Em carta, Zelensky propõe encontro com Putin e fim da guerra
Presidente ucraniano responsabilizou líder russo pelo prolongamento do conflito e defendeu cessar-fogo durante as negociações


Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky | Divulgação/governo ucraniano
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, publicou uma carta aberta ao presidente russo, Vladimir Putin, na noite de quinta-feira (4). No texto, o líder ucraniano propõe um encontro para negociar o fim da guerra, alertando que Kiev está pronta para continuar lutando caso não haja um acordo.
A invasão russa na Ucrânia completou quatro anos em 2026. Moscou relaciona a ofensiva, entre outros fatores, à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A administração russa pede que Kiev abandone a ambição de integrar a aliança militar, justificando que a expansão do grupo no Leste Europeu representa uma ameaça direta à segurança russa por englobar países fronteiriços.
Para Zelensky, no entanto, a guerra é uma questão pessoal para Putin. "Seja o que for que você diga sobre a Otan , a geopolítica e a língua russa, essa guerra é sua escolha pessoal – uma guerra sem motivo real. É assim que a história vai lembrar. Esse tempo poderia ter sido muito diferente”, escreveu o líder ucraniano.
Na carta, o presidente ressalta que a maioria da população russa está “cansada da guerra”, sobretudo devido aos ataques ucranianos em solo nacional e ao aumento da inflação — provocado pelas sanções do Ocidente contra Moscou. Zelensky ainda cita as perdas russas no campo de batalha, dizendo que 63% dos soldados da linha de frente morrem e 37% ficam feridos.
“No século XXI, os exércitos não podem se dar ao luxo de tal equilíbrio. No futuro, a proporção dos mortos aumentará. Não que nós, na Ucrânia, nos preocupemos com os russos. Depois de tudo que sua guerra trouxe para a Ucrânia. Mas eu me importo com os ucranianos. Perdemos nosso povo, e toda perda que perdemos dói”, afirmou.
Em meio ao cenário, Zelensky propõe retomar as negociações, convidando Putin para uma reunião. O líder ucraniano diz que vários países costumam receber chefes de Estado para resolver questões de guerra, como a Suíça e Turquia.
Até então, o diálogo entre Zelensky e Putin era mediado pelos Estados Unidos. Na carta, Zelensky afirma que Washington agora está focado no conflito contra o Irã, ressaltando que “seria errado simplesmente esperar até que a guerra na Europa volte a estar no centro da atenção” do presidente Donald Trump.
“A linha de frente agora é a linha de onde a diplomacia deve começar. A Ucrânia está pronta para cessar fogo completamente – pelo momento em que as negociações continuarem. Tentar estabelecer um silêncio real é o melhor começo para começar a conversar um com o outro. Acreditamos que isso não será apenas uma tentativa, mas um verdadeiro cessar-fogo, se você quiser”, escreveu o ucraniano.
Ele ressaltou, contudo, que a Ucrânia está pronta para continuar lutando na guerra caso um acordo não seja alcançado. Disse, também, que a prolongação do conflito poderia prejudicar a posição pessoal de Putin. “Isso não é uma ameaça minha nem da Ucrânia. Esses são fatos da história russa que você conhece bem: quando a Rússia se cansa, mudanças acontecem”, frisou.















