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Guerra no Sudão: imagens de satélite mostram manchas de sangue após massacre em El-Fasher

Rebeldes paramilitares tomaram último reduto do Exército sudanês no último domingo (26); imagens indicam a morte de mais de 2 mil pessoas

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Giovanna Colossi
30/10/2025, 14:24 • Atualizado em 30/10/2025, 14:27
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Imagens de satélite indicam que mais de 2 mil pessoas foram mortas | Reprodução

Imagens de satélite indicam que mais de 2 mil pessoas foram mortas | Reprodução

Imagens de satélite verificadas pelo Laboratório de Pesquisa Humanitária da Escola de Saúde Pública de Yale capturaram manchas vermelhas que, segundo especialistas, indicam a presença de sangue de vítimas de um massacre em Darfur, no Sudão. Estima-se que mais de 2 mil pessoas tenham sido mortas. O episódio marca um novo nível de brutalidade na guerra civil que assola o país há mais de dois anos.

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O conflito começou em abril de 2023, após disputas de poder entre o Exército regular sudanês (SAF) e a força paramilitar Rapid Support Forces (RSF). A luta pelo controle do território — especialmente na capital, Cartum, e na região de Darfur — devastou o país e levou a ONU a classificar a situação como a maior crise humanitária do mundo.

De acordo com dados da organização, mais de 30 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária urgente. Quase 25 milhões enfrentam insegurança alimentar severa e 637 mil já se encontram em situação de fome extrema. Hospitais foram destruídos, o sistema de saúde entrou em colapso e doenças como cólera e malária se espalham rapidamente. Milhões de sudaneses estão deslocados dentro do país ou buscaram refúgio em nações vizinhas.

A queda de El-Fasher

A ofensiva mais recente foi em El-Fasher, em Darfur do Norte. Último reduto significativo do Exército sudanês, a região ocidental de Darfur caiu nas mãos das RSF no último domingo (26), após um cerco de 18 meses. Durante o bloqueio, a população foi privada de comida e mergulhou em uma grave crise de fome.

Relatórios apontam pelo menos 1.500 mortos em ataques da RSF, que incluem execuções sumárias, estupros e a destruição de comunidades inteiras. A Liga Árabe e a União Africana condenaram os episódios, descrevendo-os como "massacres sistemáticos", enquanto grupos de direitos humanos alertam para o risco de genocídio.

Segundo relatos de sobreviventes e organizações humanitárias, corroborados por imagens de satélite e vídeos divulgados nas redes sociais, combatentes da RSF espancaram e atiraram em homens que tentavam fugir da cidade sitiada.

Massacre em hospital

A tomada da capital também foi marcada por outro massacre: no Hospital Maternidade Saudita, onde mais de 460 pacientes e seus acompanhantes foram assassinado e seis profissionais de saúde sequestrados.

A informação foi confirmada pelo Laboratório de Pesquisa Humanitária de Yale e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que condenou o que chamou de "ataques horríveis à assistência médica".

Imagens de satélite coletadas em 28 de outubro mostram a presença de objetos brancos no terreno do hospital, possivelmente corpos cobertos. Três agrupamentos foram identificados junto à parede sul de três prédios, com objetos entre 1,1 e 1,9 metro de comprimento.

Situação humanitária

Mais de 260 mil pessoas permanecem presas em El-Fasher, sem acesso a alimentos, água potável ou assistência médica, segundo a ONU. A escalada da violência forçou cerca de 28 mil pessoas a fugirem da cidade nos últimos dias — 26 mil em direção a áreas rurais e cerca de 2 mil para Tawila. A expectativa é que mais de 100 mil pessoas se desloquem para a região nas próximas semanas, somando-se às 575 mil já deslocadas.

Grande parte das vítimas são mulheres e crianças desacompanhadas, que enfrentam falta de abrigo, comida e atendimento médico.

Diante da escalada de violência no conflito, o Conselho de Segurança da ONU marcou uma reunião de emergência para esta quinta (30) para discutir a guerra no Sudão.

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