Irã diz que guerra econômica trará "mais derrotas" aos EUA
Ministro das Relações Exteriores afirmou que decisão do presidente Donald Trump foi uma distração dos problemas econômicos norte-americanos

Declaração foi dada pelo inistro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi | Reuters
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, respondeu nesta quinta-feira (20) a ameaça de “guerra econômica” dos Estados Unidos. O diplomata classificou a medida como uma distração dos problemas econômicos norte-americanos e alertou que a pressão trará mais derrotas a Washington.
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“O chamado ‘Dia D Econômico’ é uma distração da própria crise americana: dívida sem precedentes e custos de juros em alta. Reforçar políticas fracassadas só trará mais derrotas — e inimizade dos iranianos. O terrorismo econômico dos EUA ameaça a economia global e a soberania mundial”, disse Araqchi.
A guerra econômica contra o Irã foi anunciada na noite de quarta-feira (19) pelo presidente Donald Trump. Sem fornecer detalhes, o republicano afirmou que promoverá um isolamento econômico em "escala sem precedentes" sobre o regime iraniano, e ameaçou com “consequências econômicas tremendas” qualquer país que mantiver negócios com Teerã.
O objetivo da medida, segundo Trump, é pressionar o regime iraniano a chegar a um novo acordo nuclear. “Este será um Dia D Econômico, e precisamos que todos os nossos aliados estejam ao lado dos Estados Unidos para isolar e derrotar a ameaça iraniana. O Irã nunca terá uma arma nuclear”, afirmou.
Entenda
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. Um memorando de entendimento foi firmado entre os países em junho, ampliando a trégua para 60 dias, visando chegar a um acordo nuclear definitivo. O prazo, no entanto, terminou nesta semana sem uma solução entre os países.















