Vereador aliado de Paes suspeito de negociar com facção criminosa é solto
Salvino Oliveira (PSD) foi preso na quarta (12); desembargador diz que não há elementos para manter prisão durante investigação


SBT News
com informações do SBT Rio
A Justiça do Rio de Janeiro determinou, nesta sexta-feira (13), a soltura do vereador Salvino Oliveira (PSD), preso pela Polícia Civil sob suspeita de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho.
Ao deixar a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, o vereador afirmou que a decisão corrige uma injustiça e voltou a atribuir a prisão a disputas políticas. Segundo ele, as acusações serão contestadas na Justiça.
Na decisão, o desembargador Marcus Basílio afirmou que não foram apresentados elementos suficientes que justificassem a prisão do parlamentar para garantir o andamento das investigações.
O magistrado também destacou que o inquérito não conseguiu demonstrar o envolvimento direto do vereador com a organização criminosa. Segundo o despacho, a menção ao nome do político ocorreu em conversa entre terceiros registrada há mais de um ano, sem novos registros posteriores, o que, segundo o desembargador, enfraquece o requisito de contemporaneidade necessário para manter a prisão preventiva.
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro informou que o processo tramita sob segredo de Justiça, o que limita a divulgação de detalhes da investigação.
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap) confirmou que recebeu a decisão judicial e que a ordem de soltura está sendo cumprida pela unidade prisional.
Salvino Oliveira já ocupou o cargo de secretário municipal da Juventude entre 2021 e 2024 e foi eleito vereador com 27.062 votos. Ele era considerado uma das apostas políticas do prefeito Eduardo Paes (PSD) para os próximos anos.
Segundo a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, as investigações apontam que o Comando Vermelho mantém uma estrutura organizada, com cadeia de comando definida, divisão territorial e articulação entre integrantes em diferentes estados do país.
Durante a apuração, os investigadores também identificaram a atuação de familiares de um dos principais líderes históricos da facção, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP. De acordo com a polícia, a esposa dele, Márcia Gama, atuaria na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, repassando informações e participando de articulações com integrantes da organização.









