Mundo

EUA e Irã voltam a trocar ataques; Teerã fecha Ormuz

Nova rodada de ofensivas entre os dois países intensifica o conflito regional e coloca em xeque o acordo firmado no mês passado

Avatar de Reuters
Reuters
12/07/2026, 23:28 • Atualizado em 12/07/2026, 23:46
compartilhar
Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

As forças dos EUA e do Irã trocaram ataques intensos com mísseis e drones, com Teerã atacando instalações americanas em Estados ao redor do Golfo Pérsico neste domingo (12) e afirmando ter fechado novamente o estratégico Estreito de Ormuz.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Os ataques foram os mais recentes de um ciclo de ataques e contra-ataques, à medida que o Irã busca afirmar seu controle sobre a navegação pelo estreito, mas a enxurrada das investidas marcou uma escalada em ritmo e alcance.

📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.

Os ataques se estenderam ao Catar, um mediador nas negociações de cessar-fogo que não era alvo de ataques desde abril, enquanto os Emirados Árabes Unidos, que não eram alvo desde o início de maio, afirmaram que suas defesas aéreas haviam interceptado mísseis e drones vindos do Irã.

Na tarde de domingo, a mídia iraniana informou que houve ataques com mísseis e explosões nos arredores do porto de Bandar Abbas, que abriga instalações militares no estreito, e na vizinha ilha de Qeshm, enquanto os EUA teriam lançado uma nova rodada de ataques e o Irã teria atingido o Kuwait.

A retomada da violência lança mais dúvidas sobre o futuro de um acordo provisório entre os EUA e o Irã, assinado no mês passado, que visava reabrir o estreito e pôr fim à guerra após mais 60 dias de negociações.

Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que considerava o cessar-fogo encerrado, embora tenha deixado a porta aberta para novas negociações.

A guerra, que começou com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, desestabilizou o Golfo, enquanto o bloqueio efetivo do estreito pelo Irã elevou os preços da energia, alimentando a inflação global.

Os preços mais altos, especialmente da gasolina, são politicamente delicados para Trump às vésperas das eleições para o Congresso em novembro.

Enxurrada de ataques

O Irã tem buscado estabelecer um sistema permanente de cobrança de taxas no estreito, que transportava 20% dos embarques mundiais de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra, e alertou as embarcações para que não navegassem sem sua autorização.

No final do sábado, o Irã informou ter fechado a via navegável após disparar um tiro de advertência que atingiu uma embarcação que seguia por uma rota não autorizada. No domingo, informou ter imobilizado uma segunda embarcação.

A Índia informou que um de seus cidadãos estava desaparecido após um ataque ao navio porta-contêineres GFS Galaxy na costa de Omã. Omã informou que 23 tripulantes haviam sido resgatados. O Catar aconselhou todas as embarcações, incluindo barcos de lazer, barcos de pesca e jet skis, a suspenderem suas atividades.

A recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, do Irã, informou no domingo que a passagem pelo estreito não era possível no momento devido a “movimentos ilegais recentes das forças militares dos Estados Unidos na região”. As autorizações seriam emitidas “assim que a estabilidade e a calma fossem restauradas”, afirmou.

Os Estados Unidos, que na terça-feira revogaram licença que autorizava a venda de petróleo bruto iraniano após ataques anteriores à navegação marítima, afirmaram que suas forças estavam posicionadas para garantir a liberdade de navegação, apesar do que classificaram como "agressão, assédio, ameaças e declarações arbitrárias" por parte do Irã.

"O Irã não controla o estreito. O tráfego está fluindo", disse o Comando Central dos EUA.

O Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, reiterou a orientação de que, apesar de uma grave ameaça à segurança, uma rota sul “ampliada” perto de Omã estava disponível para tráfego nos dois sentidos.

O Comando Central informou que as forças dos EUA atacaram 140 alvos militares iranianos no sábado e mais de 300 ao longo de três noites de ataques nesta semana “para enfraquecer a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e embarcações comerciais que transitam livremente pelo estreito”.

A mídia estatal iraniana noticiou explosões em várias cidades portuárias e informou que um oficial do exército iraniano havia sido morto em ataques “americano-israelenses” contra o Irã.

Em resposta, a Guarda Revolucionária afirmou ter destruído um centro de comando e controle e hangares de drones na Jordânia, aliada dos EUA, ter atacado uma estação de radar dos EUA no Kuweit, ter atacado plataformas de apoio e reabastecimento de porta-aviões dos EUA em Omã e ter destruído um centro de manutenção de jatos e instalações de comando no Catar.

O Catar, que já havia declarado que não atuaria como mediador enquanto estivesse sob ataque, informou que três pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas pela queda de estilhaços. O país afirmou que o Irã era “totalmente responsável legalmente” pelo ataque.

Os Emirados Árabes Unidos informaram ter detectado ameaças de mísseis fora de suas fronteiras; o Barein afirmou ter interceptado vários ataques aéreos iranianos; a Jordânia relatou ataques com mísseis; e Omã informou ter sido alvo de ataques com drones.

Omã informou ter convocado o embaixador do Irã para protestar contra os ataques com drones em duas regiões, e a embaixada dos EUA em Omã orientou seus cidadãos em Duqm e Musandam a permanecerem em abrigos.

'Cumpram sua palavra ou paguem o preço'

A mais recente rodada de hostilidades ocorre após negociações em Omã, no sábado, entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi. O Irã afirmou que as negociações tinham como objetivo coordenar medidas no Estreito de Ormuz e que deveriam continuar com a presença do Catar.

Posteriormente, Araqchi discutiu os desdobramentos regionais em uma ligação telefônica com o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, cujo país tem sido um mediador fundamental entre os EUA e o Irã, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim.

Os EUA revogaram na terça-feira a licença que autorizava a venda de petróleo bruto iraniano depois que petroleiros comerciais do Catar e da Arábia Saudita foram alvo de ataques.

Embora o Irã não tenha assumido a responsabilidade pelos ataques anteriores a navios, analistas afirmam que Teerã utiliza tais ações para ganhar vantagem nas negociações.

No domingo, o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, postou no X: “A era dos acordos unilaterais ACABOU. Nós avisamos: cumpram sua palavra ou paguem o preço. A realidade está batendo à porta.”

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Espanha: filho de vítima de incêndio diz que não houve aviso

Espanha: filho de vítima de incêndio diz que não houve aviso

Imagem da notícia: Caso Pimentel: 6 suspeitos foram mortos durante investigação

Caso Pimentel: 6 suspeitos foram mortos durante investigação

Imagem da notícia: RJ: 18 mulheres sofrem algum tipo de violência a cada hora

RJ: 18 mulheres sofrem algum tipo de violência a cada hora

Imagem da notícia: Caiado: carta de Bolsonaro indica "fragilidade" de Flávio

Caiado: carta de Bolsonaro indica "fragilidade" de Flávio

Imagem da notícia: Espanha: filho de vítima de incêndio diz que não houve aviso

Espanha: filho de vítima de incêndio diz que não houve aviso

Imagem da notícia: Caso Pimentel: 6 suspeitos foram mortos durante investigação

Caso Pimentel: 6 suspeitos foram mortos durante investigação

Imagem da notícia: RJ: 18 mulheres sofrem algum tipo de violência a cada hora

RJ: 18 mulheres sofrem algum tipo de violência a cada hora

Imagem da notícia: Caiado: carta de Bolsonaro indica "fragilidade" de Flávio

Caiado: carta de Bolsonaro indica "fragilidade" de Flávio

Últimas notícias

Governo estuda retirar subsídio da gasolina

Decisão depende da evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã e dos impactos sobre o preço internacional do petróleo

Republicanos nega que tenha decidido apoiar Flávio Bolsonaro

Manifestação ocorreu após a publicação de uma reportagem que afirmava que o partido teria decidido apoiar o senador em troca de vaga no STF

Ataques israelenses matam seis pessoas em Gaza

Menina de nove anos está entre as vítimas; ela teria sido morta depois que tiros foram disparados contra um acampamento de barracas em um campo de refugiados

Fifa avalia expansão da Copa do Mundo com 64 seleções

Mundial de 2026 contou com 48 seleções pela primeira vez; Infantino fala em contemplar "o mundo inteiro, não apenas a Europa e a América do Sul"

Porsche bate em árvore, pega fogo e deixa dois mortos

Chamas consumiram o carro antes que os dois ocupantes do veículo, ambos presos às ferragens, pudessem ser retirados

Lindsey Graham, senador dos EUA, morre aos 71 anos

Aliado leal de Donald Trump, o parlamentar da Carolina do Sul teve “doença breve e repentina”, informou seu gabinete