Política

Derrota de Messias é mais do que sinal de alerta para governo, é um chafariz, diz Gilmar Mendes

Ao SBT News, decano avalia que articulação de ministros para derrubar Messias “não faz sentido” e é sintoma de relação disfuncional do governo com o Congressso

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O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse em entrevista ao SBT News nesta quinta-feira (30) que a derrota de Jorge Messias na votação realizada ontem no Senado é sintoma de um problema mais profundo na relação entre o governo Lula (PT) e o Congresso Nacional, e não propriamente com o Supremo.

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O ministro blindou o STF de responsabilidade pelo resultado. Como mostrou o SBT News, aliados de Messias atribuíram aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino a perda de alguns votos que sacramentaram o resultado. O decano, porém, disse achar esse tipo de movimentação sem lógica.

"A vitória tem muitos pais e a derrota normalmente não têm pais ou responsáveis. E aí então se busca quem possa assumir essa paternidade. Estou longe de poder acreditar que um ministro do Supremo interferiu para a rejeição de Jorge Messias. Não faz o menor sentido", afirmou.

Para Gilmar, os sinais que precederam a sessão - como a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em aceitar a indicação de Messias - apontaram para uma disfuncionalidade nas prerrogativas congressuais em uma tentativa de interferir em uma indicação que cabe ao presidente da República.

"Portanto, é mais do que um sinal de alerta, é um chafariz, um refletor que diz: se a gente está aqui, a gente não está bem. É preciso que se faça essa revisão e que cada qual assuma sua responsabilidade nesse grande latifúndio", afirmou.

Gilmar voltou a tecer elogios a Messias e lamentar pelo resultado negativo, inédito na história moderna do país.

"Considero o Jorge Messias uma pessoa extremamente qualificada. Esteve aqui todos esses anos atuando como AGU e atuando bem na defesa de causas importantes, inclusive nos processos ligados a atos antidemocráticos. Mas é uma decisão soberana do Senado Federal [...] e infelizmente ele não atingiu o quórum para aprovação".

Questionado sobre como fica a situação da Corte com um ministro a menos, o decano ponderou os riscos de impasses em votações que terminem empatadas em 5 a 5, mas destacou que o Supremo tem "capacidade, resiliência e habilidade" para lidar com a crise e que confia no "tino" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para indicar um novo nome no futuro.

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