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Lecornu promete reforço policial e ataca extrema esquerda

Primeiro-ministro francês tenta conter onda de manifestações e anuncia mobilização da polícia para os protestos previstos para o próximo fim de semana

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Murillo Otavio, com informações da Reuters
Polícia de choque francesa passa por objetos em chamas em meio a confrontos com manifestantes em Paris | REUTERS/Abdul Saboor

Polícia de choque francesa passa por objetos em chamas em meio a confrontos com manifestantes em Paris | REUTERS/Abdul Saboor

O governo francês corre contra o tempo para conter a onda de manifestações que atinge o país desde meados de setembro. Nesta terça-feira (20), durante uma sessão no Parlamento, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que haverá um contingente “massivo” de forças policiais para lidar com os protestos previstos para o próximo fim de semana. Além disso, culpou a extrema esquerda pelos episódios de violência.

Durante o discurso, Lecornu apresentou a situação atual do país como uma escolha “entre a violência e a República”. Apesar do reforço policial previsto, ele reconheceu problemas no planejamento das operações e na coleta de informações até o momento.

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Desde o início dos protestos, motivados inicialmente pela insatisfação de estudantes com o sistema de ensino francês, o governo enfrenta dificuldades para contornar a situação e não conseguiu avançar nas negociações com os organizadores das manifestações.

Sobre o suposto envolvimento da extrema esquerda, o primeiro-ministro reiterou suas alegações de que os protestos se transformaram em “um plano insurrecional liderado por grupos de extrema esquerda e ultra esquerda”. Lecornu também condenou “o planejamento, em determinados locais, de um plano insurrecional liderado por grupos de extrema esquerda e setores radicais da esquerda”.

Ele insistiu que “o retorno à ordem é o pré-requisito para tudo o mais”, ressaltando que também deseja atender às principais reivindicações apresentadas pelo movimento estudantil.

Em entrevista ao SBT News, Maurício Fronzaglia, professor de Relações Internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, avalia que este é um dos momentos mais tensos para o primeiro-ministro e o presidente Emmanuel Macron, considerando a proximidade das próximas eleições.

“No ano que vem, tem eleição na França, e Emmanuel Macron tem sido alvo da extrema direita e de parte da esquerda por não conseguir efetivar seu plano de governo”, afirmou Fronzaglia. O professor destacou que a atuação de Sébastien Lecornu também tem sido criticada no país por não conseguir avançar nos projetos que elaborou.

Protestos violentos

A França impôs toques de recolher parciais em várias cidades na noite de segunda-feira (19), após um fim de semana marcado por saques e episódios de violência em meio aos protestos contra o custo de vida. Segundo o governo, a medida temporária busca proteger “pessoas e propriedades” diante da onda de violência.

Em Paris, o toque de recolher vale das 23h às 6h na Praça da República e no entorno do centro comercial Les Halles, áreas que foram alvo de saques. Lyon adotou restrição semelhante, proibindo a circulação das 21h às 6h. A medida abrange a região entre a prefeitura, ao norte, e a Place Carnot, ao sul.

No norte da França, cidades como Lille, Douai, Denain e Wattignies impuseram toque de recolher das 22h às 7h para menores de 18 anos que não estejam acompanhados de um representante legal. A mesma medida foi adotada em Nice, na Riviera Francesa. Em Bordeaux, a restrição começará a valer na noite desta terça-feira (20).

“Toques de recolher direcionados contribuíram para a calmaria desta noite. Agradeço aos policiais e gendarmes que garantiram sua aplicação, assim como aos monitores pela mobilização”, declarou Lecornu. “Hoje à noite, novos toques de recolher serão decididos quando a situação exigir”, acrescentou.

As restrições foram adotadas após um fim de semana violento na França, em meio à onda de protestos. As manifestações começaram no mês passado, com estudantes que cobravam melhores condições nas escolas, e se ampliaram para incluir reivindicações relacionadas aos combustíveis, aos salários e aos serviços públicos. No sábado (17), cerca de 550 mil pessoas foram às ruas, mais que o dobro das 200 mil previstas pela polícia.

Os atos resultaram em destruição e saques a lojas e caixas eletrônicos. Em Limoges, um edifício da prefeitura do século 19, que havia sobrevivido a duas guerras mundiais, foi destruído por um incêndio. Pelo menos 2,4 mil pessoas foram detidas.

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