Economia

Prévia do PIB cai 0,2% em julho, mais que o esperado

Indicador do Banco Central recua pelo segundo mês consecutivo, com quedas na agropecuária e na indústria; no acumulado do ano, registra alta de 1,5%

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Caio Barcellos
Indústria | Divulgação/Miguel Ângelo/CNI

Indústria | Divulgação/Miguel Ângelo/CNI

A atividade econômica brasileira recuou 0,2% em julho de 2026 na comparação com junho, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), conhecido como prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que apontavam para uma queda de 0,1%, conforme pesquisa da Reuters.

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O indicador registrou a segunda retração mensal consecutiva, após recuar 0,9% em junho, de acordo com a série revisada pelo BC.

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Apesar do resultado negativo na comparação mensal, a atividade econômica cresceu 1,1% em relação a julho de 2025. No acumulado do ano, de janeiro a julho, o indicador registra alta de 1,5% -mesmo percentual registrado nos últimos 12 meses.

Agropecuária e indústria puxam baixa

Na abertura por setores, a agropecuária apresentou a maior retração, de 1,2%, seguida pela indústria, com queda de 0,4%.

"No nosso entendimento, um dos principais fatores que pode ter contribuído para o resultado negativo do índice para o setor agropecuário esteja relacionado à queda nas exportações de carne bovina em julho, devido ao atingimento das quotas de importação da China. Entre junho e julho, as exportações recuaram 18,6% em volume e cerca de 50% em receita", disse Vitor Andrioli, gerente de Inteligência de Mercado na StoneX.

Para Gesner Oliveira, sócio da GO Associados e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o desempenho negativo da indústria reflete os efeitos dos juros elevados sobre os custos de produção, especialmente na indústria de transformação.

"O mau desempenho da indústria (-0,4%) não é surpresa, uma vez que o setor é o que acumula menor alta no ano corrente, em decorrência do ambiente de juros altos, que pressiona os custos no setor (em particular na indústria de transformação), apesar do desempenho positivo da indústria extrativa", afirma.

Já os serviços ficaram praticamente estáveis, enquanto o componente de impostos recuou 0,2%. O IBC-Br que exclui a agropecuária, utilizado para acompanhar o desempenho dos demais setores sem a influência da produção rural, caiu 0,1%.

"Este resultado deve-se principalmente ao mau desempenho dos serviços de transporte no acumulado do ano, em decorrência do aumento do preço do diesel decorrente da guerra no Oriente Médio", avaliou Gesner Oliveira.

O índice também apresentou retração de 0,3% no trimestre encerrado em julho, em comparação com os três meses imediatamente anteriores, considerando os dados ajustados para eliminar efeitos típicos de cada época do ano.

O resultado de julho ocorre após o PIB brasileiro crescer 0,5% no segundo trimestre, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1º de setembro. Na comparação com o mesmo período de 2025, a economia avançou 2%

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