Chanceler alemão diz que não aconselharia seus filhos a irem aos EUA neste momento
Friedrich Merz citou um suposto 'clima social' na sociedade norte-americana e dificuldades enfrentadas por pessoas instruídas para conseguir emprego

Sofia Pilagallo
Admirador assumido dos Estados Unidos, o chanceler da Alemanha afirmou que não recomendaria a seus filhos viajarem ao país para estudar ou trabalhar em razão do "clima social" que se instalou na sociedade norte-americana. A declaração ocorreu nesta sexta-feira (15), durante um debate com jovens, que entoaram uma salva de palmas após a declaração.
"Hoje, até as pessoas mais bem instruídas nos Estados Unidos estão enfrentando muita dificuldade em encontrar um emprego. Sou um grande admirador dos Estados Unidos. No momento, minha admiração não está aumentando", disse Friedrich Merz.
"Hoje, eu não aconselharia meus filhos a irem para os EUA, estudarem lá ou trabalharem lá, simplesmente porque um certo clima social se instalou repentinamente no país", acrescentou Merz, que é pai de três filhos.
O chanceler também incentivou os jovens alemães a adotarem uma visão mais otimista sobre o próprio país, uma vez que, para ele, "existem poucos países no mundo que oferecem oportunidades tão grandes, especialmente para os jovens, quanto a Alemanha".
A declaração de Merz foi rapidamente criticada por Richard Grennel, conselheiro de Donald Trump em política externa e ex-embaixador na Alemanha. Em publicação no X, ele afirmou que o chanceler "não tem estratégia" e é "completamente controlado pela mídia woke alemã".
O termo "mídia woke", advindo do inglês “woke” (“desperto”), é usado para descrever filmes, séries, jogos e conteúdos jornalísticos que dão destaque a temas como diversidade, inclusão e justiça social. Para alguns, o termo tem um sentido positivo, ligado à representatividade; para outros, é usado de forma pejorativa para criticar o que chamam de “lacração” ou doutrinação.
No mês passado, Merz esteve envolvido em uma outra troca de farpas com os EUA ao afirmar que o Irã estava humilhando "Washington" na mesa de negociações. Em resposta, Trump sugeriu que o chanceler estava fazendo um “péssimo” trabalho e anunciou a retirada de 5 mil soldados das suas bases na Alemanha.









