Cidade de Gaza é declarada "zona de combate perigosa" por Israel; moradores fogem
Militares israelenses disseram que não vão aplicar pausa humanitária na cidade e anunciaram a recuperação de corpo de refém do Hamas

SBT News
com informações da Reuters
O exército israelense encerrou as pausas humanitárias que permitiam entregas de ajuda na Cidade de Gaza, anunciando que o local "constitui uma zona de combate perigosa" a partir desta sexta-feira (29).
Não demorou e vários palestinos saíram de uma área da cidade para outra, numa tentativa de fugir das ofensivas de Israel. Algumas pessoas carregaram seus pertences em veículos e carroças puxadas por animais.
"Toda a área se tornou perigosa. As pessoas foram embora. Eu quero ir embora, mas não sei para onde ir. Não consigo encontrar um lugar. (...) Para o sul ou não? Não temos para onde ir. Não tenho barraca, minha barraca está presa em Shejaia, sob os escombros, e não consegui retirá-la", relatou um palestino à Reuters.
Também nesta manhã, foi anunciado que militares conseguiram recuperar o corpo de Ilan Weiss, um refém capturado pelo Hamas.
Israel está avançando com o plano de assumir o controle total da Faixa de Gaza, começando pela Cidade de Gaza, o que atraiu fortes críticas no país e no exterior. O ataque à cidade se intensificou gradualmente na semana passada, à medida que Israel instava os civis a partirem para o sul do enclave palestino.
No mês passado, Israel anunciou a interrupção das operações militares por 10 horas por dia em partes de Gaza e novos corredores de ajuda, enquanto a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos lançavam suprimentos por via aérea no enclave.
Os militares israelenses disseram nesta sexta-feira que "continuarão a apoiar os esforços humanitários juntamente com as manobras e operações ofensivas em andamento contra as organizações terroristas na Faixa de Gaza, a fim de proteger o Estado de Israel".
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Histórico da guerra
A guerra começou em outubro de 2023, quando combatentes liderados pelo Hamas invadiram o sul de Israel, matando 1.200 pessoas, a maioria civis, e levando 251 reféns para Gaza, segundo registros israelenses.
Desde então, a ofensiva de Israel matou mais de 62.000 pessoas em Gaza, a maioria civis, segundo as autoridades de saúde de Gaza; reduziu grande parte do enclave a ruínas; e deslocou quase toda a população.
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Israel tem enfrentado críticas internacionais crescentes, que o governo rejeita, sobre a crise humanitária em Gaza. As negociações indiretas de cessar-fogo em Doha entre Israel e o Hamas foram interrompidas sem nenhum acordo à vista.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a guerra não terá fim até que o Hamas seja desarmado.