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Centenas de funcionários da ONU pressionam chefe de direitos humanos a chamar Gaza de genocídio, mostra carta

"Deixar de denunciar um genocídio em andamento prejudica a credibilidade da ONU e do próprio sistema de direitos humanos", diz documento

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Reuters
28/08/2025, 13:00 • Atualizado em 28/08/2025, 13:07
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Palestinos durante funeral na Cidade de Gaza | 28/8/2025/Reuters/Mahmoud Issa

Palestinos durante funeral na Cidade de Gaza | 28/8/2025/Reuters/Mahmoud Issa

Centenas de funcionários da ONU no Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH) pediram a Volker Turk que descreva explicitamente a guerra na Faixa de Gaza como um genocídio em andamento, de acordo com uma carta vista pela Reuters.

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A carta enviada nessa quarta-feira (27) afirma que os funcionários consideram que os critérios legais para genocídio na guerra de quase dois anos entre Israel e Hamas em Gaza foram atendidos, citando escala, escopo e natureza das violações documentadas lá.

"O ACNUDH tem uma forte responsabilidade legal e moral de denunciar atos de genocídio", diz a carta assinada pelo Comitê de Funcionários em nome de mais de 500 funcionários. "Deixar de denunciar um genocídio em andamento prejudica a credibilidade da ONU e do próprio sistema de direitos humanos", acrescentou.

O documento citou a percepção do fracasso moral do órgão internacional por não ter feito mais para impedir o genocídio de 1994 em Ruanda, que matou mais de 1 milhão de pessoas.

Não houve resposta imediata do Ministério das Relações Exteriores de Israel. Israel já havia rejeitado acusações de genocídio em Gaza, citando seu direito de autodefesa após o ataque mortal do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas e resultou em 251 reféns, de acordo com dados israelenses.

A guerra subsequente em Gaza matou quase 63.000 pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, enquanto um monitor global de fome afirma que parte da população está sofrendo de fome.

Alguns grupos de direitos, como a Anistia Internacional, já acusaram Israel de cometer genocídio e uma especialista independente da ONU, Francesca Albanese, também usou o termo, mas não a própria ONU.

No passado, autoridades da ONU disseram que cabe aos tribunais internacionais determinar o genocídio.

Em 2023, a África do Sul apresentou um processo de genocídio sobre as ações de Israel em Gaza à Corte Internacional de Justiça, mas o caso ainda não foi julgado por seus méritos – um processo que pode levar anos.

"A situação em Gaza nos abalou a todos até o âmago", disse a porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani, citando as circunstâncias difíceis enfrentadas pelo escritório ao tentar documentar os fatos e dar o alarme. "Houve e continuará havendo discussões internas sobre como seguir em frente", afirmou ela em referência à carta.

Turk, que tem condenado repetidamente as ações de Israel em Gaza e alertou sobre o risco crescente de crimes de atrocidade, disse que a carta levantou preocupações importantes.

"Sei que todos nós compartilhamos o sentimento de indignação moral com os horrores que estamos testemunhando, bem como a frustração diante da incapacidade da comunidade internacional de pôr fim a essa situação", disse ele em uma cópia de sua resposta vista pela Reuters, pedindo aos funcionários que "permaneçam unidos como um Escritório diante de tal adversidade".

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