Disputa no Peru “abre precedente perigoso”, diz especialista
Professora analisa eleição apertada no Peru e vê risco de contestação após diferença inferior a 1% entre os candidatos


Segundo turno das eleições presidenciais no Peru | Reprodução Alessandro Cinque/Reuters
Com mais de 90% das urnas apuradas no segundo turno no Peru, a disputa presidencial segue extremamente apertada. A candidata de direita Keiko Fujimori aparece com 50,278% dos votos, o equivalente a 8.705.110. Já o candidato de esquerda Roberto Sánchez tem 49,722% e 8.608.784 votos. A diferença é inferior a 1 ponto percentual e mantém o resultado indefinido.
A professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Flavia Loss, em entrevista ao News Primeira Edição, afirma que o resultado ocorre em um país com histórico recente de crises políticas e baixa confiança nas instituições. “É um país que vem de um histórico de muita instabilidade, com sucessivas crises políticas, presidentes presos e pouca confiança na classe política.”
Segundo ela, esse desgaste também aparece na relação do povo com os partidos. “A população tem dificuldade em se aproximar dos partidos tradicionais por causa desse desgaste com a política e com casos de corrupção.”
Além disso, Flávia explica que o prazo para divulgação oficial do resultado, que pode levar mais de um mês, mantém o processo em aberto até a confirmação final. Durante esse período, os dois candidatos seguem se posicionando publicamente. “Durante essa espera pela apuração, os candidatos continuam numa espécie de campanha, dando declarações polêmicas. Isso também acaba 'atiçando' as bases eleitorais que são mais próximas desses dois candidatos.”
A especialista comenta ainda sobre a mudança no sistema político do Peru, que deixou de ser unicameral e passou a ser bicameral, com Câmara e Senado, modelo semelhante ao brasileiro. Antes, o Congresso tinha mais facilidade para destituir presidentes, o que contribuiu para a sequência de trocas no comando do país nos últimos anos.
“O Congresso unicameral simplesmente destituía os presidentes impopulares e foi isso que acabou causando uma sucessão de presidentes, os impeachments, em um intervalo tão pequeno.”
Ela avalia que a mudança pode abrir espaço para mais estabilidade, mas ainda depende da forma como será implementada. “É uma mudança importante nas instituições, mas não sabemos se será efetiva de fato para que a gente consiga uma maior estabilidade.”















