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EUA x Venezuela: Brasil deve se manter como interlocutor para evitar escalada do conflito

Ao programa Mapa Mundi, especialista explicou que atuação brasileira pode ser decisiva para impedir que a crise escale e comprometa a estabilidade regional

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05/12/2025, 19:48 • Atualizado em 05/12/2025, 19:48
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Trump e Nicolás Maduro

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O pesquisador e especialista em Venezuela Pablo Uchoa analisou, no Mapa Mundi desta sexta-feira (5), o agravamento da tensão entre Estados Unidos e o país latino-americano e destacou que o Brasil não pode se omitir diante do cenário. Para ele, a política externa brasileira precisa se basear em dois princípios fundamentais.

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O primeiro é a manutenção do diálogo. “O Brasil não pode deixar de se engajar na questão, porque o pior para nós, brasileiros, é ficarmos sem diálogo e sem informação”, afirmou.

Uchoa relembrou o período do governo Jair Bolsonaro, quando Venezuela e Guiana Francesa chegaram perto de um conflito armado e o Brasil, segundo ele, “ficou no escuro, sem informação, porque não havia conversa”.

O segundo princípio, explicou o pesquisador, é mais sensível para o governo brasileiro: a defesa da democracia. Uchoa destacou que, pela própria história do país, que já viveu um período de ditadura, o Brasil não pode se distanciar desse tema. Ele ressaltou que a estratégia dos Estados Unidos para forçar mudanças políticas na Venezuela não representa, por si só, um caminho democrático.

“É muito claro, a história nos mostra que esse tipo de exportação de democracia não funciona”, disse. “É muito mais provável que você crie ali um governo ditatorial com o sinal trocado, porque vai se criar uma situação tal na Venezuela, em termos de instabilidade, que o próximo governo ou vai voltar a ser uma democracia muito fechada, totalmente de procedimento, ou vai ser um governo ditatorial para poder conter essas pressões que vão vir do outro lado.”

Para Uchoa, o Brasil deve atuar para evitar que esse cenário se concretize.

“Eu acredito que o papel do governo do Brasil, nesse caso, é evitar esse quadro pior e continuar engajando com a Venezuela. E, se essa pressão do Trump de repente mudar a situação para uma transição na Venezuela, talvez o Brasil possa tratar nesse sentido. Mas eu acho que, em um conflito na região, ninguém ganha com isso.”

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