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Líderes de Finlândia e Noruega falam com Putin sobre guerra

Alexander Stubb e Jonas Støre tiveram conversa por telefone com o presidente russo; iniciativa foi combinada com a Ucrânia

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André de Sena, com informações da Reuters
Reunião entre líderes Alexander Stubb, da Finlândia, Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, e Jonas Støre, da Noruega | Reprodução/Reuters

Reunião entre líderes Alexander Stubb, da Finlândia, Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, e Jonas Støre, da Noruega | Reprodução/Reuters

O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Støre, conversaram por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta terça-feira (27), em uma tentativa de convencê-lo a dar um fim à guerra contra a Ucrânia, que já se arrasta desde fevereiro de 2022.

“A conversa foi franca e substantiva. Somos países vizinhos da Rússia. O desfecho desta guerra terá um impacto direto sobre nossa segurança e a segurança europeia em geral. Para pôr fim à guerra, são necessárias discussões diretas”, afirmou Stubb em uma declaração conjunta com Støre.

O norueguês acrescentou: “A guerra acarreta enormes custos humanos e materiais. O sofrimento e a destruição afetarão gerações. Na conversa, enfatizamos a importância da redução da tensão.”

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Os dois líderes estavam juntos em Helsinque quando fizeram a ligação, que durou uma hora e trinta minutos.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, a iniciativa da dupla foi coordenada com Kiev.

“A Ucrânia quer pôr fim a esta guerra. Temos propostas viáveis. Precisamos de novas dinâmicas nos nossos esforços de paz para os acelerar, para encontrar um novo ímpeto, uma forma de injetar essa nova energia nos nossos esforços de paz”, declarou em uma coletiva de imprensa conjunta em Helsinque com seus homólogos finlandês e norueguês, após participarem da reunião do Conselho Nórdico.

Segundo um assessor do governo ucraniano, Stubb e Støre conversaram com Volodymyr Zelensky após finalizarem a ligação com Putin, que ocorreu uma semana após os três se encontrarem com o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, em Oslo.

Posicionamento russo

Tanto Finlândia quanto Noruega fazem fronteira com a Rússia e são integrantes da Otan, a aliança militar ocidental. O Kremlin se posicionou a respeito da conversa entre Putin, Stubb e Støre através de um comunicado.

“Foi enfatizado que a conquista de uma paz justa e duradoura só é possível se os interesses legítimos da Federação Russa forem levados em conta de forma plena e incondicional”, afirmou o governo russo. “Ao mesmo tempo, chamou-se a atenção para as políticas de confronto dos países da UE e da Otan, que estão contribuindo para o prolongamento das hostilidades.”

A iniciativa fino-norueguesa rompe com a prática adotada pelos líderes da Europa Ocidental de evitar contato direto com o Kremlin. A Dinamarca, que também faz parte da Otan, criticou a decisão de dialogar com Putin. “Acho que a Europa deveria permanecer unida, em vez de agir sozinha”, disse Frederiksen à emissora pública DR.

Relação entre Kiev e Washington

Os esforços de Finlândia e Noruega ocorrem em um momento no qual a relação entre Ucrânia e Estados Unidos é a pior desde o início da guerra.

Neste mês, o presidente Donald Trump tomou uma série de decisões desfavoráveis a Kiev, como a flexibilização das sanções contra Moscou e a retomada das compras de diesel produzido na Rússia. Ele também chegou a declarar que era hora de os ucranianos substituírem Zelensky por um novo líder.

O governo ucraniano também demonstrou insatisfação com a interrupção no compartilhamento de informações de inteligência e nos serviços de internet via satélite da SpaceX, que já foram retomados.

Pressionado por Trump, Zelensky aceitou realizar negociações trilaterais com os Estados Unidos e a Rússia. Elas estão previstas para ocorrer em novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.

Em muitas capitais da União Europeia, Trump é visto como imprevisível, errático e propenso a se aliar com Putin em detrimento de Zelensky.

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