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EUA devem concluir processo de saída da OMS nesta quinta (22)

A saída, decretada por Trump no início do segundo mandato, ocorre sem quitar débitos e pode provocar crise orçamentária na agência

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Reuters
22/01/2026, 10:00 • Atualizado em 22/01/2026, 10:01
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EUA devem concluir processo de saída da OMS nesta quinta (22) | Reprodução

EUA devem concluir processo de saída da OMS nesta quinta (22) | Reprodução

Os EUA devem sair oficialmente da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira (22), diante dos avisos de que essa decisão afetará tanto a saúde dos EUA quanto a saúde global, além de violar uma lei americana que exige que Washington pague à agência de saúde da ONU US$ 260 milhões em taxas.

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O presidente Donald Trump notificou que os EUA deixariam a organização no primeiro dia de sua presidência em 2025, por meio de um decreto. De acordo com a legislação dos Estados Unidos, o país deve avisar com um ano de antecedência e pagar todas as taxas pendentes antes de sair.

Nesta quinta-feira, uma porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos disse que a OMS falha em conter, gerenciar e compartilhar informações que custou trilhões de dólares aos Estados Unidos e que o presidente exerceu sua autoridade para suspender a transferência futura de quaisquer fundos, apoio ou recursos do governo dos Estados Unidos para a OMS.

"O povo americano já pagou mais do que o suficiente para essa organização e esse golpe econômico está além de um adiantamento de quaisquer obrigações financeiras com a organização", disse o porta-voz por e-mail.

Retorno rápido improvável

No último ano, muitos especialistas em saúde global pediram para compensar a situação, incluindo, mais recentemente, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"Espero que os Estados Unidos reconsiderem e voltem a participar da OMS", disse ele a repórteres em uma coletiva de imprensa no início deste mês. "Retirar-se da OMS é uma perda para os Estados Unidos, e é uma perda para o resto do mundo."

A OMS também disse que os Estados Unidos ainda não pagaram as taxas devidas para 2024 e 2025. Os Estados membros devem discutir a saída dos Estados Unidos e como ela será integrada no conselho executivo da OMS em fevereiro, disse um porta-voz da OMS à Reuters por e-mail.

"Essa é uma clara violação da lei dos Estados Unidos", disse Lawrence Gostin, diretor fundador do Instituto O'Neill de Direito da Saúde Global da Universidade de Georgetown, em Washington, observador atento da OMS. "Mas é muito provável que Trump consiga se safar."

Falando à Reuters em Davos, Bill Gates – presidente da Fundação Gates, um dos principais financiadores de iniciativas de saúde globais e de parte do trabalho da OMS – disse que não esperava que os Estados Unidos reconsiderassem a curto prazo.

"Não acho que os Estados Unidos voltarão à OMS num futuro próximo", disse ele, acrescentando que, quando teve a oportunidade de defendê-la, o faria. "O mundo precisa da Organização Mundial da Saúde."

O que significa a saída

Para a OMS, a saída dos Estados Unidos desencadeou uma crise orçamentária que levou a cortar sua equipe de gestão pela metade e a reduzir o trabalho, o que limitou os orçamentos em toda a agência. Tradicionalmente, Washington tem sido, há muito tempo, o maior financiador da agência de saúde da ONU, contribuindo com cerca de 18% do seu financiamento geral. A OMS também reduzirá cerca de um quarto de sua equipe até metade deste ano.

A agência disse que tem trabalhado com os Estados Unidos e compartilhou informações no último ano. Não ficou claro como a colaboração funcionará daqui para frente.

Especialistas em saúde global disseram que isso representa riscos para os Estados Unidos, a OMS e o mundo.

"A saída dos Estados Unidos da OMS pode enfraquecer os sistemas e as colaborações com os quais o mundo conta para detectar, prevenir e responder às ameaças à saúde", disse Kelly Henning, líder do programa de saúde pública da Bloomberg Philanthropies, uma organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos.

(Reportagem de Jennifer Rigby e Emma Farge, reportagem adicional de Jeffrey Dastin em Davos)

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