Chanceler argentino descarta romper relações com o Brasil
Pablo Quirno afirmou que Argentina não levará ataques para plano institucional
Duda Ventura
Javier Milei e Pablo Quirno - Reprodução/Redes
O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou nesta quarta-feira (29) que o governo de Javier Milei não pretende romper relações com o Brasil, apesar da crise diplomática provocada pela recente troca de ataques entre o presidente argentino e integrantes do governo brasileiro. Segundo o chanceler, as declarações refletem diferenças políticas e ideológicas.
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"Temos que enquadrar esse último episódio em uma série de acontecimentos que vêm ocorrendo entre Brasil e Argentina por diferenças políticas e ideológicas que o presidente Milei tem com o presidente Lula. Nós vemos o mundo de uma maneira totalmente diferente", afirmou.
As declarações foram dadas em entrevista à rádio argentina Mitre, na qual o chanceler também reiterou o apoio de Milei à família Bolsonaro. Quirno também afirmou que a Argentina não pretende responder às declarações de autoridades brasileiras nem transformar o embate político em uma crise institucional.
"Há uma diferença muito importante do lado da Argentina. Não levamos esse tema para o plano institucional. Separamos o campo político e ideológico do campo institucional. Não estamos respondendo nem vamos responder às declarações do presidente Lula ou de integrantes do governo", declarou."Não existe nenhuma possibilidade de que, da nossa parte, as relações sejam rompidas".
Ao comentar a decisão do Itamaraty de convocar o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, e chamar para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, Quirno afirmou que espera o retorno de Bitelli à capital argentina após as consultas em Brasília para dar continuidade à agenda bilateral entre os países.
"Temos a mais alta estima pelo embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli. Esperamos que, concluídas essas consultas, ele retorne ao país o quanto antes para que possamos continuar desenvolvendo a extensa agenda bilateral que temos", disse.
Bitelli tem uma reunião marcada nesta quarta-feira (29) com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira. Até o momento, não há confirmação sobre quando o diplomata retornará a Buenos Aires.
A crise diplomática se intensificou após a visita de Milei ao Brasil no último fim de semana. Durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, o presidente argentino chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de "lixo". Posteriormente, em entrevista à imprensa argentina, voltou a atacar Lula, chamando o presidente brasileiro de "ex-presidiário" e acusando, sem apresentar provas, o governo brasileiro de financiar uma campanha internacional contra sua gestão.
As declarações repercutiram entre autoridades brasileiras. O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a postura de Milei como "lamentável" e afirmou que os ataques não devem comprometer o avanço da integração econômica do Mercosul.
"É lamentável. Um presidente de um país vizinho e amigo presta um desserviço ao seu próprio país ao se envolver de maneira absolutamente grosseira nos assuntos internos do Brasil", afirmou o vice-presidente.
O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), também criticou a participação de Milei na convenção do PL. Segundo ele, o evento desviou o foco da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e foi marcado por ataques políticos, em vez da apresentação de propostas.
“Foi ali um evento, uma convenção em que o candidato perdeu para um argentino e perdeu para um avatar. Ali não tinha presença do candidato, não tinha proposta. E o pior, desse um nível tão rasteiro de agressão. De repente, ao invés de nós discutirmos temas nacionais, nós estamos discutindo o problema de agressão aos Estados Unidos, com a Argentina”, declarou.
Na mesma linha, o presidente do PSD e candidato a vice na chapa de Caiado, Gilberto Kassab, afirmou que a convenção demonstrou que Flávio Bolsonaro "não quer discutir o Brasil": “A convenção fugiu dos objetivos que a sociedade brasileira espera. Ela esperava lá a apresentação de um candidato com propostas. Ele traz um presidente de outro país, um país que tem relações importantes com o Brasil, para fazer um bate-boca com o atual governo, que cai na armadilha e também baixa o nível”, disse Kassab.
Chanceler argentino descarta romper relações com o BrasilPablo Quirno afirmou que Argentina não levará ataques para plano institucionalMundo2026-07-29T18:37:58.363ZO ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou nesta quarta-feira (29) que o governo de Javier Milei não pretende romper relações com o Brasil, apesar da crise diplomática provocada pela recente troca de ataques entre o presidente argentino e integrantes do governo brasileiro. Segundo o chanceler, as declarações refletem diferenças políticas e ideológicas. "Temos que enquadrar esse último episódio em uma série de acontecimentos que vêm ocorrendo entre Brasil e Argentina por diferenças políticas e ideológicas que o presidente Milei tem com o presidente Lula. Nós vemos o mundo de uma maneira totalmente diferente", afirmou. As declarações foram dadas em entrevista à rádio argentina Mitre, na qual o chanceler também reiterou o apoio de Milei à família Bolsonaro. Quirno também afirmou que a Argentina não pretende responder às declarações de autoridades brasileiras nem transformar o embate político em uma crise institucional. "Há uma diferença muito importante do lado da Argentina. Não levamos esse tema para o plano institucional. Separamos o campo político e ideológico do campo institucional. Não estamos respondendo nem vamos responder às declarações do presidente Lula ou de integrantes do governo", declarou."Não existe nenhuma possibilidade de que, da nossa parte, as relações sejam rompidas". Ao comentar a decisão do Itamaraty de convocar o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, e chamar para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, Quirno afirmou que espera o retorno de Bitelli à capital argentina após as consultas em Brasília para dar continuidade à agenda bilateral entre os países. "Temos a mais alta estima pelo embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli. Esperamos que, concluídas essas consultas, ele retorne ao país o quanto antes para que possamos continuar desenvolvendo a extensa agenda bilateral que temos", disse. Bitelli tem uma reunião marcada nesta quarta-feira (29) com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira. Até o momento, não há confirmação sobre quando o diplomata retornará a Buenos Aires. A crise diplomática se intensificou após a visita de Milei ao Brasil no último fim de semana. Durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, o presidente argentino chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de "lixo". Posteriormente, em entrevista à imprensa argentina, voltou a atacar Lula, chamando o presidente brasileiro de "ex-presidiário" e acusando, sem apresentar provas, o governo brasileiro de financiar uma campanha internacional contra sua gestão. As declarações repercutiram entre autoridades brasileiras. O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a postura de Milei como "lamentável" e afirmou que os ataques não devem comprometer o avanço da integração econômica do Mercosul. "É lamentável. Um presidente de um país vizinho e amigo presta um desserviço ao seu próprio país ao se envolver de maneira absolutamente grosseira nos assuntos internos do Brasil", afirmou o vice-presidente. O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), também criticou a participação de Milei na convenção do PL. Segundo ele, o evento desviou o foco da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e foi marcado por ataques políticos, em vez da apresentação de propostas. “Foi ali um evento, uma convenção em que o candidato perdeu para um argentino e perdeu para um avatar. Ali não tinha presença do candidato, não tinha proposta. E o pior, desse um nível tão rasteiro de agressão. De repente, ao invés de nós discutirmos temas nacionais, nós estamos discutindo o problema de agressão aos Estados Unidos, com a Argentina”, declarou. Na mesma linha, o presidente do PSD e candidato a vice na chapa de Caiado, Gilberto Kassab, afirmou que a convenção demonstrou que Flávio Bolsonaro "não quer discutir o Brasil": “A convenção fugiu dos objetivos que a sociedade brasileira espera. Ela esperava lá a apresentação de um candidato com propostas. Ele traz um presidente de outro país, um país que tem relações importantes com o Brasil, para fazer um bate-boca com o atual governo, que cai na armadilha e também baixa o nível”, disse Kassab.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/chanceler-argentino-descarta-romper-relacoes-com-o-brasil
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