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Comissão da ONU afirma que Israel está cometendo genocídio em Gaza

Investigadores apontaram para assassinatos em massa e bloqueio de alimentos no enclave palestino; Tel Aviv rejeita acusações

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Camila Stucaluc
16/09/2025, 10:11 • Atualizado em 16/09/2025, 10:19
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Guerra em Gaza começou em outubro de 2023 | Reprodução/Twitter

Guerra em Gaza começou em outubro de 2023 | Reprodução/Twitter

Um inquérito independente da Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu, pela primeira vez, que Israel está cometendo genocídio contra palestinos na Faixa de Gaza. O documento foi divulgado nesta terça-feira (16), poucas semanas antes da guerra entre Israel e Hamas completar dois anos.

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Segundo os investigadores, as tropas israelenses cometeram, a mando das autoridades do país, quatro dos cinco atos genocidas definidos pela Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime e Genocídio, de 1948. São eles:

  • assassinar membros de um determinado grupo;
  • causar-lhes danos corporais ou mentais graves;
  • infligir condições de vida calculadas para causar desnutrição;
  • impor medidas destinadas a prevenir nascimentos.

A afirmação dos investigadores segue a revisão das operações militares israelenses em Gaza, que “deixaram um número sem precedentes de mortos e feridos palestinos”. Na segunda-feira (15), a relatora da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, disse que o número de óbitos, atualmente em 65 mil, pode chegar aos 680 mil.

“Devemos começar a pensar em 680 mil, porque este é o número que alguns acadêmicos e investigadores apontam como a verdadeira cifra de mortos em Gaza. Se este número se confirmar, 380 mil serão crianças com menos de cinco anos”, afirmou ela.

Para o relatório, os investigadores também analisaram o bloqueio parcial imposto por Israel em relação à entrada de ajuda humanitária em Gaza. Segundo eles, quase um milhão de pessoas permanecem na Cidade de Gaza, onde muitos apresentam quadros de desnutrição grave, enquanto outros morrem de fome.

Ainda foram observadas denúncias da "destruição sistemática" da saúde e da educação em Gaza, sobretudo devido aos bombardeios israelenses contra hospitais e escolas, e atos "sistemáticos" de violência sexual e de gênero contra palestinos.

"A Comissão considera que Israel é responsável pela comissão de genocídio em Gaza. Está claro que há uma intenção de destruir os palestinos em Gaza por meio de atos que atendam aos critérios estabelecidos na Convenção do Genocídio”, disse Navi Pillay, presidente da Comissão que investigou o caso.

Israel rejeita acusação

O embaixador de Israel na ONU, Danny Hanon, rejeitou as conclusões da Comissão. Para ele, o relatório "promove uma narrativa que serve ao Hamas e seus apoiadores na tentativa de deslegitimar e demonizar o Estado de Israel”. “O relatório acusa falsamente Israel de intenção genocida, uma alegação que não pode comprovar”, frisou.

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