Copom inicia reunião com expectativa de novo corte nos juros
Mercado espera corte de 0,25 ponto na Selic, para 13,75% ao ano; redução da inflação e atividade mais fraca abrem espaço, mas riscos fiscal e externo pesam
Caio Barcellos
Agenda do Poder: Copom vai anunciar nova taxa de juros nesta 4ª
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou nesta terça-feira (15) a reunião que definirá o novo patamar da Selic, a taxa básica de juros. A decisão será anunciada na noite de quarta-feira (16), com a expectativa predominante de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, dos atuais 14% para 13,75% ao ano.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
A perspectiva de redução ganhou força após novos sinais de desaceleração da inflação e da atividade econômica, embora economistas avaliem que o BC deve manter um discurso cauteloso diante das expectativas de inflação ainda acima da meta, das incertezas fiscais e de um ambiente externo mais pressionado.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,32% em agosto, enquanto a economia passou a mostrar de forma mais clara os efeitos dos juros elevados. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre, mas o consumo das famílias recuou 0,4%.
A produção industrial avançou 0,2% em julho, abaixo da expectativa de 0,5%, enquanto o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) recuou 0,64% em junho, ante projeção de queda de 0,50%. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego permaneceu em 5,3%, mas o Caged registrou a criação de 58,6 mil vagas formais, quase metade das 115 mil esperadas.
Segundo Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, parte da melhora da inflação veio de fatores temporários, como o bônus de Itaipu nas contas de energia, mas há também sinais mais consistentes de desaceleração dos preços de serviços.
“O processo de desinflação corrente, somado à moderação mais clara da atividade, deve dar ao Copom conforto para estender o ciclo por mais uma reunião”, afirma. A Oby projeta outro corte da mesma magnitude em novembro e manutenção em dezembro, com a Selic em 13,50% no fim de 2026.
Mercado vê corte como cenário mais provável
Em relatório assinado por Luis Felipe Vital, chefe de Estratégia Macro e Dívida Pública, a Warren Rena afirma que os contratos futuros de juros indicavam redução próxima de 0,25 ponto percentual, enquanto opções digitais apontavam probabilidade de 95% de corte.
“Acreditamos não haver elementos novos que justifiquem uma alteração na atual condução da política monetária e que o Banco Central deve seguir cortando gradualmente a taxa Selic em 25 pontos-base, levando-a para 13,75% na próxima reunião”, diz.
A Warren Rena avalia ainda que o BC deverá evitar compromissos explícitos sobre os próximos passos diante do nível elevado de incerteza.
O Santander também espera uma redução nesta quarta-feira, mas, diferentemente da Oby Capital, trabalha com uma pausa no ciclo depois de setembro. O modelo do banco para a inflação no horizonte relevante do BC passou de 3,2% para 3,3%, principalmente pela piora das expectativas do Boletim Focus e pela alta do petróleo.
Apesar da melhora recente, os analistas ainda apontam fatores que restringem o espaço para cortes mais rápidos. Para Cavalcanti, um dos principais pontos de preocupação está nas expectativas de inflação para 2027, que permanecem distantes da meta de 3% -com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, entre 1,5% e 4,5%.
A situação fiscal também permanece entre os fatores de preocupação, já que, na avaliação do gestor, a ausência de uma trajetória mais clara para as contas públicas pode dificultar a reancoragem das expectativas de inflação e levar o BC a manter cautela na condução dos próximos cortes.
No cenário internacional, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) também se reúne nesta semana, em meio a pressões inflacionárias e à alta dos preços de energia. Uma eventual elevação dos juros americanos reduziria a diferença entre as taxas dos dois países, o que pode pressionar o câmbio brasileiro e limitar cortes mais agressivos da Selic, enquanto a alta do petróleo adiciona risco à trajetória da inflação.
Copom inicia reunião com expectativa de novo corte nos jurosMercado espera corte de 0,25 ponto na Selic, para 13,75% ao ano; redução da inflação e atividade mais fraca abrem espaço, mas riscos fiscal e externo pesamEconomia2026-09-15T18:07:36.170ZO Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou nesta terça-feira (15) a reunião que definirá o novo patamar da Selic, a taxa básica de juros. A decisão será anunciada na noite de quarta-feira (16), com a expectativa predominante de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, dos atuais 14% para 13,75% ao ano. A perspectiva de redução ganhou força após novos sinais de desaceleração da inflação e da atividade econômica, embora economistas avaliem que o BC deve manter um discurso cauteloso diante das expectativas de inflação ainda acima da meta, das incertezas fiscais e de um ambiente externo mais pressionado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,32% em agosto, enquanto a economia passou a mostrar de forma mais clara os efeitos dos juros elevados. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre, mas o consumo das famílias recuou 0,4%. A produção industrial avançou 0,2% em julho, abaixo da expectativa de 0,5%, enquanto o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) recuou 0,64% em junho, ante projeção de queda de 0,50%. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego permaneceu em 5,3%, mas o Caged registrou a criação de 58,6 mil vagas formais, quase metade das 115 mil esperadas. Segundo Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, parte da melhora da inflação veio de fatores temporários, como o bônus de Itaipu nas contas de energia, mas há também sinais mais consistentes de desaceleração dos preços de serviços. “O processo de desinflação corrente, somado à moderação mais clara da atividade, deve dar ao Copom conforto para estender o ciclo por mais uma reunião”, afirma. A Oby projeta outro corte da mesma magnitude em novembro e manutenção em dezembro, com a Selic em 13,50% no fim de 2026. Mercado vê corte como cenário mais provável Em relatório assinado por Luis Felipe Vital, chefe de Estratégia Macro e Dívida Pública, a Warren Rena afirma que os contratos futuros de juros indicavam redução próxima de 0,25 ponto percentual, enquanto opções digitais apontavam probabilidade de 95% de corte. “Acreditamos não haver elementos novos que justifiquem uma alteração na atual condução da política monetária e que o Banco Central deve seguir cortando gradualmente a taxa Selic em 25 pontos-base, levando-a para 13,75% na próxima reunião”, diz. A Warren Rena avalia ainda que o BC deverá evitar compromissos explícitos sobre os próximos passos diante do nível elevado de incerteza. O Santander também espera uma redução nesta quarta-feira, mas, diferentemente da Oby Capital, trabalha com uma pausa no ciclo depois de setembro. O modelo do banco para a inflação no horizonte relevante do BC passou de 3,2% para 3,3%, principalmente pela piora das expectativas do Boletim Focus e pela alta do petróleo. Inflação melhora, mas riscos seguem Apesar da melhora recente, os analistas ainda apontam fatores que restringem o espaço para cortes mais rápidos. Para Cavalcanti, um dos principais pontos de preocupação está nas expectativas de inflação para 2027, que permanecem distantes da meta de 3% -com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, entre 1,5% e 4,5%. A situação fiscal também permanece entre os fatores de preocupação, já que, na avaliação do gestor, a ausência de uma trajetória mais clara para as contas públicas pode dificultar a reancoragem das expectativas de inflação e levar o BC a manter cautela na condução dos próximos cortes. No cenário internacional, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) também se reúne nesta semana, em meio a pressões inflacionárias e à alta dos preços de energia. Uma eventual elevação dos juros americanos reduziria a diferença entre as taxas dos dois países, o que pode pressionar o câmbio brasileiro e limitar cortes mais agressivos da Selic, enquanto a alta do petróleo adiciona risco à trajetória da inflação.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/copom-inicia-reuniao-com-expectativa-de-novo-corte-nos-juros