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"Israel não parece estar interessado em um cessar-fogo", diz ONU após nova ofensiva em Gaza

Secretário-geral apontou para destruição massiva sistemática do enclave palestino e desproteção de civis

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Camila Stucaluc
17/09/2025, 05:17 • Atualizado em 17/09/2025, 05:17
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Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres | UN Photo/Eskinder Debebe

Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres | UN Photo/Eskinder Debebe

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse acreditar que Israel “não está interessado em um cessar-fogo sério” na Faixa de Gaza. A declaração foi dada na terça-feira (16), após Tel Aviv iniciar uma nova ofensiva terrestre na Cidade de Gaza, capital do território palestino.

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“Eu gostaria de ter um cessar-fogo imediato e, tendo um cessar-fogo imediato, uma força internacional capaz de proteger civis. Este seria um objetivo que eu valorizaria profundamente”, disse Guterres. “Mas, no momento atual, não parece que Israel esteja interessado a uma negociação para um cessar-fogo sério”, acrescentou.

Guterres já havia criticado o plano de Israel de voltar a invadir a Cidade de Gaza, alegando que a ação militar causaria novos deslocamentos forçados e a destruição de infraestruturas essenciais, como hospitais e abrigos. Reforçou, ainda, que os ataques provocariam mais um massacre de civis no enclave plaestino.

As preocupações foram descartadas por Tel Aviv. Os militares alegaram que a região é a sede militar do Hamas em Gaza e que a missão tem como objetivo “destruir” as estruturas do grupo — sobretudo a rede de túneis subterrâneos, utilizados pelos integrantes como rota de fuga e estoque de armas.

Na última semana, o governo israelense cogitou suspender a ofensiva, mas apenas se o Hamas concordasse com um novo acordo de cessar-fogo. O texto, enviado pelos Estados Unidos, inclui novos princípios estipulados por Israel, como a libertação imediata de todos os reféns em até 48h.

Inicialmente, o Hamas expressou “prontidão para sentar-se à mesa de negociações” e discutir os termos israelenses, em troca de garantias palestinas. Os diálogos, no entanto, esfriaram após Israel bombardear chefes do grupo palestino que estavam em Doha, no Catar, para as negociações. Ao todo, cinco membros morreram, entre eles o filho de Khalil Al-Hayya, o principal negociador das conversas de paz.

“Após os terríveis ataques do Hamas, o mundo testemunhou uma destruição massiva de bairros, agora a destruição sistemática da Cidade de Gaza. Estamos testemunhando uma matança massiva de civis de uma forma que não me lembro em nenhum conflito desde que sou Secretário-Geral. O povo palestino está sofrendo”, disse Guterres.

Genocídio em Gaza

Um inquérito independente da Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu, pela primeira vez, que Israel está cometendo genocídio contra palestinos em Gaza. Segundo os investigadores, as tropas israelenses cometeram quatro dos cinco atos genocidas definidos pela Convenção de 1948: assassinatos, danos graves, desnutrição forçada e restrição a nascimentos.

O relatório seguiu a revisão das operações militares israelenses em Gaza, que “deixaram um número sem precedentes de mortos e feridos palestinos” — atualmente em 65 mil e 164 mil, respectivamente. Também foi observado o bloqueio parcial imposto por Israel em relação à entrada de ajuda humanitária em Gaza, que vem levando milhares de palestinos à desnutrição e, em alguns casos, à morte.

O embaixador de Israel na ONU, Danny Hanon, rejeitou as conclusões da Comissão. Para ele, o relatório "promove uma narrativa que serve ao Hamas e seus apoiadores na tentativa de deslegitimar e demonizar o Estado de Israel”. “O relatório acusa falsamente Israel de intenção genocida, uma alegação que não pode comprovar”, frisou.

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