Papa reformador e amigo dos pobres: quem foi Francisco
Pontífice enfrentava problemas respiratórios persistentes e morreu na segunda-feira de Páscoa, aos 88 anos
Giovanna Colossi
21/04/2025, 08:46 • Atualizado em 22/04/2025, 15:04
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Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, morreu nesta segunda-feira (21), aos 88 anos. O pontífice faleceu após fazer uma breve aparição no domingo de Páscoa, no Vaticano.
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Francisco morreu na residência onde vive no Vaticano, na Casa Santa Marta. O Papa foi internado no Hospital Policlínico Agostino Gemelli em 14 de fevereiro, com dupla pneumonia, e ficou 38 dias internado. Após o período, retornou para casa e fez poucas aparições públicas.
Nos últimos anos, Francisco precisou passar por mais de uma cirurgia e sofreu uma série de internações para tratar de problemas respiratórios persistentes. Em 2021, o pontífice retirou parte do cólon após uma inflamação intestinal. Já em 2023, foi submetido a outro procedimento para reparar uma hérnia abdominal e remover o tecido cicatricial intestinal de uma cirurgia prévia. No mesmo ano, ele chegou a ficar internado três dias devido a uma bronquite, tratada com antibióticos.
O ano de 2024 também foi marcado por internações do pontífice, que chegou a aparecer com o queixo roxo em dezembro. Francisco usava cadeira de rodas desde 2022 depois que o agravamento de uma fratura e uma inflamação nos ligamentos do joelho dificultaram sua locomoção.
Primeiro latino-americano e primeiro religioso da ordem dos jesuítas a liderar a Igreja Católica Romana, Francisco foi eleito como 266° papa em 13 de maio 2013. Ele sucedeu o Papa Bento XVI, que renunciou ao pontificado em 11 de fevereiro do mesmo ano, aos 85 anos, alegando faltar forças na mente e no corpo.
Com a morte de Francisco, a Igreja Católica fica em estado de "sede vacante", período entre a morte ou renúncia de um papa e durante o qual é feita a convocação do conclave e a eleição do seu sucessor.
Filho de imigrantes italianos na Argentina, Jorge Mario Bergoglio foi o primeiro papa a adotar o nome de Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis. Sua escolha de nome não foi apenas simbólica; era um reflexo de seu compromisso com a simplicidade e a humildade, valores que ele demonstrou ao longo de sua vida.
Antes de se tornar pontífice, Francisco, então Jorge Bergoglio, era conhecido por sua vida simples e seu compromisso com os pobres. Quando era arcebispo de Buenos Aires, vivia em um apartamento pequeno no centro da cidade, em vez da residência de arcebispo, e costumava viajar de transporte público ou a pé.
Essas escolhas refletiam sua crença de que a igreja deveria estar próxima das pessoas e dos problemas reais da sociedade."O meu povo é pobre e eu sou um deles", costumava dizer.
Como Papa, Francisco continuou a enfatizar a importância de cuidar dos menos favorecidos. Ele dedicou grande parte de seu papado de 12 anos a encorajar a atenção às pessoas marginalizadas, incluindo os pobres. Embora a Igreja ensine que os atos homossexuais são pecaminosos, Francisco fez esforços para que os católicos LGBTQ+ se sentissem bem-vindos.
Demonstrou isso logo no início do seu papado, quando disse a famosa frase "Quem sou eu para julgar?" ao ser questionado sobre homossexualidade.
Já em dezembro de 2023, o Vaticano emitiu a declaração doutrinária Fiducia Suplicans, anunciando que Francisco tinha aprovado formalmente a bênção de casais do mesmo sexo, desde que essas bênçãos não fossem administradas durante rituais ou liturgias. Ao falar sobre o assunto, poucos meses depois, chamou de hipocrisia às críticas a sua decisão.
"Ninguém se escandaliza se eu der minhas bênçãos a um empresário que talvez explore pessoas, e isso é um pecado muito grave. Mas eles se escandalizam se eu as dou a um homossexual", disse Francisco à revista católica italiana Credere.
"Isso é hipocrisia", acrescentou.
Durante seu papado, Francisco também compartilhou seus planos de ser enterrado na Basílica de Santa Maria Maggiore, em vez do Vaticano, uma decisão que reflete sua devoção à Virgem Maria.
Ele será o primeiro pontífice a ser enterrado em Santa Maria Maggiore desde 1669, mais uma indicação do seu legado distintivo de reforma.
Conclave
Até que seja conhecido o nome do futuro papa, a direção da Santa Sé fica sob a responsabilidade do Colégio Cardinalício, composto atualmente por 252 cardeais.
Desses, 135 participarão do conclave que escolhe o novo líder da igreja. Os outros 117, todos com 80 anos ou mais, são considerados cardeais não eleitores e, portanto, não participam da reunião.
O conclave para a eleição do novo papa deve acontecer de 15 a 20 dias, não mais que isso, após a vacância da Sé Apostólica. No dia escolhido para o conclave, os cardeais eleitores celebram missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e depois vão em procissão até a Capela Sistina, entoando a monofônica Ladainha dos Santos. Sob a obra do Juízo Final de Michelangelo, eles fazem o juramento de segredo absoluto durante e depois do conclave.
Feito o juramento final, o mestre de cerimônias litúrgicas dá a ordem “Extra omnes” (todos fora), momento em que os cardeais não eleitores deixam a capela, com exceção de um, que permanece e lê uma meditação sobre as qualidades que um papa deve ter e os desafios que a Igreja enfrenta. Somente então ele e o mestre de cerimônias deixam os cardeais para começar a votar.
O cardeal camerlengo, responsável por tocar a Cúria Romana -- instituições administrativas da Santa Sé -- depois da morte ou renúncia do papa, é quem fica encarregado de que a eleição aconteça. O único método atualmente válido é através do voto individual e secreto dos cardeais.
O papa só é eleito com uma maioria de dois terços dos votos. No Dia 1, apenas uma rodada de votação é realizada; depois disso, os cardeais votam duas vezes pela manhã e duas à tarde, até obterem um vencedor.
Se depois de 24 votações os cardeais não chegarem a um acordo, eles podem decidir por maioria absoluta como proceder. O papa pode, então, ser eleito por maioria simples.
Após cada eleição as cédulas são queimadas e sua fumaça enviada para fora da chaminé da Capela Sistina. Segundo a tradição, a fumaça preta indica que o papa não foi eleito, enquanto a fumaça branca simboliza que o novo chefe da igreja católica foi escolhido.
O rito costuma ser acompanhado por centenas de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano, e outros milhões pela televisão.
Papa reformador e amigo dos pobres: quem foi FranciscoPontífice enfrentava problemas respiratórios persistentes e morreu na segunda-feira de Páscoa, aos 88 anosMundo2025-04-21T08:46:33.861ZJorge Mario Bergoglio, o , morreu nesta segunda-feira (21), aos 88 anos. O pontífice faleceu após fazer uma breve aparição no domingo de Páscoa, no Vaticano. Francisco morreu na residência onde vive no Vaticano, na Casa Santa Marta. O Papa foi internado no Hospital Policlínico Agostino Gemelli em 14 de fevereiro, com dupla pneumonia, e ficou 38 dias internado. Após o período, retornou para casa e fez poucas aparições públicas. Nos últimos anos, Francisco precisou passar por mais de uma cirurgia e sofreu uma série de internações para tratar de problemas respiratórios persistentes. Em 2021, o pontífice retirou parte do cólon após uma inflamação intestinal. Já em 2023, foi submetido a outro procedimento para reparar uma hérnia abdominal e remover o tecido cicatricial intestinal de uma cirurgia prévia. No mesmo ano, ele chegou a ficar internado três dias devido a uma bronquite, tratada com antibióticos. O ano de 2024 também foi marcado por internações do pontífice, que chegou a aparecer com o queixo roxo em dezembro. Francisco usava cadeira de rodas desde 2022 depois que o agravamento de uma fratura e uma inflamação nos ligamentos do joelho dificultaram sua locomoção. Primeiro latino-americano e primeiro religioso da ordem dos jesuítas a liderar a Igreja Católica Romana, Francisco foi eleito como 266° papa em 13 de maio 2013. Ele sucedeu o , que renunciou ao pontificado em 11 de fevereiro do mesmo ano, aos 85 anos, alegando faltar forças na mente e no corpo. Com a morte de Francisco, a Igreja Católica fica em estado de "sede vacante", período entre a morte ou renúncia de um papa e durante o qual é feita a convocação do conclave e a eleição do seu sucessor. Um Papa reformador e amigo dos pobres Filho de imigrantes italianos na Argentina, Jorge Mario Bergoglio foi o primeiro papa a adotar o nome de Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis. Sua escolha de nome não foi apenas simbólica; era um reflexo de seu compromisso com a simplicidade e a humildade, valores que ele demonstrou ao longo de sua vida. Antes de se tornar pontífice, Francisco, então Jorge Bergoglio, era conhecido por sua vida simples e seu compromisso com os pobres. Quando era arcebispo de Buenos Aires, vivia em um apartamento pequeno no centro da cidade, em vez da residência de arcebispo, e costumava viajar de transporte público ou a pé. Essas escolhas refletiam sua crença de que a igreja deveria estar próxima das pessoas e dos problemas reais da sociedade."O meu povo é pobre e eu sou um deles", costumava dizer. Como Papa, Francisco continuou a enfatizar a importância de cuidar dos menos favorecidos. Ele dedicou grande parte de seu papado de 12 anos a encorajar a atenção às pessoas marginalizadas, incluindo os pobres. Embora a Igreja ensine que os atos homossexuais são pecaminosos, Francisco fez esforços para que os católicos LGBTQ+ se sentissem bem-vindos. Demonstrou isso logo no início do seu papado, quando disse a famosa frase "Quem sou eu para julgar?" ao ser questionado sobre homossexualidade. Já em dezembro de 2023, o Vaticano emitiu a declaração doutrinária Fiducia Suplicans, anunciando que Francisco tinha aprovado formalmente a bênção de casais do mesmo sexo, desde que essas bênçãos não fossem administradas durante rituais ou liturgias. Ao falar sobre o assunto, poucos meses depois, chamou de hipocrisia às críticas a sua decisão. "Ninguém se escandaliza se eu der minhas bênçãos a um empresário que talvez explore pessoas, e isso é um pecado muito grave. Mas eles se escandalizam se eu as dou a um homossexual", disse Francisco à revista católica italiana Credere. "Isso é hipocrisia", acrescentou. Durante seu papado, Francisco também compartilhou seus planos de ser enterrado na Basílica de Santa Maria Maggiore, em vez do Vaticano, uma decisão que reflete sua devoção à Virgem Maria. Ele será o primeiro pontífice a ser enterrado em Santa Maria Maggiore desde 1669, mais uma indicação do seu legado distintivo de reforma. Conclave Até que seja conhecido o nome do futuro papa, a direção da Santa Sé fica sob a responsabilidade do Colégio Cardinalício, composto atualmente por 252 cardeais. Desses, 135 participarão do que escolhe o novo líder da igreja. Os outros 117, todos com 80 anos ou mais, são considerados cardeais não eleitores e, portanto, não participam da reunião. O conclave para a eleição do novo papa deve acontecer de 15 a 20 dias, não mais que isso, após a vacância da Sé Apostólica. No dia escolhido para o conclave, os cardeais eleitores celebram missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e depois vão em procissão até a Capela Sistina, entoando a monofônica Ladainha dos Santos. Sob a obra do Juízo Final de Michelangelo, eles fazem o juramento de segredo absoluto durante e depois do conclave. Feito o juramento final, o mestre de cerimônias litúrgicas dá a ordem “Extra omnes” (todos fora), momento em que os cardeais não eleitores deixam a capela, com exceção de um, que permanece e lê uma meditação sobre as qualidades que um papa deve ter e os desafios que a Igreja enfrenta. Somente então ele e o mestre de cerimônias deixam os cardeais para começar a votar. O cardeal camerlengo, responsável por tocar a Cúria Romana -- instituições administrativas da Santa Sé -- depois da morte ou renúncia do papa, é quem fica encarregado de que a eleição aconteça. O único método atualmente válido é através do voto individual e secreto dos cardeais. O papa só é eleito com uma maioria de dois terços dos votos. No Dia 1, apenas uma rodada de votação é realizada; depois disso, os cardeais votam duas vezes pela manhã e duas à tarde, até obterem um vencedor. Se depois de 24 votações os cardeais não chegarem a um acordo, eles podem decidir por maioria absoluta como proceder. O papa pode, então, ser eleito por maioria simples. Após cada eleição as cédulas são queimadas e sua fumaça enviada para fora da chaminé da Capela Sistina. Segundo a tradição, a fumaça preta indica que o papa não foi eleito, enquanto a fumaça branca simboliza que o novo chefe da igreja católica foi escolhido. O rito costuma ser acompanhado por centenas de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano, e outros milhões pela televisão. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/papa-reformador-e-amigo-dos-pobres-quem-foi-francisco
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