Peru vai aderir à coalizão dos EUA contra o narcotráfico
Iniciativa "Escudo das Américas" busca combater os cartéis de drogas e aumentar influência de Washington no continente
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André de Sena, com informações da Reuters
Presidente do Peru, Keiko Fujimori, recebe secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em Lima | Sebastián Castaneda/Reuters
A presidente recém-eleita do Peru, Keiko Fujimori, disse nesta sexta-feira (11) que seu país vai se juntar à iniciativa "Escudo das Américas", coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater cartéis de drogas. O anúncio foi feito durante a visita do secretário de Estado de Washington, Marco Rubio, a Lima.
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Os dois participaram de uma coletiva de imprensa conjunta. A líder peruana afirmou que a entrada de seu país no grupo liderado pelos Estados Unidos vai acelerar o compartilhamento de informações e reforçar a ação conjunta contra facções criminosas que operam além das fronteiras.
"Agradecemos esta oportunidade [de aderir à iniciativa], porque nós, que já tivemos de combater o terrorismo, sabemos o quão difícil é enfrentar a criminalidade hoje em dia", disse Fujimori, em uma aparente referência ao período de violência política enfrentado pelo país na década de1990, quando seu pai, Alberto Fujimori, estava no poder.
Rubio saudou a decisão de Fujimori. Ele reforçou que o continente americano é uma prioridade para a Casa Branca.
"O envolvimento dos EUA na região não é um favor. É essencial para a nossa própria segurança, para a nossa própria prosperidade, para o nosso próprio bem-estar na América. E esta administração está comprometida com isso", disse, acrescentando que haverá mais iniciativas como essa.
Nos últimos meses, o Ministério das Relações Exteriores do Peru já vinha sinalizando que Lima poderia aderir ao "Escudo das Américas" como parte de um esforço mais amplo para fortalecer a segurança das fronteiras e a coordenação no combate ao crime transnacional.
A passagem do principal diplomata norte-americano ao Peru é a visita de mais alto nível ao país desde que Trump iniciou seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, em 2025. Segundo Fujimori, as autoridades também discutiram o apoio de Washington na prevenção a uma possível emergência relacionada ao fenômeno climático El Niño.
Tarifas
Fontes do governo peruano disseram que Lima também busca aliviar as tarifas impostas por Washington. Em julho, Trump aumentou de 10% para 12,5% as taxas sobre produtos provenientes de 60 parceiros comerciais, inclusive o Peru. O posicionamento dos Estados Unidos prejudica exportações agrícolas peruanas, especificamente mirtilos, uvas e abacates.
Recentemente, os dois países tomaram medidas para estreitar os laços de defesa. Em janeiro, a Casa Branca designou o Peru como um importante aliado entre os países não pertencentes à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Na ocasião, Lima encaminhou a compra de equipamentos e serviços norte-americanos para a modernização da Base Naval de Callao, a principal do país, situada próxima ao aeroporto internacional de Lima.
Antes de chegar ao território peruano, Rubio havia passado por Equador e Colômbia com o objetivo de estreitar laços comerciais e de segurança com governos conservadores da América Latina. Ao mesmo tempo, a Casa Branca tenta conter o avanço da China na região.
Influência chinesa
Segundo dados oficiais do governo peruano, o comércio com a China cresceu 35% no primeiro semestre do ano, superando o aumento de 20% nas transações com os Estados Unidos.
Em 2025, as compras e vendas bilaterais entre Lima e Pequim haviam ultrapassado os US$ 50 bilhões, ficando acima dos US$ 19 bilhões registrados nas negociações com Washington.
Peru vai aderir à coalizão dos EUA contra o narcotráficoIniciativa "Escudo das Américas" busca combater os cartéis de drogas e aumentar influência de Washington no continenteMundo2026-09-11T14:57:23.516ZA presidente recém-eleita do Peru, Keiko Fujimori, disse nesta sexta-feira (11) que seu país vai se juntar à iniciativa "Escudo das Américas", coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater cartéis de drogas. O anúncio foi feito durante a visita do secretário de Estado de Washington, Marco Rubio, a Lima. Os dois participaram de uma coletiva de imprensa conjunta. A líder peruana afirmou que a entrada de seu país no grupo liderado pelos Estados Unidos vai acelerar o compartilhamento de informações e reforçar a ação conjunta contra facções criminosas que operam além das fronteiras. "Agradecemos esta oportunidade [de aderir à iniciativa], porque nós, que já tivemos de combater o terrorismo, sabemos o quão difícil é enfrentar a criminalidade hoje em dia", disse Fujimori, em uma aparente referência ao período de violência política enfrentado pelo país na década de1990, quando seu pai, Alberto Fujimori, estava no poder. Rubio saudou a decisão de Fujimori. Ele reforçou que o continente americano é uma prioridade para a Casa Branca. "O envolvimento dos EUA na região não é um favor. É essencial para a nossa própria segurança, para a nossa própria prosperidade, para o nosso próprio bem-estar na América. E esta administração está comprometida com isso", disse, acrescentando que haverá mais iniciativas como essa. Nos últimos meses, o Ministério das Relações Exteriores do Peru já vinha sinalizando que Lima poderia aderir ao "Escudo das Américas" como parte de um esforço mais amplo para fortalecer a segurança das fronteiras e a coordenação no combate ao crime transnacional. A passagem do principal diplomata norte-americano ao Peru é a visita de mais alto nível ao país desde que Trump iniciou seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, em 2025. Segundo Fujimori, as autoridades também discutiram o apoio de Washington na prevenção a uma possível emergência relacionada ao fenômeno climático El Niño. Tarifas Fontes do governo peruano disseram que Lima também busca aliviar as tarifas impostas por Washington. Em julho, Trump aumentou de 10% para 12,5% as taxas sobre produtos provenientes de 60 parceiros comerciais, inclusive o Peru. O posicionamento dos Estados Unidos prejudica exportações agrícolas peruanas, especificamente mirtilos, uvas e abacates. Recentemente, os dois países tomaram medidas para estreitar os laços de defesa. Em janeiro, a Casa Branca designou o Peru como um importante aliado entre os países não pertencentes à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Na ocasião, Lima encaminhou a compra de equipamentos e serviços norte-americanos para a modernização da Base Naval de Callao, a principal do país, situada próxima ao aeroporto internacional de Lima. Antes de chegar ao território peruano, Rubio havia passado por Equador e Colômbia com o objetivo de estreitar laços comerciais e de segurança com governos conservadores da América Latina. Ao mesmo tempo, a Casa Branca tenta conter o avanço da China na região. Influência chinesa Segundo dados oficiais do governo peruano, o comércio com a China cresceu 35% no primeiro semestre do ano, superando o aumento de 20% nas transações com os Estados Unidos. Em 2025, as compras e vendas bilaterais entre Lima e Pequim haviam ultrapassado os US$ 50 bilhões, ficando acima dos US$ 19 bilhões registrados nas negociações com Washington. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/peru-vai-aderir-a-coalizao-dos-eua-contra-o-narcotrafico
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