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EUA veem condenação de Eduardo como 'perseguição' política

Órgão afirmou que 'debates políticos devem ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não por condenações judiciais'

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Acácio Filho, Renato Machado
18/06/2026, 23:21 • Atualizado em 18/06/2026, 23:21
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Edifício Harry S Truman em Washington D.C., sede do Departamento de Estado dos EUA | Foto: Wikimedia Commons

Edifício Harry S Truman em Washington D.C., sede do Departamento de Estado dos EUA | Foto: Wikimedia Commons

O governo dos Estados Unidos voltou a criticar decisões da Justiça brasileira envolvendo integrantes da família Bolsonaro. Nesta quinta-feira (18), o Departamento de Estado classificou a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro como mais um episódio de suposta "perseguição" política promovida pelo Judiciário contra opositores políticos.

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"Este é o mais recente episódio de um padrão de perseguição e uso do sistema judicial (lawfare) pelos tribunais brasileiros contra sua oposição política", afirmou, sob condição de anonimato, um porta-voz do Departamento de Estado americano. "Debates políticos devem ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não por condenações judiciais."

A manifestação foi divulgada dois dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, além de torná-lo inelegível por oito anos. Segundo a acusação acolhida pela Corte, o ex-deputado atuou para incentivar medidas do governo dos EUA com o objetivo de pressionar ministros do STF.

Esta não é a primeira vez que autoridades americanas adotam esse tipo de discurso em defesa da família Bolsonaro. Desde a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por participação na trama golpista relacionada às eleições de 2022, integrantes do governo dos EUA passaram a questionar publicamente decisões da Justiça brasileira.

Em setembro de 2025, após a sentença que condenou Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão, Trump afirmou que o aliado era alvo de uma "caça às bruxas" e comparou sua situação à de líderes conservadores processados em outros países. A declaração marcou o início de uma série de críticas da Casa Branca ao Judiciário brasileiro.

Na mesma linha, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou restrições de visto a autoridades brasileiras e classificou as ações contra o ex-presidente como uma "caça às bruxas política" (political witch hunt). A medida ampliou o atrito diplomático entre Washington e Brasília e provocou reações do governo brasileiro.

As críticas têm sido rebatidas por autoridades brasileiras, que defendem a independência das instituições e rejeitam interferências externas em decisões judiciais. Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os EUA não devem interferir nem nas eleições brasileiras nem nos assuntos internos do país.

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