Ex-presidente do Kosovo é condenado por crimes de guerra
Tribunal internacional julgou Hashim Thaçi por atos cometidos quando ele liderava combatentes contra a Sérvia, entre 1998 e 1999
A
André de Sena, com informações da Reuters
Hashim Thaçi, ex-presidente do Kosovo | Reprodução/Reuters
O ex-presidente do Kosovo Hashim Thaçi, de 58 anos, foi condenado nesta quarta-feira (16) a 25 anos de prisão por cometer crimes de guerra, como detenção ilegal, tortura e homicídio.
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Os atos foram praticados durante a Guerra do Kosovo (1998 - 1999), quando Thaçi liderava o Exército de Libertação do Kosovo (ELK), de etnia albanesa, que lutava para que o país se tornasse independente da Sérvia, objetivo que só foi conquistado quase uma década após o fim do conflito, em 2008.
A sentença foi proferida por um tribunal internacional instalado em Haia, nos Países Baixos, para julgar os crimes cometidos durante a Guerra do Kosovo. A corte considera Thaçi culpado pelo assassinato de 96 oponentes políticos e supostos colaboradores das forças de segurança sérvias, pela detenção ilegal e arbitrária de 385 vítimas, pela tortura de 303 pessoas e por tratamento cruel contra outras 49 vítimas.
"O plano era tão simples quanto prejudicial. Em particular, envolvia: estabelecer centros de detenção em todas as áreas controladas pelo ELK; identificar indivíduos vistos como opositores do ELK; e prendê-los e detê-los e, se necessário, matá-los", disse o juiz presidente Charles Smith.
De acordo com o magistrado, as vítimas eram mantidas em condições desumanas, espancadas, confinadas em celas minúsculas e privadas de alimentação adequada ou assistência médica, sendo que nenhuma delas participava ativamente das hostilidades relacionadas ao conflito quando os crimes foram cometidos.
Thaçi, que já havia negado todas as acusações, permaneceu em silêncio durante a leitura da sentença. Ele ainda pode recorrer da decisão. Seu período como presidente teve início mais de 15 anos após o fim da guerra, se estendendo de 2016 a 2020.
O ex-líder do Exército de Libertação do Kosovo ainda é reverenciado por grande parte da população do país, que possui pouco mais de 1,5 milhão de habitantes. Na capital, Pristina, pessoas assistiram à sessão do tribunal por um telão e vaiaram a decisão da corte. Algumas chegaram a cair em prantos, enquanto outras gritavam “Thaçi, Thaçi".
“Este veredicto é vergonhoso. A partir de hoje, não haverá paz no Kosovo”, disse Raif Pllana, um ex-combatente do Exército de Libertação.
Kosovares também se reuniram em frente à sede do tribunal, em Haia, para demonstrar apoio ao ex-presidente.
O tribunal responsável pelo caso Thaçi foi instituído em 2015, recebendo o nome de Câmaras Especializadas do Kosovo. Sua criação foi uma resposta à pressão internacional para julgar ex-combatentes que teriam cometido crimes durante o conflito.
Ex-presidente do Kosovo é condenado por crimes de guerraTribunal internacional julgou Hashim Thaçi por atos cometidos quando ele liderava combatentes contra a Sérvia, entre 1998 e 1999Mundo2026-09-16T13:49:32.995ZO ex-presidente do Kosovo Hashim Thaçi, de 58 anos, foi condenado nesta quarta-feira (16) a 25 anos de prisão por cometer crimes de guerra, como detenção ilegal, tortura e homicídio. Os atos foram praticados durante a Guerra do Kosovo (1998 - 1999), quando Thaçi liderava o Exército de Libertação do Kosovo (ELK), de etnia albanesa, que lutava para que o país se tornasse independente da Sérvia, objetivo que só foi conquistado quase uma década após o fim do conflito, em 2008. A sentença foi proferida por um tribunal internacional instalado em Haia, nos Países Baixos, para julgar os crimes cometidos durante a Guerra do Kosovo. A corte considera Thaçi culpado pelo assassinato de 96 oponentes políticos e supostos colaboradores das forças de segurança sérvias, pela detenção ilegal e arbitrária de 385 vítimas, pela tortura de 303 pessoas e por tratamento cruel contra outras 49 vítimas. "O plano era tão simples quanto prejudicial. Em particular, envolvia: estabelecer centros de detenção em todas as áreas controladas pelo ELK; identificar indivíduos vistos como opositores do ELK; e prendê-los e detê-los e, se necessário, matá-los", disse o juiz presidente Charles Smith. De acordo com o magistrado, as vítimas eram mantidas em condições desumanas, espancadas, confinadas em celas minúsculas e privadas de alimentação adequada ou assistência médica, sendo que nenhuma delas participava ativamente das hostilidades relacionadas ao conflito quando os crimes foram cometidos. Thaçi, que já havia negado todas as acusações, permaneceu em silêncio durante a leitura da sentença. Ele ainda pode recorrer da decisão. Seu período como presidente teve início mais de 15 anos após o fim da guerra, se estendendo de 2016 a 2020. O ex-líder do Exército de Libertação do Kosovo ainda é reverenciado por grande parte da população do país, que possui pouco mais de 1,5 milhão de habitantes. Na capital, Pristina, pessoas assistiram à sessão do tribunal por um telão e vaiaram a decisão da corte. Algumas chegaram a cair em prantos, enquanto outras gritavam “Thaçi, Thaçi". “Este veredicto é vergonhoso. A partir de hoje, não haverá paz no Kosovo”, disse Raif Pllana, um ex-combatente do Exército de Libertação. Kosovares também se reuniram em frente à sede do tribunal, em Haia, para demonstrar apoio ao ex-presidente. O tribunal responsável pelo caso Thaçi foi instituído em 2015, recebendo o nome de Câmaras Especializadas do Kosovo. Sua criação foi uma resposta à pressão internacional para julgar ex-combatentes que teriam cometido crimes durante o conflito. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/ex-presidente-do-kosovo-e-condenado-por-crimes-de-guerra