Investidores dos EUA participam de evento em SP nesta sexta de olho em minerais críticos
Evento da Câmara Americana de Comércio, porém, foi ofuscado pela revogação do visto de enviado de Trump pelo Itamaraty


Reuters
Os Estados Unidos buscam uma parceria "ganha-ganha" com o Brasil para expandir as cadeias de fornecimento de minerais críticos em evento nesta quarta-feira (18) em São Paulo, onde investidores norte-americanos vão se reunir com empresas de mineração com atuação no país, disse à Reuters um porta-voz da embaixada dos EUA.
O evento da Câmara Americana de Comércio (Amcham), no entanto, acabou ofuscado em meio ao desgaste das relações entre EUA e o Brasil. Autoridades federais brasileiras convidadas decidiram não participar da conferência, descrita como o maior evento de minerais críticos do governo norte-americano na América Latina em 2026, nas palavras do porta-voz.
A decisão veio depois de o assessor para o Brasil do Departamento de Estado, Darren Beattie, pedir autorização judicial para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão, numa iniciativa vista como tentativa de interferência nos assuntos internos do Brasil.
Apesar de não ser especialista no tema, Beattie iria assistir ao evento, e essa foi uma das justificativas para o pedido de visto que fez ao governo brasileiro.
O visto de Beattie acabou sendo revogado depois que o Itamaraty constatou que o pedido foi feito sob o que foi considerado "falsas premissas", já que ele alegava que teria reuniões com o governo brasileiro, mas nenhum pedido de reunião havia sido feito.
Também houve um descontentamento com o fato de a embaixada norte-americana negociar um memorando de entendimento na área com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), opositor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O memorando, que será assinado nesta quarta, foi visto como uma tentativa de contornar o governo federal.
Ainda assim, Washington espera assinar um acordo mais amplo com o governo federal, segundo o porta-voz americano. Ele disse que os EUA têm interesse em estabelecer parceria com o Brasil para desenvolver capacidades de processamento, uma prioridade para Lula.
Não apenas o próprio presidente reforça isso em declarações públicas, como a premissa de ter o processamento dos minérios no Brasil tem sido usada como a base para qualquer política ou acordo que o país assine.
Autoridades norte-americanas veem potencial para bilhões de dólares em investimentos e identificaram mais de 50 projetos de mineração no Brasil que poderiam fortalecer os esforços internacionais de diversificação do fornecimento, reduzindo o domínio da China sobre os minerais. O Brasil, nesse aspecto, é visto como prioridade.
De acordo com uma fonte que acompanha as negociações, o tema dos minerais críticos está sendo tratado em negociações diplomáticas entre o governo brasileiro e o Departamento de Comércio norte-americano (USTR, na sigla em inglês), com vistas a uma possível viagem de Lula a Washington, e engloba vários temas. A visita ainda não tem data marcada.
Mais de 100 empresas e representantes de vários governos estaduais devem participar do evento, onde empresas de mineração poderão apresentar propostas a investidores americanos.









