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Lula e Biden na ONU: o Brasil do diálogo, os EUA da defesa unilateral

Os discursos em sequência de Lula e Biden evidenciaram ainda mais as diferenças entre os líderes sobre conflitos armados

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Este ano acontece a 79ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que acontece em Washington, nos Estados Unidos | Caio Guatelli/SBT News

Nova York - Palavras alinhadas ao que prega a Carta das Nações Unidas. Lula, do começo ao fim do discurso, que foi o primeiro dos líderes no plenário principal, falou em união, sobre promover o diálogo com todas as partes e, principalmente, desarmar e investir recursos nos seres humanos.

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Do lado americano, a posição historicamente conhecida foi a defesa dos interesses nacionais e dos aliados.

“Eu peço aos integrantes deste plenário que estejam ao lado dos ucranianos”, disse o presidente dos Estados Unidos.

Volodymyr Zelensky estava na plateia. Sobre Gaza, Biden, de maneira diferente do que disse há um ano, foi explícito ao falar sobre o direito à liberdade dos palestinos.

Presidente Lula discursa na ONU na abertura da Assembleia Geral da ONU | Caio Guatelli/SBT News
Presidente Lula discursa na ONU na abertura da Assembleia Geral da ONU | Caio Guatelli/SBT News

Lula enfatizou que o Brasil é contra a invasão da Ucrânia, mas foi enfático e não deixou espaço para meias palavras ao dizer que “2023 ostenta o triste recorde do maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial”.

De forma diplomática, criticou as superpotências que armam países em guerra, afirmando que os gastos militares globais cresceram e atingiram, no último ano, 2,4 trilhões de dólares, e que esses recursos poderiam ter sido utilizados para combater a fome.

Outra frase de Lula teve o impacto de um estadista que falou diretamente a outros líderes presentes:

“O uso da força, sem amparo no Direito Internacional, está se tornando a regra”.

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU  | Caio Guatelli/SBT News
Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU | Caio Guatelli/SBT News

Sobre a reforma dos órgãos da ONU, especialmente o Conselho de Segurança, os Estados Unidos já manifestaram recentemente seu apoio a novos integrantes permanentes. Washington DC fala, por ora, essencialmente dos africanos.

Na última semana, a embaixadora-chefe da missão dos EUA na ONU esteve em Washington DC para falar sobre o tema com a imprensa.

O líder brasileiro, no púlpito das Nações Unidas, enviou uma mensagem direta:

“A exclusão da América Latina e da África de assentos permanentes no Conselho de Segurança é um eco inaceitável de práticas de dominação do passado colonial”.

Lula reabriu os canais diplomáticos e políticos com os Estados Unidos, que haviam sido congelados na administração brasileira anterior.

A relação entre as duas nações é frequentemente descrita como produtiva e de interesse mútuo.

Equipes de trabalho viajam entre Washington DC e Brasília para avançar em projetos conjuntos, especialmente no ano em que as relações diplomáticas entre os dois países celebram 200 anos.

A visão de mundo dos dois presidentes, no entanto, é clara.

Lula, mais uma vez, falou na ONU sobre o embargo a Cuba, afirmando que é errada a classificação do país caribenho em determinadas listas.

Lula e Biden coincidem na defesa da democracia, no combate ao extremismo, nas questões climáticas, em promover melhores condições de trabalho — agenda que foi tema, inclusive, de uma reunião bilateral em Nova York, há um ano — e na necessidade de investir em energia limpa.

Biden deixará a Casa Branca no início de janeiro de 2025.

Dependendo do resultado das eleições americanas deste ano, pautas globais convergentes podem se tornar opostas, distanciando — como já vimos em um passado recente — o diálogo diplomático entre os dois países.

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