Brasil caminha para ter sua menor safra de trigo em 5 anos
Conab estimou a produção de trigo desta temporada em 6,9 milhões de toneladas métricas, uma queda de 12,3% em relação ao ciclo anterior e a menor desde 2021


Reuters
Os agricultores brasileiros devem colher sua menor safra de trigo em cinco anos, preveem os analistas, já que as margens fracas e a concorrência de outras culturas de inverno corroem seu apelo.
Nesta sexta-feira (13), a estatal Conab estimou a produção de trigo desta temporada em 6,9 milhões de toneladas métricas, uma queda de 12,3% em relação ao ciclo anterior e a menor desde 2021.
Esse volume estava em linha com uma estimativa feita no início da semana pela consultoria de agronegócios Safras & Mercado, que projetou a safra 2026/27 em 6,86 milhões de toneladas.
O plantio nos principais estados produtores de trigo do Brasil está programado para começar em abril, embora as semeaduras de trigo devam diminuir, mostraram ambas as estimativas.
A colheita geralmente começa em setembro no Brasil, o segundo maior produtor de trigo da América do Sul, mas um grande importador.
A Safras disse que a área plantada em 2026/2027 pode cair até 40% em relação a quatro anos atrás, ou um recuo de 15,5% em relação à temporada anterior, para 1,99 milhão de hectares (4,9 milhões de acres).
A Conab, de forma mais conservadora, estimou que a área de plantio cairá 5,2% este ano, para 2,32 milhões de hectares.
Aumento de custos
Os agricultores estão reduzindo a intenção de plantar trigo devido às pressões econômicas e às condições climáticas, disseram a Safras e a Conab.
"O principal impedimento é a deterioração entre o preço do trigo e o custo dos insumos", disse o analista da Safras, Elcio Bento.
"O aumento do custo dos fertilizantes, especialmente dos fertilizantes nitrogenados, tem pressionado os custos de produção."
Os preços dos fertilizantes dispararam nas últimas semanas devido ao conflito com o Irã no Oriente Médio, com os embarques pelo Estreito de Ormuz retidos.
Os produtores também estão preocupados com a possibilidade de o fenômeno climático El Niño atingir a região sul no segundo semestre do ano, disse Safras, com chuvas excessivas aumentando o risco de problemas de qualidade.
Os custos do seguro agrícola, o crédito limitado e as perdas financeiras registradas nas safras recentes também reduzem a disposição dos produtores de assumir riscos maiores, disse a consultoria.









