Tecnologia

Zuckerberg defende filtros no Instagram em tribunal

CEO da Meta afirma que priorizou "livre expressão" ao restabelecer recurso, apesar de alertas internos sobre impacto em adolescentes

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CEO da Meta, Mark Zuckerberg, depõe durante a audiência do Comitê Judiciário do Senado sobre exploração sexual infantil online, no Capitólio dos Estados Unidos | 31 de janeiro de 2024/Reuters/Evelyn Hockstein

O CEO da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp) defendeu o uso de filtros de beleza no Instagram em um julgamento nessa quarta-feira (18). Segundo Mark Zuckerberg, a decisão de restabelecer a ferramenta ocorreu porque ele quis priorizar a "livre expressão", mesmo após recomendações contrárias de funcionários e de 18 especialistas contratados pela empresa.

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Os filtros, que muitas vezes alteram digitalmente a aparência dos usuários, haviam sido suspensos temporariamente em 2019 para revisão interna. De acordo com o processo, todos os especialistas consultados concluíram que o recurso representava risco ao bem-estar de adolescentes, segundo o Financial Times.

Em depoimento no tribunal de Los Angeles, Zuckerberg afirmou que havia um "alto padrão" para comprovar danos e classificou as restrições como "paternalistas" e "excessivas". O CEO disse que optou por "errar em favor da liberdade de expressão", e não por motivação financeira.

Documentos internos citados no processo indicam que a Meta tinha conhecimento de que filtros de beleza poderiam incentivar dismorfia corporal e outras preocupações de saúde mental entre jovens.

Tempo de uso e menores de 13 anos

Durante o julgamento, Zuckerberg também rebateu e-mails internos entre 2013 e 2022 que indicavam que aumentar o tempo de permanência dos usuários na plataforma era uma meta da companhia, inclusive entre adolescentes.

Ele afirmou que a empresa não estabelece mais objetivos internos focados em tempo de uso, priorizando "utilidade" e "valor" no longo prazo.

O CEO também foi questionado sobre a presença de menores de 13 anos no Instagram. Um documento interno de 2018 estimava que 4 milhões de usuários abaixo dessa idade estavam na plataforma em 2015, cerca de 30% das crianças de 10 a 12 anos nos Estados Unidos.

Zuckerberg declarou que a empresa tenta remover esses perfis, mas reconheceu que é difícil verificar a idade real dos usuários devido a informações falsas.

Possível precedente jurídico

A ação é movida por uma jovem de 20 anos identificada como KGM, que afirma ter desenvolvido dependência de Instagram e YouTube na infância, com consequências como ansiedade e depressão.

A Meta argumenta que pesquisas científicas produzem resultados mistos sobre a relação entre redes sociais e dependência e sustenta que outros fatores podem ter contribuído para os problemas relatados.

O julgamento em Los Angeles é o primeiro de nove casos semelhantes a serem analisados por júri. Uma eventual derrota pode influenciar milhares de processos movidos por indivíduos, distritos escolares e procuradores-gerais estaduais contra empresas de tecnologia.

O caso integra uma série de ações judiciais que alegam que plataformas de redes sociais desenvolvem produtos deliberadamente viciantes para crianças e adolescentes. Advogados comparam a situação ao movimento regulatório contra a indústria do tabaco nos anos 1990.

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