Mudanças climáticas contribuíram para colapso no Nepal
Estudo apontou que catástrofe foi resultado de combinação de eventos climáticos e geológicos
Camila Stucaluc
Enchente repentina em Trishuli, no distrito de Nuwakot. | REUTERS/Navesh Chitrakar
As mudanças climáticas contribuíram para o colapso da geleira que provocou enchentes catastróficas no Nepal e no Tibete, em agosto, deixando 1,3 mil mortos e cerca de 6 mil desaparecidos. A conclusão está no primeiro estudo científico sobre o desastre, feito pela World Weather Attribution (WWA), que apontou uma crise combinada de eventos climáticos e geológicos.
📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.
No caso das mudanças climáticas, o aquecimento da atmosfera acelerou o derretimento das geleiras e elevou o limite de congelamento. Esse processo provocou o degelo do permafrost (camada de solo) dentro das fraturas de rocha, deixando as paredes das montanhas instáveis. Além disso, a mudança da fase de precipitação da neve para a chuva também pode ter enfraquecido as rochas.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.
“A falha da encosta em 26 de agosto ocorreu no contexto de um período quente de 12 meses, de setembro de 2025 a agosto de 2026, com os dois meses mais quentes do ano (julho e agosto) diretamente anteriores ao evento também substancialmente mais quentes que a média climatológica. Essas condições eram anômalas no local da própria ruptura da encosta e em toda a região mais ampla do Himalaia”, diz o estudo.
Para completar esse o de fragilidade, os pesquisadores apontam que um terremoto de magnitude 7,8 ocorrido em 2015 na região pode ter enfraquecido a massa rochosa e tornado a encosta ainda mais propensa ao desmoronamento. Com isso, a encosta foi considerada geologicamente vulnerável, desestabilizada ainda mais pelo recuo da geleira.
“A avalanche de rocha e gelo rapidamente se transformou em uma enchente de detritos e depois em uma enchente repentina dominada pela água que desceu a montante a velocidades médias de 188 km/h, causando erosão extensa e deposição de sedimentos. A falha envolveu um volume excepcionalmente grande de rocha e gelo que, ao impactar com o solo, liberou energia equivalente a um terremoto de 5,5”, detalhou o estudo.
Buscas
Equipes de resgate continuam trabalhando para encontrar cerca de 5,2 mil desaparecidos, incluindo 636 estrangeiros. As autoridades mobilizaram drones equipados com câmeras térmicas e helicópteros para as buscas e levaram especialistas para resgatar trabalhadores presos em túneis.
Em relação aos óbitos, apenas 105 dos 1,3 mil corpos foram identificados, devido ao avançado estado de decomposição. No fim de agosto, o distrito de Chitwan passou a realizar sepultamentos coletivos de vítimas não identificadas, com sepulturas abertas na floresta de Devghat, a cerca de 200 quilômetros dos vales de Rasuwa, uma das áreas mais afetadas pelo desastre.
Mudanças climáticas contribuíram para colapso no NepalEstudo apontou que catástrofe foi resultado de combinação de eventos climáticos e geológicosMundo2026-09-17T07:51:26.008ZAs mudanças climáticas contribuíram para o colapso da geleira que , em agosto, deixando 1,3 mil mortos e cerca de 6 mil desaparecidos. A conclusão está no primeiro estudo científico sobre o desastre, feito pela World Weather Attribution (WWA), que apontou uma crise combinada de eventos climáticos e geológicos. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. No caso das mudanças climáticas, o aquecimento da atmosfera acelerou o derretimento das geleiras e elevou o limite de congelamento. Esse processo provocou o degelo do permafrost (camada de solo) dentro das fraturas de rocha, deixando as paredes das montanhas instáveis. Além disso, a mudança da fase de precipitação da neve para a chuva também pode ter enfraquecido as rochas. “A falha da encosta em 26 de agosto ocorreu no contexto de um período quente de 12 meses, de setembro de 2025 a agosto de 2026, com os dois meses mais quentes do ano (julho e agosto) diretamente anteriores ao evento também substancialmente mais quentes que a média climatológica. Essas condições eram anômalas no local da própria ruptura da encosta e em toda a região mais ampla do Himalaia”, diz o estudo. Para completar esse o de fragilidade, os pesquisadores apontam que um terremoto de magnitude 7,8 ocorrido em 2015 na região pode ter enfraquecido a massa rochosa e tornado a encosta ainda mais propensa ao desmoronamento. Com isso, a encosta foi considerada geologicamente vulnerável, desestabilizada ainda mais pelo recuo da geleira. “A avalanche de rocha e gelo rapidamente se transformou em uma enchente de detritos e depois em uma enchente repentina dominada pela água que desceu a montante a velocidades médias de 188 km/h, causando erosão extensa e deposição de sedimentos. A falha envolveu um volume excepcionalmente grande de rocha e gelo que, ao impactar com o solo, liberou energia equivalente a um terremoto de 5,5”, detalhou o estudo. Buscas Equipes de resgate continuam trabalhando para encontrar cerca de 5,2 mil desaparecidos, incluindo 636 estrangeiros. As autoridades mobilizaram drones equipados com câmeras térmicas e helicópteros para as buscas e levaram especialistas para resgatar trabalhadores presos em túneis. Em relação aos óbitos, apenas 105 dos 1,3 mil corpos foram identificados, devido ao avançado estado de decomposição. No fim de agosto, o de vítimas não identificadas, com sepulturas abertas na floresta de Devghat, a cerca de 200 quilômetros dos vales de Rasuwa, uma das áreas mais afetadas pelo desastre.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/mudancas-climaticas-contribuiram-para-colapso-no-nepal
Advogados querem que dois militares retomem atividades de apoio e segurança na residência do ex-presidente, sob as cautelares já determinadas pelo ministro