Bangladesh: manifestantes prometem nova onda de violência no 5º dia sem internet; entenda
Protesto é contra cota de emprego e ocorre desde fuga em massa de presidiários, toque de recolher e autorização para atirar
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Derick Toda
22/07/2024, 16:03 • Atualizado em 22/07/2024, 16:03
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Manifestantes em conflito com autoridades em Bangladesh | Reprodução/SBT
Pelo quinto dia consecutivo, Bangladesh continua sem internet após protestos de grupo estudantis contra um sistema de cotas que reservava até 30% dos empregos públicos para familiares que lutaram na guerra de independência do país, em 1971.
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No domingo (21), os manifestantes tiveram uma vitória contra a política pública após o Tribunal Superior do país reduzir a cota para 5%, deixando 93% dos empregos a serem ocupados por aqueles com melhor qualificação, que era a reivindicação dos protestantes. Os outros 2% de vagas foram reservados para minorias étnicas, para a comunidade trans e as pessoas com deficiência. Nesta segunda-feira (22), os ânimos se acalmaram e não houve nenhum registro de violência após semanas de conflito.
E a internet?
No meio da disputa política, em que mais de 110 morreram com fuga em massa de presidiários, toque de recolher e militares autorizados pelo governo a disparar contra manifestantes, ocorreu um embate cibernético, na semana passada.
Segundo a agência de notícias Associated Press (AP), por um lado, os manifestantes hackearam o site do Banco Central de Bangladesh e o gabinete da primeira-ministra Sheik-Hasina. Por outro, o governo bloqueou a comunicação online, proibindoserviços móveis e de internet. Desde então, o país está sem conexão.
Mesmo com uma calma após a decisão da Justiça, Hasnat Abdullah, um coordenador do Movimento Estudantil Antidiscriminação, deu um ultimato para o governo reestabelecer a conexão.
“Estamos emitindo um ultimato de 48 horas para interromper a repressão digital e restaurar a conectividade da internet", disse Hasnat Abdullah para a Associated Press.
Abdullah também exigiu que o governo acabe com o toque de recolher e que o país volte ao normal em dois dias.
Militares de Bangladesh aplicam toque de recolher e atiram contra manifestantes | Reprodução/SBT
Qual a situação de Bangladesh?
O país vive a frustração dos jovens que saem do ensino médio e faculdade, mas não conseguem empregos. Enquanto isso, os manifestantes enxergam o sistema de cotas por guerra como uma política discriminatória, que beneficiaria o partido Awami League, da ministra Sheik Hasina e que liderou há décadas o movimento de independência.
Premiê Sheik Hasina discursa pra público | Reprodução/SBT
Quem apoia os protestos?
O principal apoiador dos protestos é o partido de oposição, o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP). O movimento defende que o sistema de empregos seja definido por quem é mais capaz de exercer a função determinada, e não pelo histórico familiar.
No entanto, o BNP afirmou que não é responsável pelas violências e negou acusações de usar os protestos para ganhos políticos.
Histórico do sistema de cotas
Em 2018, o governo suspendeu as cotas de emprego após protestos estudantis em massa. Em junho deste ano, o Tribunal Superior de Bangladesh anulou essa decisão e restabeleceu as cotas após parentes de veteranos de 1971 terem entrado com petições.
No domingo, o Supremo reduziu a cota para 5%.
Bangladesh: manifestantes prometem nova onda de violência no 5º dia sem internet; entenda Protesto é contra cota de emprego e ocorre desde fuga em massa de presidiários, toque de recolher e autorização para atirarMundo2024-07-22T16:03:52.480ZPelo quinto dia consecutivo, Bangladesh continua sem internet após protestos de grupo estudantis contra um sistema de cotas que reservava até 30% dos empregos públicos para familiares que lutaram na guerra de independência do país, em 1971. No domingo (21), os manifestantes tiveram uma vitória contra a política pública após o , deixando 93% dos empregos a serem ocupados por aqueles com melhor qualificação, que era a reivindicação dos protestantes. Os outros 2% de vagas foram reservados para minorias étnicas, para a comunidade trans e as pessoas com deficiência. Nesta segunda-feira (22), os ânimos se acalmaram e não houve nenhum registro de violência após semanas de conflito. E a internet? No meio da disputa política, em que mais de 110 morreram com fuga em massa de presidiários, toque de recolher e militares autorizados pelo governo a disparar contra manifestantes, ocorreu um embate cibernético, na semana passada. Segundo a agência de notícias Associated Press (AP), por um lado, os manifestantes hackearam o site do Banco Central de Bangladesh e o gabinete da primeira-ministra Sheik-Hasina. Por outro, o governo bloqueou a comunicação online, proibindo serviços móveis e de internet. Desde então, o país está sem conexão. Mesmo com uma calma após a decisão da Justiça, Hasnat Abdullah, um coordenador do Movimento Estudantil Antidiscriminação, deu um ultimato para o governo reestabelecer a conexão. “Estamos emitindo um ultimato de 48 horas para interromper a repressão digital e restaurar a conectividade da internet", disse Hasnat Abdullah para a Associated Press. Abdullah também exigiu que o governo acabe com o toque de recolher e que o país volte ao normal em dois dias. Qual a situação de Bangladesh? O país vive a frustração dos jovens que saem do ensino médio e faculdade, mas não conseguem empregos. Enquanto isso, os manifestantes enxergam o sistema de cotas por guerra como uma política discriminatória, que beneficiaria o partido Awami League, da ministra Sheik Hasina e que liderou há décadas o movimento de independência. Quem apoia os protestos? O principal apoiador dos protestos é o partido de oposição, o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP). O movimento defende que o sistema de empregos seja definido por quem é mais capaz de exercer a função determinada, e não pelo histórico familiar. No entanto, o BNP afirmou que não é responsável pelas violências e negou acusações de usar os protestos para ganhos políticos. Histórico do sistema de cotas Em 2018, o governo suspendeu as cotas de emprego após protestos estudantis em massa. Em junho deste ano, o Tribunal Superior de Bangladesh anulou essa decisão e restabeleceu as cotas após parentes de veteranos de 1971 terem entrado com petições. No domingo, o Supremo reduziu a cota para 5%.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/manifestantes-prometem-nova-onda-de-violencia-no-5-dia-sem-internet-em-bangladesh-entenda-1