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COP30: secretário-geral da ONU acolhe pedidos para esclarecer transição energética

Conferência climática das Nações Unidas termina nesta sexta (21); rascunho de carta final traz recomendações para acelerar ações contra aquecimento do planeta

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Secretário-geral da ONU, António Guterres, participa da COP em Belém | 06/11/2025/Reuters/Adriano Machado
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O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apelou nesta quinta-feira (20) por um acordo na cúpula climática COP30, acolhendo os pedidos para que haja clareza sobre o tema altamente controverso de afastar o mundo dos combustíveis fósseis.

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A cúpula realizada na cidade amazônica de Belém, no Brasil, não cumpriu o prazo autoimposto de alcançar um acordo na quarta entre os quase 200 países presentes sobre questões que incluem formas de aumentar o financiamento climático e o abandono dos combustíveis fósseis.

"Saúdo os apelos por um mecanismo de transição justa e a crescente coalizão que pede clareza sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis", disse Guterres em uma coletiva de imprensa na cúpula.

As emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis retêm o calor na atmosfera da Terra e são, de longe, as que mais contribuem para as mudanças climáticas.

Faltam menos de 48 horas para o término previsto da cúpula e para se chegar a um consenso, o que o Brasil, país anfitrião, considera etapa crucial para acelerar a ação climática internacional e demonstrar um amplo apoio para acelerar a transformação de décadas de promessas e compromissos das cúpulas da COP em ações concretas.

"Uma coisa é certa: estamos no limite, e o mundo está observando Belém", disse Guterres. "Faço um forte apelo a todas as delegações para que demonstrem disposição e flexibilidade."

Combustíveis fósseis

A negociação de duas semanas ficou presa a duas questões – o futuro dos combustíveis fósseis e a entrega do financiamento climático – que expõem as divergências entre os blocos de negociação dos países ocidentais ricos, os produtores de petróleo e Estados menores mais vulneráveis às mudanças climáticas.

Seguindo o exemplo do Brasil, dezenas de países, incluindo nações desenvolvidas e em desenvolvimento, pressionam por um roteiro que estabeleça como os países devem fazer a transição para o abandono dos combustíveis fósseis.

Outros, incluindo algumas nações produtoras de combustíveis fósseis, resistem, argumentando que a medida deve aumentar a burocracia sem melhorar os compromissos já assumidos para reduzir as emissões.

A cúpula climática COP28 em 2023 concordou, após uma longa discussão, com uma transição, mas as nações não definiram como – ou quando – isso se dará.

"Estou perfeitamente convencido de que um compromisso é possível", acrescentou Guterres, acrescentando que são necessárias medidas urgentes para garantir que o aquecimento global não ultrapasse 1,5º Celsius em relação à era pré-industrial, um limite que, segundo os cientistas, desencadearia uma cascata de impactos devastadores.

Adaptação às mudanças

Outro grande ponto de atrito nas negociações diz respeito à relutância de algumas nações mais ricas em garantir financiamento para os países mais pobres se adaptarem às mudanças climáticas, disseram três fontes envolvidas nas negociações.

Os países em desenvolvimento já estão profundamente desconfiados de uma promessa de financiamento climático de US$ 300 bilhões feita no ano passado na COP29, em Baku, especialmente porque os Estados Unidos se retiraram da cooperação climática internacional sob o comando do presidente Donald Trump.

"Neste momento, nosso povo está perdendo suas vidas e meios de subsistência devido a tempestades de força sem precedentes que estão sendo causadas pelo aquecimento dos mares", disse Steven Victor, ministro da Agricultura, Pesca e Meio Ambiente da nação insular de Palau, no Pacífico.

"Se sairmos de Belém sem um resultado transformador sobre a adaptação para os mais vulneráveis do mundo, será um fracasso", avaliou.

Autoridades europeias concordam que o financiamento para a adaptação é importante, mas afirmam que não foram autorizadas a concordar com novas metas.

O ministro do clima de Serra Leoa, Jiwoh Abdulai, disse à Reuters que o financiamento para adaptação é urgentemente necessário para lidar com questões como o calor extremo, que está se tornando um grande problema nas escolas e centros médicos do país da África Ocidental.

"Nossas crianças estão sentadas em salas de aula que, em muitos países industrializados, seriam inaceitáveis porque são muito quentes", disse.

(Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, Sudarshan Varadahn, Kate Abnett e William James)

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