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Vereador aliado de Paes é preso por negociar com o CV no Rio

Salvino Oliveira (PSD) é uma das promessas de Eduardo Paes na política

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Vereador Salvino Oliveira (PSD) | Reprodução
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O vereador do Rio de Janeiro Salvino Oliveira (PSD) foi preso nesta quarta-feira (11) suspeito de negociar com integrantes da facção criminosa Comando Vermelho. A prisão ocorreu durante a Operação Contenção Red Legacy, deflagrada por policiais civis da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) para desarticular a estrutura nacional do grupo. Até o momento, outras cinco pessoas foram também presas.

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As investigações reuniram um conjunto robusto de provas que revelam o funcionamento interno da facção, demonstrando a existência de uma cadeia de comando organizada, divisão territorial e articulação entre integrantes em diferentes estados do país.

Salvino Oliveira foi eleito Secretário de Juventude (2021-2024) com 27.062 votos e era considerado uma das apostas do Prefeito Eduardo Paes (PSD) para os próximos anos.

Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que a facção mantém uma estrutura organizada, com cadeia de comando definida, divisão territorial e articulação entre integrantes em diferentes estados do país.

Durante a apuração, a polícia também identificou a participação de familiares de um dos principais líderes históricos do Comando Vermelho, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP. De acordo com os investigadores, a esposa dele, Márcia Gama, atuaria na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, repassando informações e participando de articulações com integrantes da organização.

Outro investigado apontado como peça importante na estrutura da facção é Landerson, sobrinho de Marcinho VP. Segundo a investigação, ele faria a ligação entre lideranças do grupo, integrantes que atuam em comunidades dominadas pela facção e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização criminosa.

Márcia e Landerson não foram localizados nos endereços informados e são considerados foragidos da Justiça.

A investigação também aponta tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais. Segundo a Polícia Civil, o vereador Salvino Oliveira teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho.

Em troca, o parlamentar teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas à população local. Um dos casos investigados envolve a instalação recente de quiosques na região. De acordo com a apuração, parte dos beneficiários teria sido indicada diretamente por integrantes da facção, sem processo público transparente.

Durante as investigações, a polícia também identificou casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, incluindo vazamento de informações e simulação de operações.

O material reunido pelos investigadores aponta ainda para uma estrutura criminosa complexa, com conselhos nacionais e regionais e articulação entre organizações criminosas de diferentes estados. Há também indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Mesmo após quase três décadas no sistema prisional, as investigações indicam que Marcinho VP continua exercendo influência na estrutura de comando da facção, apontado como uma das lideranças do chamado conselho federal permanente do grupo.

A apuração também identificou outros integrantes com funções estratégicas dentro da organização. Entre eles estão o traficante Doca, apontado como uma das principais lideranças nas ruas; Luciano Martiniano da Silva, conhecido como Pezão, responsável pela gestão financeira do grupo; e Carlos da Costa Neves, chamado de Gardenal, encarregado de executar determinações da liderança.

A operação desta quarta-feira contou com o apoio de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de policiais de delegacias especializadas e da capital. As investigações seguem em andamento.

A Polícia Civil diz que tais condutas representam traição à instituição e não refletem a atuação da grande maioria dos profissionais da segurança pública, que desempenham seu trabalho com dedicação e compromisso com a sociedade.

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