Mundo

Intervenção da CIA na Venezuela não seria primeira dos EUA em outros países

Medida foi anunciada por Trump, que não quis informar se a agência tem autoridade para matar Nicolás Maduro; presidente venezuelano fala em golpe de Estado

Avatar de Giovanna Colossi
Giovanna Colossi
Trump e Nicolás Maduro

Trump e Nicolás Maduro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (15) que autorizou a Agência Central de Inteligência do país (CIA, na sigla em inglês) a conduzir ações secretas na Venezuela.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O New York Times relatou pela primeira vez a diretriz confidencial, citando autoridades norte-americanas familiarizadas com a decisão. Segundo o jornal, com a medida, a CIA fica autorizada a realizar operações letais na Venezuela. Ao ser questionado por jornalistas, Trump, contudo, não quis responder se a agência tem autoridade para matar o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

As fontes ouvidas pela publicação, no entanto, informaram que a estratégia do governo Trump para a Venezuela, desenvolvida pelo Secretário de Estado Marco Rubio, com a ajuda de John Ratcliffe, o diretor da CIA, visa tirar Maduro do poder.

O líder norte-americano alega que o homólogo lidera um cartel de drogas e tem auxiliado no tráfico de drogas aos EUA, o que Maduro nega.

Ainda na quarta-feira (15), o líder venezuelano — que chegou ao poder em 2013, após a morte de Hugo Chávez, e manteve o projeto bolivariano que sempre se opôs aos EUA — acusou Trump de planejar um golpe de Estado.

“Não à mudança de regime que tanto nos lembra as guerras intermináveis e fracassadas no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e assim por diante. Não aos golpes de Estado orquestrados pela CIA, que nos recordam os 30 mil desaparecidos nos golpes apoiados pela CIA na Argentina; o golpe de Pinochet e os 5 mil jovens que foram mortos ou desapareceram. Até quando golpes da CIA? A América Latina não os quer, não precisa deles e os rejeita. Portanto, a paz deve ser conquistada e preservada.”, discursou Maduro para apoiadores.

Essa não seria a primeira tentativa do republicano de tirar o chavista do poder. Ainda em seu primeiro mandado, em 2016, Trump chegou a reconhecer Juan Guaído, líder da oposição venezuelana, como presidente interino do país latino-americano, depois que Maduro foi eleito para um segundo mandato em uma eleição questionada pela oposição e potências como os EUA e União Europeia.

Intervenções externas da CIA

Essa também não seria a primeira intervenção externa da CIA em países sob a zona de influência dos Estados Unidos e em regimes hostis ao país. Documentações desclassificadas, disponíveis publicamente na CIA Reading Room, descrevem desde campanhas de desinformação até o financiamento de forças opositoras e ações militares indiretas no Irã, na Guatemala, no Brasil, na Bolívia, além de outros países. Veja alguns exemplos abaixo:

Irã (1953): a derrubada de Mossadegh

O estudo interno The Road to Covert Action in Iran, mostra que a CIA executou a Operação Ajax, que resultou na queda do primeiro-ministro Mohammad Mossadegh. O plano previa propaganda anticomunista, suborno de políticos e militares e mobilização de protestos de rua para restaurar o xá Mohammad Reza Pahlavi ao poder. Documentos posteriores, como o estudo interno Zendebad, Shah!, detalham o envolvimento direto da agência.

Guatemala (1954): Operação PBSUCCESS

Nos arquivos sobre a Operação PBSUCCESS, a CIA reconhece ter orquestrado a derrubada do presidente Jacobo Árbenz, eleito democraticamente. A agência financiou e treinou exilados guatemaltecos, organizou transmissões de rádio clandestinas e espalhou desinformação para "criar pânico e justificar o golpe". Um dos documentos, Status of PBSUCCESS mostra o andamento da operação e o apoio logístico fornecido pelos EUA.

Chile (1973): o caminho até o golpe de Pinochet

Relatórios da CIA, como o President’s Daily Brief de 25 de agosto de 1973, revelam que a agência financiou partidos opositores, influenciou meios de comunicação e manteve contato com militares chilenos antes do golpe que depôs o presidente Salvador Allende. Outro documento, confirma a existência de uma “ação encoberta” com o objetivo de desestabilizar o governo socialista.

Brasil (1964): apoio à deposição de João Goulart

Documentos do Departamento de Estado e da CIA, reunidos em coleções do Foreign Relations of the United States (FRUS), mostram que Washington acompanhou de perto a crise política brasileira. Memorandos registram o apoio logístico e político a militares alinhados aos interesses norte-americanos, inclusive com planos de contingência naval para auxiliar o golpe que derrubou o presidente João Goulart.

Congo (1960–1965): o caso Lumumba

Nos arquivos sobre o Congo, a CIA admite ter conduzido “operações encobertas” durante o período de independência. Relatórios internos discutem planos para neutralizar o primeiro-ministro Patrice Lumumba, acusado de simpatizar com o bloco soviético, além de atividades para apoiar líderes militares pró-Ocidente.

República Dominicana (1965): influência em meio à guerra civil

Os relatórios de situação da CIA descrevem a atuação da agência durante a crise dominicana de 1965, quando forças dos EUA intervieram para conter o avanço de grupos considerados de esquerda. Os documentos detalham apoio político e logístico a facções favoráveis aos interesses de Washington e o monitoramento constante da situação no terreno.

Bolívia (1964): apoio a militares pró-EUA

Relatórios como o Situation in Bolivia mostram que a CIA acompanhou de perto a queda do presidente Víctor Paz Estenssoro e a ascensão do general René Barrientos. Os arquivos revelam contatos com lideranças militares e preocupação com o alinhamento político da Bolívia durante a Guerra Fria.

Indonésia (1958–1965): apoio a rebeliões regionais

Em relatórios internos como o Research Study — Indonesia, a CIA reconhece ter fornecido apoio logístico a movimentos separatistas contrários ao governo de Sukarno, sob o pretexto de conter a influência comunista. A agência também monitorou e analisou de perto os eventos que levaram ao massacre anticomunista de 1965.

Cuba (1961): invasão da Baía dos Porcos

O estudo Official History of the Bay of Pigs Operation detalha o fracasso da invasão organizada pela CIA, em que exilados cubanos foram treinados e financiados para derrubar Fidel Castro. Os volumes desclassificados incluem planos operacionais, listas de treinamento e análises internas sobre as causas do desastre militar.

Nicarágua (1980): financiamento dos Contras

Durante o conflito entre o governo sandinista e os rebeldes, a CIA manteve operações de apoio a grupos armados anticomunistas, conhecidas como parte do escândalo Irã-Contras. Os documentos da agência sobre o episódio revelam fornecimento de armas e fundos desviados de operações secretas no Oriente Médio.

Há também registros de intervenções da CIA no Iraque (1958), Jordânia (1958), Laos (1960), Angola e Moçambique (1965), Uruguai (1969-71), Vietnã (1955), Costa Rica (1954-56) e Egito (1952).

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Saiba como funcionará o impedimento semiautomático da CBF

Saiba como funcionará o impedimento semiautomático da CBF

Imagem da notícia: OpenAI diz que modelo de IA saiu do controle durante testes

OpenAI diz que modelo de IA saiu do controle durante testes

Imagem da notícia: O que se sabe sobre a morte da capitã da PM em BH

O que se sabe sobre a morte da capitã da PM em BH

Imagem da notícia: Santos goleia UCV e fica perto das oitavas da Sul-Americana

Santos goleia UCV e fica perto das oitavas da Sul-Americana

Imagem da notícia: Saiba como funcionará o impedimento semiautomático da CBF

Saiba como funcionará o impedimento semiautomático da CBF

Imagem da notícia: OpenAI diz que modelo de IA saiu do controle durante testes

OpenAI diz que modelo de IA saiu do controle durante testes

Imagem da notícia: O que se sabe sobre a morte da capitã da PM em BH

O que se sabe sobre a morte da capitã da PM em BH

Imagem da notícia: Santos goleia UCV e fica perto das oitavas da Sul-Americana

Santos goleia UCV e fica perto das oitavas da Sul-Americana

Últimas notícias

Regras para trabalho em feriados no comércio são alteradas

⁠Ministro do Trabalho assinou portaria que exige negociação coletiva em 12 categorias do comércio

Governo aguarda nova tarifa dos EUA antes de definir ajuda

Ministério da Indústria espera anúncio de possível sobretaxa de 12,5% na sexta-feira; nova rodada de tarifas da Casa Branca deve atingir cerca de 60 países

Alckmin nega retaliação, mas prevê reciprocidade contra EUA

Vice-presidente diz que lei será aplicada “no momento oportuno, da forma adequada”; governo espera tarifa adicional de 12,5% na sexta-feira (24)

Homem parcialmente sugado de avião revive trauma ao dormir

Ljubisa Karović, de 61 anos, revelou que ainda ouve o estrondo da janela se rompendo sempre que fecha os olhos à noite

Zelensky anuncia troca no comando militar após protestos

Presidente da Ucrânia nomeia general de 43 anos para liderar as Forças Armadas após mudanças no governo e pressão por estratégias no conflito com a Rússia

Neymar e Gabigol são preservados para jogo da Sula

Camisa 10 do Santos segue cronograma individual após a Copa do Mundo e permanece no Brasil, enquanto centroavante também está fora da viagem