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Hong Kong: ativista pró-democracia é condenado a prisão

Joshua Wong é acusado de conluio com entidades estrangeiras para impôr sanções e bloqueios na região administrada pela China

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Por André de Sena e com informações da Reuters
Ativista pró-democracia hong-konguês Joshua Wong, setenciado a dez anos de prisão | Reprodução/Reuters

Ativista pró-democracia hong-konguês Joshua Wong, setenciado a dez anos de prisão | Reprodução/Reuters

A Justiça de Hong Kong condenou nesta quinta-feira (5) o ativista pró-democracia Joshua Wong a dez anos de prisão. Ele foi considerado culpado pela acusação de conluio com entidades estrangeiras para que países, instituições, organizações ou indivíduos de fora da China impusessem sanções, bloqueios ou se envolvessem em outras atividades hostis.

O crime teria ocorrido no segundo semestre de 2020, em meio a uma onda de manifestações a favor da democracia e contra a influência chinesa em Hong Kong, que é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China desde 1997, quando deixou de ser colônia britânica.

“É incrivelmente difícil e emocionalmente pesado. Sinto muita pena dele também, mas não há muito que possamos fazer. Dado o ambiente em que vivemos agora, tudo o que realmente podemos fazer é encorajar e apoiar uns aos outros”, comentou Figo Chan, ativista pró-democracia e ex-coordenador da Frente Civil de Direitos Humanos

A sentença de dez anos de prisão foi inferior à pena máxima prevista para esse tipo de crime, que é de prisão perpétua. A acusação contra Wong foi baseada na lei de segurança nacional implantada em Hong Kong por Pequim em meio às manifestações de 2020.

Os casos de Wong e outros ativistas envolvidos nos protestos estão sendo acompanhados de perto por grupos internacionais de direitos humanos e alguns países ocidentais.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que as partes envolvidas devem respeitar a soberania da China e o sistema jurídico de Hong Kong. Ele também pediu que agentes estrangeiros parem de fazer comentários irresponsáveis ​​sobre o tratamento de casos judiciais na Região Administrativa Especial.

"Joshua Wong cometeu o crime de conspiração com países estrangeiros ou forças estrangeiras para pôr em risco a segurança nacional, o que é um crime grave. Diante dos inúmeros fatos e provas, ele não conseguiu se defender e optou por se declarar culpado", disse o porta-voz.

"O governo central da China apoia firmemente Hong Kong na salvaguarda da segurança nacional e na repressão de atos que a ponham em risco, em conformidade com a lei", acrescentou Guo Jiakun.

Wong já havia recebido uma outra condenação a prisão em 2024, quando foi sentenciado a quatro anos e oito meses de cárcere por cometer o crime de conspiração para subverter o poder estatal.

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