governo precisa justificar suas decisões considerando tanto a segurança do abastecimento quanto a preservação da livre concorrência. O presidente do Instituto Brasileiro de Ambiente Regulatório e Liberdade (Barla), Chicão Bulhões, também criticou a decisão. Para ele, as medidas privilegiam respostas de curto prazo e desconsideram os efeitos sobre os investimentos na indústria de refino. “Temos aqui mais uma vez nesse episódio a prova da falta de olhar para todo o setor na hora de responder a um desafio estratégico nacional e global. Quando mais precisamos de refinarias, o governo acaba penalizando as suas próprias refinarias”, afirmou Bulhões. O dirigente também classificou as medidas como benefícios de caráter eleitoral, argumentando que os custos impostos a setores estratégicos e de investimentos de longo prazo seriam elevados diante dos efeitos limitados dos subsídios sobre o cotidiano da população. + Gasolina também preocupa Além do diesel, as empresas reclamam dos efeitos tributários da zeragem do PIS/Cofins sobre a gasolina. Segundo Pinheiro, as refinarias privadas continuam pagando os tributos na compra do petróleo utilizado como matéria-prima, mas enfrentam dificuldades para aproveitar os créditos tributários gerados nessa operação porque as alíquotas incidentes sobre a venda da gasolina foram zeradas. A associação estima que o problema provoque o acúmulo de R$ 455 milhões por mês em créditos de PIS/Cofins, o que pressiona os custos das refinarias e pode comprometer sua competitividade. O dirigente avalia que parte desse custo poderia acabar incorporada aos preços dos combustíveis. Para Pinheiro, as distorções também estão relacionadas à política de preços da Petrobras, que mantém o diesel abaixo das cotações internacionais. Na avaliação dele, a diferença entre os preços domésticos e os praticados no exterior levou o governo a criar sucessivos mecanismos de compensação, sem resolver os problemas de concorrência enfrentados pelo setor. Apesar das críticas, a Refina Brasil afirma que não defende necessariamente a suspensão dos subsídios adotados para enfrentar a alta dos combustíveis. A principal reivindicação é que os benefícios sejam estendidos à produção nacional, evitando que os importadores recebam vantagens adicionais em relação às empresas instaladas no Brasil.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/refinarias-cogitam-acao-contra-subsidio-ao-diesel-importado
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