Ideval Anselmo, referência do carnaval em SP, morre aos 85 anos
Causa da morte do compositor de "Narainã, a alvorada dos pássaros", samba-enredo eleito o maior do século, não foi revelada


Emanuelle Menezes
O compositor Ideval Anselmo, um dos maiores nomes da história do carnaval de São Paulo, morreu nesta Quarta-feira de Cinzas (18), aos 85 anos, na capital paulista. A causa da morte não foi divulgada pela família.
Reconhecido como um dos pilares do samba-enredo paulistano, Ideval ajudou a moldar a identidade musical do carnaval de São Paulo ao longo de mais de cinco décadas. Sua obra mais emblemática é "Narainã, a Alvorada dos Pássaros", samba-enredo da Camisa Verde e Branco em 1977, eleito pelo jornal Folha de S. Paulo como o "samba do século" e considerado por especialistas como o maior da história do carnaval paulistano.
O sociólogo Tadeu Kaçula, ex-presidente da Camisa Verde e Branco, foi um dos primeiros a comunicar o falecimento do compositor nas redes sociais. "Tive o privilégio de produzir o seu primeiro álbum e de aprender muito sobre o samba e o carnaval de São Paulo! Que no Orum você seja recebido com as honras de um verdadeiro guerreiro africano", escreveu.
O velório de Ideval ocorre nesta quinta-feira (19), das 8h30 às 12h30, no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital paulista.
Trajetória no samba
Nascido em 18 de setembro de 1940, em Catanduva (SP), Ideval passou a infância em Votuporanga, também no interior, e iniciou cedo os estudos musicais em uma escola municipal.
Nos anos 60, se mudou para a capital paulista, onde trabalhou como torneiro mecânico antes de ingressar no carnaval, em 1971, pela Camisa Verde e Branco.
Já em 1972, venceu sua primeira disputa de samba-enredo com "Literatura de Cordel". Ao lado de Zelão e Miro, formou uma das tríades mais importantes da história da escola, conquistando títulos marcantes como "Nega Fulô" (1974) e participando do tricampeonato da agremiação em 1976.
Em 1979, escreveu sozinho, em um papel de pão, o samba "Almôndegas de Ouro", vencedor daquele ano. Nos anos seguintes, participou da fundação da Tom Maior, conquistou o bicampeonato pela Rosas de Ouro em 1984 e deixou marcas históricas na Unidos do Peruche, com sambas como "Água Cristalina" e "Os Sete Tronos dos Divinos Orixás".
Com mais de 25 sambas-enredo assinados, Ideval passou a ser reconhecido como um "Griô" do samba paulistano – guardião da memória, da tradição e da identidade cultural do carnaval de São Paulo.







