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Nordeste lidera ranking de cidades mais violentas; veja

Liderança permanece com Maranguape (CE), com índice de mortes violentas mais de cinco vezes superior à média nacional; metade dos municípios está na Bahia

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Emanuelle Menezes
Polícia Militar do Ceará | PMCE/Divulgação

Polícia Militar do Ceará | PMCE/Divulgação

As 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025 estão localizadas no Nordeste, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). A liderança permanece com Maranguape (CE), que registrou 100,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, índice mais de cinco vezes superior à média nacional. Na sequência aparecem Eunápolis (BA), com taxa de 85,1, e Maracanaú (CE), com 80,7.

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🔎 O ranking do Anuário considera a taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) – indicador que reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial – em municípios com mais de 100 mil habitantes.

O levantamento mostra que a Bahia concentra metade das cidades do ranking, com cinco municípios entre os dez primeiros. O Ceará aparece com três cidades, enquanto Pernambuco e Paraíba têm uma cidade cada.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a predominância de municípios nordestinos está relacionada, principalmente, às disputas entre facções criminosas pelo controle de rotas estratégicas do tráfico de drogas, especialmente em cidades cortadas por rodovias federais ou próximas de portos e aeroportos utilizados como corredores logísticos para o tráfico nacional e internacional.

Ranking das 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025

1º. Maranguape (CE) – 100,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes

2º. Eunápolis (BA) – 85,1

3º. Maracanaú (CE) – 80,7

4º. Porto Seguro (BA) – 71,2

5º. Simões Filho (BA) – 68,1

6º. Jequié (BA) – 67,4

7º. Caucaia (CE) – 66,6

8º. Cabo de Santo Agostinho (PE) – 65,1

9º. Santa Rita (PB) – 60,9

10º. Juazeiro (BA) – 55,8

Por que essas cidades concentram tanta violência?

De acordo com o Anuário, há dois fatores que ajudam a explicar a concentração das maiores taxas de mortes violentas nesses municípios.

O primeiro é a localização estratégica de cidades do interior cortadas por importantes rodovias, que funcionam como corredores para o transporte de drogas entre diferentes regiões do país. Já o segundo envolve municípios litorâneos com portos e aeroportos, utilizados como pontos de saída de cocaína para o mercado internacional e abastecimento do comércio ilegal.

Em Maranguape e Maracanaú, ambas na Região Metropolitana de Fortaleza, por exemplo, o estudo aponta que a disputa entre facções pelo domínio territorial impulsiona os índices de violência. As duas cidades são cortadas pela BR-222 e por rodovias estaduais consideradas estratégicas para o crime organizado.

Na Bahia, casos como os de Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro têm em comum a proximidade com rodovias federais e estruturas logísticas, como portos e aeroportos, que favorecem o escoamento de drogas. Em Porto Seguro, o grande fluxo turístico também é citado como um fator que fortalece o mercado varejista de entorpecentes.

Já Cabo de Santo Agostinho (PE) aparece entre as cidades mais violentas pela proximidade com o Porto de Suape, enquanto Santa Rita (PB) é apontada como estratégica por estar próxima ao Porto de Cabedelo e ao cruzamento das rodovias BR-101 e BR-230.

O Anuário conclui que a expansão das facções criminosas para o Norte e o Nordeste e a disputa pelo controle dessas rotas logísticas têm alterado a dinâmica da violência na região, que lidera as taxas de Mortes Violentas Intencionais no Brasil desde 2020.

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