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Estreito de Ormuz registra apenas 5% do tráfego normal de navios em 24h

Irã diz para navios seguirem em suas águas territoriais, apessar do cessar-fogo com os Estados Unidos

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Reuters
09/04/2026, 19:26 • Atualizado em 09/04/2026, 19:26
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Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

O tráfego de navios registrado no Estreito de Ormuz foi de apenas 5% do volume normal nas últimas 24 horas, apesar do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, enquanto Teerã reafirma seu controle, alertando os navios para que se mantenham em suas águas territoriais.

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Segundo dados de rastreamento, apenas sete navios atravessaram o estreito o período, em comparação com os cerca de 140 habituais.

Centenas de petroleiros e outros navios estão presos no Golfo Pérsico desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, reduzindo o fornecimento global de petróleo em 20%, na maior interrupção de abastecimento da história.

Os preços de alguns tipos de petróleo atingiram novos recordes históricos nesta quinta-feira, enquanto a crise mostrava poucos sinais de arrefecimento.

Entre os navios afetados, estavam um petroleiro e seis graneleiros, segundo dados da Kpler, Lloyd's List Intelligence e Signal Ocean.

Um navio-tanque químico estava prestes a cruzar a fronteira com a Índia, indicavam os dados de rastreamento de navios nas plataformas MarineTraffic e Pole Star Global.

"A maioria das companhias de navegação provavelmente continuará cautelosa, e duas semanas não serão suficientes para eliminar o acúmulo de encomendas, mesmo que haja um aumento significativo no tráfego", disse Torbjorn Soltvedt, da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã orientou as embarcações a navegarem pelas águas iranianas ao redor da Ilha de Larak para evitar o risco de minas navais nas rotas habituais pelo estreito, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim nesta quinta-feira.

As embarcações deverão entrar no estreito ao norte da Ilha Larak e sair logo ao sul, até novo aviso, em coordenação com a marinha da Guarda Revolucionária, informou a Tasnim.

A empresa britânica de segurança marítima Ambrey afirmou, em um comunicado, que os riscos persistem para navios não autorizados pelo Irã, especialmente aqueles afiliados a Israel e aos EUA.

"Mesmo remessas com aprovação aparente foram devolvidas no meio do transporte nas últimas semanas", afirmou.

Pedágios e criptomoedas

Notícias veiculadas pela mídia sugerem que o Irã pode querer cobrar um pedágio dos navios que passam pela região, com alguns estimando o valor em US$2 milhões. Dados de rastreamento de navios mostram que algumas embarcações já estão utilizando a rota incomum ao redor da Ilha de Larak.

Os líderes ocidentais, porém, rejeitaram a ideia de pagar tais taxas.

Recentemente, um navio-tanque de GLP da Pine Gas, com bandeira indiana, fez uma rota incomum ao redor da Ilha Larak para sair do Golfo.

A empresa não pagou ao Irã nenhuma taxa de trânsito e a embarcação não foi abordada pela Guarda Revolucionária Islâmica, disse à Reuters seu diretor-executivo, Sohan Lal.

A agência de navegação da ONU, a Organização Marítima Internacional, afirmou que não existe nenhum acordo que permita a implementação de taxas para a travessia de estreitos internacionais.

"Qualquer cobrança desse tipo criará um precedente perigoso", disse um porta-voz da organização nesta quinta-feira.

O Irã exigirá o pagamento de pedágios em criptomoedas para manter o controle sobre o Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo de duas semanas, segundo declarações de Hamid Hosseini, porta-voz da União dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, publicadas na quarta-feira pelo jornal Financial Times.

A Mitsui OSK Lines, uma das três maiores empresas de transporte marítimo do Japão, conseguiu retirar três navios-tanque do estreito nos últimos dias.

A empresa aguarda orientações do governo japonês sobre como proceder durante o cessar-fogo de duas semanas, disse à Reuters seu presidente e CEO, Jotaro Tamura, nesta quinta-feira.

A Índia concedeu isenções para permitir a entrada em seus portos de duas cargas iranianas, uma a bordo de um petroleiro mais antigo e outra sujeita a sanções, disseram nesta quinta-feira dois funcionários familiarizados com o assunto.

Entre os navios, havia um carregado com GLP, usado para cozinhar. A Índia enfrenta sua pior crise de gás em décadas e implementou o racionamento para garantir o abastecimento das residências.

Os Estados Unidos emitiram uma isenção surpresa às exportações de petróleo iranianas no mês passado, que deve terminar em 19 de abril, numa tentativa de apoiar o fornecimento global e aliviar o aumento dos preços dos combustíveis.

Desde 28 de fevereiro, pelo menos 23 petroleiros com bandeira iraniana chegaram à Ásia, mantendo o ritmo dos níveis pré-guerra, de acordo com o grupo de defesa dos direitos humanos United Against Nuclear Iran, dos EUA, que monitora o tráfego relacionado ao Irã.

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