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"Os Rejeitados": a dramédia do momento enche de emoção diante das coisas simples da vida

Estreia nos cinemas filme que ganhou dois Globos de Ouro e deve ir ao Oscar

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Cleide Klock - Los Angeles
08/01/2024, 23:50 • Atualizado em 09/01/2024, 00:44
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"Os Rejeitados": a dramédia do momento enche de emoção diante das coisas simples da vida

Chega ao Brasil um dos filmes que corre na frente nas premiações do ano de Hollywood. "Os Rejeitados" estreia nesta quinta-feira (11), e já traz na bagagem duas estatuetas do Globo de Ouro.

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A cerimônia aconteceu neste domingo e premiou como Melhor atriz coadjuvante (Comédia/Musical) Da'vine Joy Randolph e como Melhor ator em comédia, para Paul Giamatti. O SBT News conversou com os premiados dias antes da festa do Globo de Ouro.

Uma comédia cheia de drama, tal qual é a vida. Com personagens que têm muito de pessoas que conhecemos, de sentimentos que compartilhamos. Em uma história doída e linda ao mesmo tempo, com o gosto agridoce do cotidiano, seus encontros e desencontros, amadurecimento, solidão, amigos e família.

A trama transita e dá foco aos esquecidos de alguma forma, que sofrem com corações apertados e partidos.

Uma imersão nostálgica que nos leva aos anos de 1970: a um colégio interno, onde alguns desses rejeitados estão fadados a passar as festas de fim de ano juntos.

Sem nada em comum, a princípio, um aluno (Dominic Sessa), um professor e a cozinheira juntam suas solidões.

Da'Vine Joy Randolph interpreta Mary. Uma mulher que carrega a dor da perda do filho na guerra.

"Fiquei animada quando li o roteiro ao ver o quão completo, detalhado e cheio de nuances ele era. Isso foi muito emocionante. Vi minha personagem em muitas, muitas, muitas, muitas, muitas, muitas mulheres, eu diria. Nossas referências, tanto em minha vida pessoal, mulheres na história, e pessoas comuns. Eu sinto que queria que ela fosse a mãe, a tia, a irmã, você entende o que quero dizer? Essa personalidade feminina que aparece, espero, na vida de todos durante a vida, do vizinho, de quem quer que seja, mas apenas dessa pessoa que, em alguns casos, sofre potencialmente silenciosamente enquanto ainda caminha e leva a vida. Eu queria prestar homenagem essas mulheres", nos diz a atriz.

Da'Vine, que também é cantora, nos revelou que um dos maiores desafios do papel foi ter que fumar muito, já que a personagem está sempre com cigarro na mão.

"Ela fuma muito. Ela é uma fumante ávida. E ainda por cima, devido à situação e ao luto, ela está fumando ainda mais do que o normal. O diretor Alexander Payne realmente queria ter certeza de que ela era autêntico e real. Após eu aceitar o papel, dois dias depois, ele enviou pelo correio duas caixas grandes de cigarros falsos para mim, para eu, nas próximas cinco semanas, me acostumar com isso. Nos primeiros dois dias de filmagem, eu fiquei tipo, ah, isso não está funcionando. Eles pareciam falsos diante da câmera. E então eu experimentei um monte de cigarros diferentes e consegui chegar ao American Spirits, eles são muito leves, mas ainda assim são cigarros de verdade. Então comecei a fumá-los e estava apenas rezando para não ficar viciada, o que graças a Deus não aconteceu. No momento em que terminamos as filmagens, eu parei de fumar.

Já o ator Paul Giamatti empresta seu nome ao personagem. Paul neste enredo é um daqueles professores temidos, que todo mundo já teve um.

"Me lembrou dos professores que eu tive, meu pai era professor, minha mãe era professora, meus avós eram professores. Mas me lembrou também dos colegas deles, pessoas com quem cresci e que eram amigos dos meus pais. Então havia muitas pessoas e coisas que recordei", lembra Paul

Inspiração

O ator completa: "Eu tinha um professor em particular que era uma espécie de homenzinho zangado com um pente e bigode e ele bebia muito. Ele estava claramente bebendo e fumando demais e era muito sarcástico. Mas ele estava realmente muito focado em fazer um bom trabalho de ensino. Ele era, na verdade, um professor muito bom. Por mais que ele fosse um homenzinho estranho e raivoso, era realmente ótimo. E lembro-me dele, estranhamente, com muito carinho".

"Os Rejeitados" também marca o reencontro de Paul Giamatti com o aclamado cineasta Alexander Payne, o diretor já assinou produções como “Nebraska”, "Os Descendentes" e os dois fizeram juntos o inesquecível "Sideways - Entre Umas e outras". Lançado há exatos 20 anos, o filme se tornou um clássico e é outro grande exemplar das histórias simples, que nos comovem, emocionam e nos levam para dentro de nós mesmos.

"Alexander Payne dirigiu este filme (Os Rejeitados) de forma diferente e não sei se é porque ele mudou principalmente como diretor. Ele ainda era o mesmo grande diretor que é, mas tecnicamente estava um pouco diferente. Fora isso, ele estava mais agradável até do que era antes e estava mais tranquilo um pouco. Na verdade, ele suavizou um pouco, o que foi bom, não que ele não fosse antes. Então, foi ainda mais relaxado e filmado de forma um pouco diferente. Não sei sobre mim, gostaria de pensar que amadureci um pouco. Eu gostaria de pensar que estava mais no comando do que estava fazendo. Eu certamente estava menos ansioso. Quando fiz "Sideways", Tom (Thomas Haden Church) e eu, estávamos muito nervosos e praticamente convencidos de que seríamos demitidos. Achamos que não havia como alguém tolerar que fizéssemos esse filme por muito tempo. Cerca de duas semanas depois, quando ainda não tínhamos sido demitidos, percebemos que não seríamos, mas ainda assim não relaxamos muito, estávamos muito nervosos", relembra Giamatti.

Na época, "Sideways" teve cinco indicações aos Oscar e levou a estatueta de melhor roteiro adaptado. Agora as expectativas se repetem. Tanto o filme quanto o diretor, Alexander Payne, e os atores Paul Giamatti, Dominic Sessa (que interpreta o aluno Angus Tully) e Da'Vine correm na frente na disputa pelo Oscar e, claro. que perguntamos a eles como é essa emoção de estarem sendo cotados para a maior premiação do cinema mundial.

"Isso me deixa desconfortável em alguns aspectos. Em particular, em referência a mim mesmo, isso me deixa desconfortável. Pela primeira vez, porém, de certa forma, em relação ao filme, aos outros atores e a Alexander e ao escritor, sinto-me muito entusiasmado. Eu realmente espero que essas coisas aconteçam. Porque acho que deveria ter um reconhecimento assim. Para mim, isso me deixa desconfortável. Mas, quanto ao resto, estou muito animado que talvez esse tipo de coisa aconteça", diz Giamatti.

"Estou muito grata, honrada e muito feliz que as pessoas estejam recebendo o filme tão bem, sabe? Não é por isso que atuo, mas quando você tem esses momentos, isso apenas me encoraja. Isso me incentiva a continuar, que há algo aí e que eu não deva desistir e sim continuar perseguindo e me dedicando a esse ofício", conclui Da'Vine Joy Randolph.

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